Sanidade Animal - 20.04.2017

O metapneumovirus aviário na avicultura industrial

AMPV é altamente sensível à maioria de desinfetantes e tratamentos físicos, sobrevivendo por pouco tempo em material orgânico fora da ave

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por MV MSc PhD Jorge Chacón, gerente Serviços Veterinários e MV MSc Alberto Inoue, gerente Linha de Produtos da Ceva Saúde Animal

Desde a primeira detecção do Metapneumovirus aviário (AMPV) na África do Sul nos anos 70, várias denominações foram atribuídas à doença resultante da infecção dependendo do tipo de ave afetada, o quadro clínico e lesões decorrentes da infecção: rinotraqueite do peru (TRT), rinotraqueite aviária (ART), pneumovirus aviário (APV), e síndrome da cabeça inchada (SHS).

O AMPV pertence ao gênero Metapneumovirus, dentro da subfamília Pneumovirinae, da família Paramyxoviridae. Quatro subtipos do AMPV foram reconhecidos baseados na divergência da sequência dos nucleotídeos no gene G. Os subtipos A e B foram detectados na Europa, África, Ásia e Brasil; o subtipo C foi encontrado nos Estados Unidos, França e Coreia; e o subtipo D foi descrito na França.

O AMPV é altamente sensível à maioria de desinfetantes e tratamentos físicos, sobrevivendo por pouco tempo em material orgânico fora da ave.

O AMPV tem predileção por células epiteliais dos tratos respiratórios e reprodutivos, causando ciliostase. Os sinais clínicos observados após infecção pelo AMPV não são patognomónicos nem específicos, podendo ser agravados pela presença de agentes secundários ou associação com outros patógenos, particularmente o vírus da bronquite infecciosa (IBV).

O AMPV provoca uma infecção aguda do trato respiratório de perus e frangos. Os perus são mais sensíveis à enfermidade, que também é chamada de rinotraqueíte do peru (TRT, do inglês Turkey Rinotracheitis), caraterizada por conjuntivite, estertores traqueais, espirros, inflamação de seios infraorbitários, descargas nasais e oculares e edema submandibular. Em aves adultas, tosse, movimentos de cabeça e opistótono são frequentemente observados.

O AMPV é também associado com a síndrome da cabeça inchada (SHS, do inglês Swollen Head Syndrome) em frangos, poedeiras e matrizes pesadas. Em frangos, nem sempre é possível observar sinais clínicos no lote infectado. Se observam sinais clínicos e lesões como inflamação dos seios peri e infraorbitários e torcicolo. Aves com sinais nervosos e mortalidade também podem ser observadas, mas em menor intensidade. Tanto em perus quanto em galinhas, uma queda transitória na produção e/ou um incremento nas anormalidades da casca dos ovos têm sido descritos, além de peritonite.

A infecção de aves jovens resulta em lesões do trato respiratório, enquanto que a infecção em aves na fase de produção pode acometer também o trato reprodutivo, levando a distúrbios como regressão ovariana e produção de ovos deformados.

Os sinais clínicos após infecção laboratorial são menos severos que os observados no campo, mostrando a importância dos agentes secundários na evolução da doença no campo. Experimentalmente, coinfecções com outros patógenos bacterianos (E. coli, Mycoplasma gallisepticum, Reimeriella anatipestifer e Ornithobacterium rhinotracheale) e vírus vacinais respiratórios (p.e vírus lentogênicos da Doença de Newcastle) incrementaram a severidade da infecção por AMPV.

A eliminação e controle de agentes secundários diminuirá o impacto da infecção por AMPV.

Epidemiologia

Perus, frangos, galinhas poedeiras e matrizes de qualquer idade são suscetíveis e hospedeiros naturais do AMPV. O vírus também já foi detectado em outras espécies de aves (ganso, pato, faisão, galinha de Angola, pombo, avestruz e aves de caça) com ou sem a presença de sinais clínicos, mostrando a função de reservatório destas espécies. Estudos de transmissão mostraram que roedores e aves aquáticas são importantes na transmissão do agente.

O primeiro subtipo detectado na Europa e Brasil foi o subtipo A. Isto levou ao desenvolvimento de vacinas vivas e inativadas a partir desde subtipo. Contudo, as últimas publicações científicas publicadas relacionadas a estudos epidemiológicos conduzidos no Brasil e outros continentes (exceto Estados Unidos, onde o subtipo dominante é o C), mostram uma maior prevalência e envolvimento clínico do subtipo B.

