Logística - 24.08.2017

“O frango mais barato do Brasil para exportação estará nos estados do MT, TO, PI e MA”, sugere palestrante

Dar atenção a locais com aquíferos e boa produção de grãos são estratégias importantes para produtor que pretende expandir a produção avícola

- Arquivo/OP Rural

 -

O aumento crescente do consumo de carne no mundo tem dado ao Brasil grande notoriedade nos últimos anos, isso porque o país é um grande produtor da proteína, que abastece o mercado interno e, principalmente, externo. Isso faz com que gere uma necessidade de o produtor brasileiro passar a pensar mais em estratégias para produzir mais, com mais qualidade e melhor. Para explicar um pouco sobre o assunto, o médico veterinário Gabriel Jorge Neto falou sobre “Logística da produção de frangos de corte no Brasil” durante a Conferência Facta, que aconteceu em maio em Campinas, SP, reunindo lideranças da avicultura brasileira. Para ele, regiões hoje pouco tradicionais, como Centro-Oeste e Norte, vão se tornar produtoras com custos mais baixos que no Sul.

O especialista explicou que a tendência do consumo médio per capita para a carne de frango é maior que das outras proteínas, tendo uma média de crescimento de consumo em 3%. De acordo com ele, as expectativas para os próximos dez anos é que a União Europeia importe metade dos produtos agropecuários do Mercosul. “Esta expectativa é bastante positiva”, afirma.

Mas, pensando nas projeções do Brasil para os próximos anos, Neto comenta que em relação à produção de grãos o país ainda tem muito a crescer. Ele comenta que todos os anos há um ganho de um a dois milhões de hectares para o plantio. “Estamos no momento com 60 milhões de hectares de grãos, mas ainda temos a disponibilidade de mais 338 milhões de hectares”, conta. Ele comenta ainda que com a quantidade de hectares subindo todos os anos em uma média de 1,5 milhão de hectares, a produtividade no país é grande. “Mas temos que considerar o segundo plantio de milho, que é a safrinha, que é o fato mais relevante para o potencial de crescimento, porque onde tem segunda safra de milho é onde devemos investir em novas granjas”, afirma.

Ele comenta que além do crescimento do número de hectares, também a produtividade aumentou nos últimos 15 anos. “Crescemos em produtividade, fazendas, criamos novas cidades que melhoraram o país”, diz. Para ele, isso é resultado da soja e do milho, que representam quase 90% de toda a produção de grãos nacional. “A produção de milho só cresce. A produtividade por hectare mais que dobrou nos últimos 15 anos. E a produção nacional da soja também vem aumentando. A produtividade da oleaginosa cresceu de mais de dois mil quilos por hectare para 3,3 mil quilos”, comenta. Ele acrescenta que ampla parte desta produção está concentrada no Sul e Centro-Oeste do país.

Porém, o especialista pede atenção para as novas regiões em que a produção vem crescendo consideravelmente, como a região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e o Pará. “O crescimento acentuado destas regiões está fortemente fundamentado na Ásia. Embora o Mercosul exporte bastante para a Europa, a exportação brasileira está quase que completamente concentrada na Ásia”, comenta. Neto explica que o grosso das exportações brasileiras passam pelo Canal do Panamá, e que a duplicação e crescimento dele é um dos fatores mais relevantes em relação à logística da produção brasileira.

Neto conta que as exportações de milho brasileiras estão fortemente centralizadas na Ásia. “A Indonésia é um dos países que vai ser um fator grande das exportações brasileiras. As Filipinas também são um país interessante”, diz. O especialista ainda comenta que as exportações de soja estão centralizadas em países como China, Indonésia, Tailândia, Irã, Coreia do Sul e Rússia. “Grande parte das exportações em volume vão para estes países”, diz.

Ele comenta que a avicultura de corte no Brasil tem crescido significativamente, porém, nos últimos anos teria se mantido mais estável. “A exportação tem crescido bastante, assim como a disponibilidade interna também tem sido bastante estável”, comenta. Ele acrescenta que o país teve uma produção anual e alojamento de pintos crescente nas últimas décadas. “Subiu de 4,5 bilhões para 6,5 bilhões. O alojamento de pintos está fortemente concentrado no Sul do país, com 57,5% do plantel. E a produção de carne de aves está concentrada nos três estados do Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), representando aproximadamente 60%”, conta. Além disso, ele diz que o abate também está centralizado nos três estados sulistas. “O Brasil é um país rico em alimentação”, afirma.

Regiões

Mas, mesmo as tradicionais regiões sendo as grandes produtoras, o Brasil ainda tem muito a expandir, sugere Neto. “O país tem uma densidade demográfica totalmente concentrada nos estados do Sul e Sudeste e no litoral do Nordeste. Brasília foi o início da colonização no interior para abrir milhões de hectares de Cerrado no país”, conta. Ele acrescenta que a logística de frango de corte tem tudo a ver com a evolução do plantio de soja e no milho no Brasil. “Em 1995 essa produção era concentrada no Sul, não havia nada em outras regiões. Olhe o que acontece depois de 20 anos, o grosso está no Centro-Oeste, e podemos incluir o Matopiba nisso”, afirma.

O especialista reitera que os estrategistas no momento em que pensam em logística para a produção de frango de corte devem pensar onde há milho safrinha. “O Sul da Bahia, Leste e Sul do Tocantins têm grande produção do milho safrinha, assim como as regiões Centro-Oeste, Mato Grosso e Paraná”, diz. Outro detalhe que deve ser observado para quem pretende aumentar a produção de aves de corte é se há quantidade de água disponível no local. “É importante que façam uma análise dos aquíferos. Não se pode pensar em produzir granjas de grande porte em regiões que não tenham aquíferos, por conta da seca. O mundo inteiro está mudando a temperatura, a região central do Brasil vai ficar extremamente seca nos próximos 30 anos. Por isso, recomendo que sejam estudados os aquíferos, para ver onde podem ser feitas granjas”, conta.

Além disso, o crescimento dos portos brasileiros também é positivo para o país. Em 2000 os portos do Norte não exportavam nada. Foi a partir de 2013 que aumentou as exportações no Porto Itaqui, no Maranhão. “As exportações cresceram rápido na região Norte. As projeções é que as exportações nesta região aumentem 23,8% em 2017. Ou seja, nós vamos exportar pouco mais de 100 milhões de toneladas pelos portos de Itaqui e de Belém. São regiões que ainda vão crescer muito”, afirma. Neto conta que há expectativa de crescimento do Porto de Itaqui, de um crescimento de 75%, além do Porto de Vila do Conde, em Barbacena no Pará.

Outro dado interessante apresentado por Neto foi que o custo da ração no Mato Grosso é mais baixo que no Paraná, sendo que este estado e Santa Catarina são os maiores produtores de frango de corte. “Porém, a criação do frango no Mato Grosso é mais cara, isso, em decorrência da logística”, afirma. Entretanto, o especialista acredita que nos próximos cincos anos, a situação poderá estar resolvida. “O frango mais barato do Brasil para exportação estará nos estados do Mato Grosso, Tocantins, regiões próximas a Uruçuí (PI) e do Maranhão”, diz.

Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

SHOW RURAL 2018

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.

ACSURSPORK EXPO 2018Farmácia na FazendaNutriquest TechnofeedNOXONSHOW RURAL 2018