Nutrição - 13.08.2018

Nutrição no período de transição é estratégica para eficiência de vacas e bezerros

Ter atenção em todas as fases de produção do animal e bom manejo nutricional garantem maior produção e lucratividade para o pecuarista

- Arquivo/OP Rural

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O grande diferencial de vacas saudáveis e produtivas é o bom manejo nutricional. Um importante fator para garantir lucratividade e produção é a correta nutrição das vacas em todas as fases de vida do animal. Fazer o correto acompanhamento e definir estratégias nutricionais são alguns dos fatores que o pecuarista pode se atentar para garantir uma boa produção o ano inteiro. O planejamento nutricional deve ser preciso antes e após o parto.

O médico veterinário Ricardo Rocha explica que a vida produtiva da vaca é dividida em dois períodos, sendo eles o seco, em que a vaca não está em fase produtiva de leite, e o período de lactação, que representa a fase produtiva da vaca. “Podemos dividir o período seco em duas fases de acordo com o nível de exigência nutricional e desafios metabólicos”, explica. De acordo com Rocha, a fase 1 do período seco inicia no momento da secagem da vaca, ou seja, quando encerra a lactação (aproximadamente 60 dias antes da data prevista para o parto) e se estende até os 30 dias que antecedem o parto. “Nesta fase, comumente comete-se um erro no manejo nutricional de vacas leiteiras, pois como os requerimentos e os desafios metabólicos são baixos, muitas vezes por restrição na quantidade e na qualidade de alimentos os animais são mantidos com alimentação abaixo da exigência para esta fase”, comenta.

Fase dois

Ele diz que é verdade que a exigência nesta fase é baixa, no entanto, também é verdade que este é o momento de preparação das vacas para a período de pré-parto imediato. “Sendo assim, a manutenção de um rúmen saudável – adaptado à dieta de lactação – e o atendimento dos requerimentos nutricionais – energia, proteína, minerais, vitaminas – são fundamentais para garantir uma boa formação de colostro e uma lactação futura com bom desempenho”, comenta.

Já fase 2 do período seco, cita o profissional, inicia 30 dias antes da data prevista do parto e tem duração até o evento do parto. “Chamada de período pré-parto imediato, é um dos pontos mais críticos da atividade leiteira, quando a transição da fase não lactante para lactante representa mudanças nas exigências nutricionais, no metabolismo de hormônios, na capacidade que a vaca tem de ingerir alimento e consequentemente na suscetibilidade a doenças”, conta.

Rocha informa que estratégias nutricionais nesta fase envolvem o adensamento de dieta (uso de concentrados) para o atendimento de ingestão de matéria seca, preparação do rúmen e também de alguns componentes da dieta como nível proteico, uso de dietas aniônicas com o  objetivo de reduzir a ocorrência, principalmente, de hipocalcemias e assim reduzir os casos de cetose, retenções de placenta, infecção uterinas e desordens do trato digestório, como por exemplo o deslocamento de abomaso. “Alternativas nutricionais para esta fase também envolve a redução do grau de imunossupressão, em especial no que se refere a melhoria nas condições do sistema de defesa antioxidante, diminuindo o impacto negativo do estresse oxidativo que é característico desta fase”, informa.

Lactação

Já para o período de lactação, o médico veterinário conta que a divisão é feita em três fases produtivas, facilitando o atendimento dos requerimentos nutricionais e otimizando os recursos nutricionais da fazenda para cada fase. A fase 1 Rocha explica que tem início no parto e encerramento aos 100 dias de lactação (DEL100). “É a fase de maior exigência nutricional e, especialmente no início, o momento de menor ingestão de matéria seca, ou seja, é necessário o adensamento da dieta nesta fase para conseguirmos atender os requerimentos nutricionais”, diz.

A fase 2, que é dos 100 aos 200 dias de lactação, Rocha conta que é uma fase intermediária em relação à exigência, quando as vacas que tendem a ter permanência de pico de lactação continuam com requerimentos próximos à fase 1. E a fase 3 de lactação são os animais que já entram na fase de declínio de produção, ou seja, requerimento menor, e os ajustes nutricionais para esta fase servem para não haver incremento na condição corporal (não ganhar peso). “Esta separação de fases de lactação é importante juntamente com o controle leiteiro (saber a produção das vacas), controle reprodutivo (conhecer o DEL – dias em lactação) para definir a formação dos lotes de produção”, diz.

De acordo com o profissional, esta estratégia de manejo nutricional é uma das mais relevantes em uma fazenda de leite, já que possibilita o ajuste de dieta para os diferentes níveis produtivos, atendendo assim o requerimento nutricional e otimizando os recursos alimentares e financeiros.

