Nutrição - 17.09.2018

Nutrição: os desafios da produção de aves livres de antibióticos

Nutricionistas precisam estar mais presentes e em comunicação com toda a cadeia de criação das aves para poder orientar o melhor programa de aditivos a ser utilizado

- Divulgação/Agroceres Multimix

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Artigo escrito por Patrícia Marchizeli, nutricionista técnico comercial de Aves na Agroceres Multimix

A demanda pela produção de aves livres de antibióticos vem crescendo rapidamente. O que no passado parecia algo muito distante, hoje se mostra como uma preferência pelos consumidores de todo o mundo, e no futuro, a tendência é que se torne uma exigência, já que o consumidor quem dita as regras para o produtor.

Os nutricionistas têm papel muito importante na produção dessas aves. Os ingredientes utilizados nas rações devem passar por rigoroso controle de qualidade, além de possuir alta digestibilidade. Os nutrientes devem ser criteriosamente balanceados e o objetivo principal deve ser o de modular a microflora intestinal, pois a mesma promove o bom funcionamento do sistema imunológico da ave. Porém, o maior equívoco é imaginar que a nutrição será o único fator responsável para o sucesso dessa produção. Uma combinação de fatores é que influenciará esse sucesso.

Há vários aditivos disponíveis para substituir os antibióticos promotores de crescimento, e outro erro comum cometido pelo produtor é a procura por uma única solução (aditivo alimentar). É necessário entender os desafios de cada sistema de produção, para então escolher quais aditivos melhor funcionarão para aquela situação. Desta maneira, os nutricionistas precisam estar mais presentes e em comunicação com toda a cadeia de criação das aves para poder orientar o melhor programa de aditivos a ser utilizado.

Como principais aditivos, conhecidos como promotores de crescimento alternativos, temos como exemplos: os probióticos (Bacillus subtilis, Bacillus licheniformes, Lactobacillus, Bifidobacterium, etc.), microorganismos vivos capazes de reduzir as bactérias patógenas e manter o equilíbrio da microflora; prebióticos (leveduras, mananoligossacarídeos, etc.), auxiliam na proliferação dos probióticos, como se fossem “alimentos” para os mesmos; ácidos graxos de cadeia curta (ácido butírico), boa fonte de energia para a proliferação celular do revestimento intestinal que age como uma barreira contra a entrada de microrganismos patógenos, além de diminuir o pH do intestino, tornando-se desfavorável para o crescimento desses patógenos; enzimas (fitase, carboidrase, protease, etc.) melhoram a disgestibilidade dos nutrientes e reduzem os efeitos nocivos dos fatores antinutricionais dos alimentos; ácidos orgânicos (ácido cítrico, ácido fórmico, ácido propiônico, ácido acético, etc.), acidificam o pH da ração e ajudam a controlar a multiplicação de patógenos no intestino; óleos essenciais (óleo de orégano, tomilho, timol, etc.), melhoram a digestão, possuem propriedades antioxidantes e antimicrobianas e podem estimular a resposta imune; entre outras opções. Todos esses aditivos descritos possuem o mesmo objetivo, o de estabelecer um ambiente intestinal em equilíbrio (microflora intestinal saudável).

Desafios

A produção de aves livres de antibióticos apresenta desafios para os produtores, que atualmente adotam estratégias distintas com uma diversidade de resultados. Essa produção cria a necessidade de relações cotidianas mais estreitas, ou seja, maior comunicação e interação entre os responsáveis pela nutrição, manejo, fábrica, incubatório, matrizeiro, etc., a fim de identificar problemas e resolvê-los precocemente.

Retirar os antibióticos promotores de crescimento da ração, substitui-los pelos aditivos citados anteriormente e não alterar a forma com que se gerencia toda a produção de aves certamente não trará os mesmos resultados zootécnicos. Produzir aves sem antibióticos requer uma revisão aos procedimentos básicos de manejo e biossegurança, evitando as oportunidades que as aves têm de se contaminar em qualquer fase de sua vida. Isso significa que os produtores precisam estar mais conscientes da limpeza de suas operações (desde o incubatório, matrizeiro, fábrica de ração e integração).

Um erro comum na criação destas aves é concentrar-se apenas no controle/prevenção à coccidiose e clostridiose. Esses, certamente, são os principais problemas de saúde das aves, mas a realidade é que eles são a consequência e não a causa do problema real.

Ambiente

Condições ambientais adequadas, como temperatura ideal, velocidade de ar e umidade relativa de acordo com a idade são fatores básicos que devem ser considerados para produzir aves sem estresse. Aves que sofrem devido ao calor, frio, ar seco ou úmido, excesso de amônia, Co2, etc., podem afetar o consumo de ração, motilidade intestinal e causar redução na digestibilidade dos nutrientes. Além disso, o estresse compromete o sistema imunológico da ave, tornando-se suscetível a doenças. A boa ventilação do aviário é fundamental para manter a cama seca e minimizar a condensação e a formação de aglomerados que favorecem os problemas sanitários.

É necessário estabelecer um período mínimo de vazio sanitário entre um lote e outro. Esse período deve ser o ideal para que se possa fazer a lavagem e desinfecção correta dos equipamentos e perfeita fermentação/troca da cama, além de permitir aos produtores lotes suficientes em um período de um ano para sua viabilidade econômica.

Devido à crescente pressão na redução dos custos na criação, outro equívoco é aumentar a densidade das aves alojadas. Mais aves/m² proporciona piora na qualidade da cama, piores condições atmosféricas no galpão, maior probabilidade de riscos na carcaça, menor peso ao abate, entre outros fatores negativos que levarão a maior probabilidade de desafio sanitário.

Oferecer água limpa (reduzir a presença de bactérias), na correta vazão e temperatura, também são fatores importantes, pois devemos lembrar que a ave ingere água na proporção do dobro do que come.

A nutrição das matrizes é fundamental para o desenvolvimento adequado de sua progênie. Além da transferência de nutrientes, as matrizes também transmitem imunidade, portanto é necessário que a saúde intestinal dessas aves esteja adequada.

Como estratégia nutricional, é importante iniciar um programa de alimentação que promova um intestino saudável, o mais rápido possível. Conseguir estabelecer uma microflora saudável precocemente evita que bactérias indesejáveis se tornem resistentes dentro do intestino.

Existem inúmeros conceitos de como melhorar a produtividade em sistemas de produção de aves sem antibióticos. O ponto mais importante é que a nutrição é tão importante quanto as práticas de manejo, biossegurança, ambiência, etc., ou seja, torna-se necessária uma visão geral de toda a cadeia. A gestão de cada local e os fatores ambientais podem influenciar facilmente na eficácia das combinações dos substitutos aos antibióticos promotores de crescimento.

Mais informações você encontra na edição de Aves de setembro/outubro.

Fonte: O Presente Rural

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