No Brasil, os subtipos A e B foram isolados a partir de lotes comerciais de perus e frangos de corte. Apesar da utilização de variados programas de vacinação (incluindo vacinas vivas e inativadas contendo os subtipos A e B do AMPV) a ocorrência de doenças respiratórias, diminuição da produção de ovos e elevados títulos sorológicos continuam sendo observados em lotes vacinados. Falhas no processo de vacinação, resposta imune inadequada e infecção por um subtipo diferente da cepa vacinal têm sido sugeridas para explicar a persistência do vírus. Por exemplo, isolados do subtipo C são genética e antigenicamente diferentes dos subtipos A e B. Consequentemente, vacinação baseada nos subtipos A e B oferecem baixa proteção cruzada contra a infecção causada pelo AMPV do subtipo C.

Não existe consenso sobre o nível de proteção cruzada entre subtipos A e B. Baseados em estudos de vacinação/desafio, há pesquisadores que sugerem que a vacinação deve ser realizada com o mesmo subtipo circulante no campo.

No cenário mundial, a predominância do subtipo B nos desafios de campo está levando a seleção de vacinas que contenham este subtipo viral.

Diagnóstico

O sucesso do isolamento ou detecção viral depende do momento da coleta. O vírus pode ser detectado de tecidos respiratórios apenas 6 a7 dias após a infecção. Assim, muitas vezes quando o lote apresenta o quadro clínico, o AMPV já não está mais presente nas aves. As amostras sugeridas para o diagnóstico incluem seios nasais, traqueia e suabes de traqueia.

O isolamento viral não é um método prático para ser usado como rotina no diagnóstico, pois o agente é muito sensível e sua a viabilidade pode ser comprometida durante o transporte da amostra para o laboratório.

As técnicas moleculares têm sido uma importante ferramenta de auxílio diagnóstico. Além de rápidas e de alta sensibilidade, eles permitem conhecer o subtipo viral detectado.

Entre as técnicas sorológicas, o Elisa é utilizado preferencialmente devido a sua praticidade, custo e conveniência. O principal desafio das técnicas de Elisa consiste na interpretação dos resultados. Existem trabalhos científicos mostrando que diferentes títulos de anticorpos podem ser encontrados, de acordo com os kits comerciais utilizados. Esta diferença de sensibilidade do kit depende, entre outros fatores, do subtipo viral utilizado no kit comercial. Na prática, se o kit foi desenvolvido utilizando vírus do subtipo A, os títulos de anticorpos induzidos por um vírus vacinal ou de campo de diferente subtipo serão subdeterminados. Assim, quando a técnica de Elisa é utilizada para avaliar resposta imune pós-vacinação, este detalhe técnico tem que ser considerado na interpretação dos resultados.

Ferramentas de Controle

As medidas e regras de bioseguridade gerais são importantes para a evitar o ingresso do vírus de campo na granja. Existem também evidências que aves silvestres podem atuar como carregadores do AMPV.

O AMPV induz resposta imune celular e humoral poucas semanas após infecção. Estudos experimentais demonstraram que aves vacinadas e bursectomizadas no primeiro dia de vida (sem soroconversão) encontravam-se protegidas contra o desafio, evidenciando-se a importância da resposta celular. Outros estudos demonstram a relevância da imunidade humoral na proteção do trato reprodutivo de galinhas na fase de produção.

Os títulos de anticorpos maternais transferidos à progênie são proporcionais aos títulos de anticorpos circulantes na matriz. Porém, a imunidade passiva não é capaz de prevenir da doença clínica.

A primo-vacinação com vacinas vivas induzem baixa soroconversão, porém conferem proteção celular às aves. A resposta à vacinação contra AMPV pode ser prejudicada se a ave estiver passando por um processo de imunossupressão. Em aves de vida longa, as vacinas vivas são aplicadas duas a três vezes antes da vacina inativada oleosa, conferindo assim uma proteção completa e duradoura.

Vários trabalhos experimentais demostraram a importância da resposta imune celular e humoral induzida pelas vacinas vivas e inativadas, respectivamente.

Mais informações você encontra na edição de Avicultura de abril/maio de 2016.

Fonte: O Presente Rural

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