Nutrição - 15.03.2018

Nutrição mineral orgânica: o que a ciência já provou?

Importância dos minerais orgânicos está baseada principalmente na sua maior biodisponibilidade, no seu papel junto ao metabolismo celular e na sua menor excreção ambiental

- Arquivo/OP Rural

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Artigo escrito por Marlene Schmidt, doutora em Nutrição Animal e gerente Técnico Comercial da Alltech do Brasil

O setor do agronegócio brasileiro sempre anseia por evolução e é movido por constantes mudanças. Esse processo é natural e faz com que o setor se mantenha produtivo e competitivo. A indústria que se destaca hoje é a que busca resultados promissores, porém, com eficiência e segurança.

A pesquisa em nutrição animal tem o desafio de fornecer alternativas e tecnologias que atendam às necessidades da indústria, tanto em resultados quanto em segurança alimentar. Dentro deste contexto, a nutrição mineral tem sido muito estudada e vem se ajustando para atender a indústria do futuro.

Os minerais na forma orgânica são produzidos desde a década de 70, e a utilização destes na nutrição animal está cada vez mais evidente. Sua importância está baseada principalmente na sua maior biodisponibilidade, no seu papel junto ao metabolismo celular e na sua menor excreção ambiental. A maior biodisponibilidade das fontes orgânicas de minerais permite que elas sejam incluídas na dieta em concentrações mais baixas, sem efeitos negativos sobre o desempenho das aves.

Na busca intensiva, para atender as mudanças e necessidades da produção animal, acompanhando principalmente a evolução genética e o aumento da produtividade dentro de um contexto de sustentabilidade, uma linha de pesquisa de uma multinacional de biotecnologia e universidades renomadas já obteve resultados satisfatórios, em desempenho, qualidade de carne e menor excreção ambiental, mediante o uso de minerais na forma orgânica.

A Ciência Comprova

O grupo está investindo forte em pesquisa na linha de minerais na forma orgânica. Segue criteriosamente as exigências requeridas para uma ótima quelação para obtenção de produtos de atuação comprovada. São minerais associados a proteínas e/ou aminoácidos e produtos de levedura, no caso do selênio e cromo, que não interagem entre eles e com outros componentes da dieta ao longo do trato gastrointestinal, conferindo-lhes melhor aproveitamento pelo animal e com menor excreção ambiental. Além disso, vários estudos mostram que, com sua utilização, são obtidos melhores resultados na produção.

Vários projetos de pesquisa, com diferentes espécies de aves, estão sendo ou foram conduzidos em parceria com instituições reconhecidas, como por exemplo as universidades federais de Viçosa (UFV-MG) e de Minas Gerais (UFMG), Escola Panamericana Agrícola Zamorano, em Honduras, Universidade de Ohio (Estados Unidos), Universidade de Guelph, no Canadá, Universidade da Carolina do Norte (EUA), além da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Nestes trabalhos o objetivo principal foi buscar a dose mínima ideal de substituição de minerais inorgânicos por orgânicos, sem causar queda em desempenho e deposição tecidual.

Em geral, a indústria tem utilizado níveis de zinco, cobre, manganês, ferro e selênio muito superiores aos dos preconizados pelas tabelas, tanto do NRC (1994), quanto das tabelas brasileiras de Aves e Suínos (Rostagno et al., 2011). Uma das razões se deve às perdas destes microminerais e à menor absorção devido às interações e formação de complexos indisponíveis ao longo do trato digestivo.  Porém, isso pode representar não somente um desperdício das fontes minerais, como também causar contaminação ambiental.

Estudos

De acordo com resultados relatados por estudiosos em 2008, a menor inclusão resulta em menor excreção de minerais para o meio ambiente. Os autores observaram reduções de 38%, 52% e 21% na excreção de Zn, Mn e Cu, respectivamente, em comparação aos mesmos minerais na forma inorgânica. Não houve diferença estatística para conversão alimentar e ganho de peso das aves de 1 a 42 dias quando utilizado a combinação dos minerais na forma orgânica (Zn, Cu, Mn e Fe) à 20% do nível dos mesmos minerais na forma inorgânica.

Para a indústria que apresenta perdas na linha de abate devido a lacerações de carcaça, a utilização de zinco orgânico tem apresentado resultados positivos em relação à fonte inorgânica. Pesquisadores concluíram em estudo de 2007 que a utilização de zinco e selênio orgânicos (selênio na forma de seleno-levedura) contribuíram de forma efetiva na recuperação de aves que sofreram arranhões e foram infectadas por E. Coli, melhorando a aparência da carcaça.

Estudos conduzidos na Universidade Federal de Viçosa apresentaram resultados nos quais a suplementação de dietas de frangos de corte com uma combinação de minerais na forma orgânica (Zn, Fe, Cu e Mn) e levedura de selênio a 33% dos níveis utilizados na indústria de 1 a 49 dias asseguram a manutenção do desempenho e índices de eficiência produtiva das aves. Segundo os autores, a excreção mineral em média na cama foi 57% da excreção dos inorgânicos.  Já outros estudiosos, no intuito de revalidar os resultados do primeiro experimento, concluíram em seu segundo trabalho que 22% dos níveis utilizados na indústria, porém na forma orgânica, de 21 a 42 dias, foram suficientes para assegurar a manutenção de desempenho e de índices de eficiência produtiva das aves. Segundo os autores, mesmo o nível de 22% garantiu concentrações iguais ou superiores de minerais depositados nos tecidos quando comparada às fontes inorgânicas.

Dando continuidade aos trabalhos com a UFV, desde janeiro de 2015 está firmada uma aliança com o objetivo de determinar as exigências dos níveis ideais de cada um dos microminerais na forma orgânica. As tabelas brasileiras trouxeram de forma inédita para a indústria de nutrição a exigência destes elementos também na forma orgânica, em média 44% a 45% da inclusão dos inorgânicos, para aves e suínos, respectivamente. Estes dados representam grande avanço na nutrição animal de aves e suínos e também no contexto da sustentabilidade.

Considerações

Ao longo dos últimos anos tivemos grandes avanços na nutrição de aves com o intuito de melhorar a eficiência de produção e rentabilidade. São esses desafios que mantêm o setor dinâmico e em busca constante por lucratividade e competitividade. Com a evolução genética que se observa atualmente, tão importante quanto conhecer a exigência nutricional de microminerais é garantir que estes estejam disponíveis para o animal. Várias pesquisas já provaram que os minerais na forma orgânica atendem prontamente as necessidades do animal e têm sido cada vez mais utilizados pela indústria avícola que busca por desempenho e produto de qualidade produzido de forma sustentável.

Mais informações você encontra na edição de Aves de janeiro/fevereiro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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