Não errar no suplemento

Quando se fala em suplementos na ração animal, Rocha alerta que é importante ter bem claro o significado das palavras suplemento e aditivo. “Ambas têm por objetivo atender e/ou suprir alguma falta que a dieta básica não está atendendo. Muitas vezes os suplementos e os aditivos são confundidos como substitutos de ingredientes de uma dieta e assim o efeito desejável destas substâncias não ocorrer é muito alto e por vezes condenando a tecnologia. Um exemplo disso é o uso de tamponantes exógenos da dieta de vacas em lactação”, comenta.

O médico veterinário diz que pela evolução do nível produtivo das vacas leiteiras e consequentemente nos requerimentos nutricionais e necessidade de adensamento de dieta, o uso de tamponantes e estabilizantes em um “cardápio” é indispensável para atender em torno de 10% da capacidade tamponante em um rúmen. Porém, o profissional alerta que se não houver uma análise criteriosa do estímulo de ruminação que representa 80% da capacidade tamponante (CNF, amido, FDN e terceira refeição) não se pode esperar do suplemento/aditivo uma ação milagrosa. “Mas, infelizmente, é o que se busca muitas vezes, um pó milagroso e não ajustar as condições nutricionais básicas para uma vaca”, afirma.

Rocha cita que outros aditivos e suplementos podem gerar um efeito benéfico para a vaca como também para o consumidor. “Exemplo disso é o uso de um adsorvente de micotoxina que melhora condição de saúde geral da vaca em função na inibição do efeito das micotoxinas no organismo (imunossupressão, problemas reprodutivos, etc.) e reduzem a eliminação de micotoxinas através do leite”, conta.

Além do mais, o aumento de saúde para a vaca pode vir através do uso de suplementos e aditivos que melhoram a absorção de minerais (sistema de proteção de micro minerais), pela presença de blend de antioxidantes, reduzindo assim efeitos nocivos dos radicais livres de imuno moduladores, com o AGCM – ácidos graxos de cadeia média, levedura, etc., explica. “Algumas vitaminas, como exemplo a biotina (formação de glicose no fígado) e a colina (precursor do VLDL), são importantes para o metabolismo energético, promovendo efeitos benéficos na produção, reprodução e status metabólico”, conta.

Melhor manejo nutricional = mais nutrição

Rocha explica que a nutrição correta associada a um manejo nutricional correto e à interação destes com o ambiente possibilita que o animal expresse seu potencial produtivo. “Muitos fatores estão envolvidos para que se tenha sucesso na lactação de uma vaca de leite. Alguns pontos são extremamente importantes de serem verificados ao se implantar um programa nutricional em uma fazenda de leite”, informa. Entre os pontos citados pelo médico veterinário estão a disponibilidade de água, sendo este um ponto crítico nas fazendas, especialmente naquelas com sistema semi intensivo; o planejamento forrageiro, para garantir que a fazenda tenha alimento para todo o ano, de preferência com sobra; o investimento em um ambiente agradável para a vaca; e definição de um plano nutricional para cada uma das fases produtivas.

Além do mais, o profissional cita que a fase com maior impacto na produção de leite e que merece mais atenção é o período de transição, aquele que compreende os últimos 30 dias de gestação e as três primeiras semanas de lactação. “Uma falha de manejo ou nutricional especialmente no período de pré-parto (fase 2 do período seco) irá influenciar de forma negativa a lactação, ou seja, podemos dizer que uma lactação de sucesso depende de um período pré-parto de sucesso”, comenta.

De acordo com ele, esta afirmação se dá em função de que havendo falhas nesta fase, a ocorrência de doenças é maior – como a retenção de placenta, infecções uterinas, cetose, deslocamento de abomaso, metrites – e consequentemente a produção de leite será inferior. “Os impactos negativos de uma transição de uma vaca gestante para uma vaca lactante envolvem a perda da eficiência reprodutiva de um rebanho, o que resulta em vários problemas como, por exemplo, aumento de DEL e assim diminuição na rentabilidade da atividade em função da redução na produção e perdas na qualidade de leite”, afirma.

Para Rocha, na atividade leiteira, quando se fala em nutrição é preciso fazer o simples bem feito, ou seja, em primeiro lugar atender as condições de exigências nutricionais e de manejo para vacas leiteiras. “A partir disso, existem estratégias nutricionais, chamados de pacotes tecnológicos – suplementos e aditivos – que têm por objetivos possibilitar que as vacas expressem seu potencial produtivo com saúde e garantia de um produto saudável ao consumidor”, aponta.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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