Impactos - 31.07.2017

Novos conceitos: Consumidor quer saber qual o impacto ambiental de cada frango

Preocupação com questões ambientais e sociais são referência para que consumidor adquira um produto ou não; toda cadeia produtiva deve estar envolvida para atender essa nova demanda

- Arquivo/OP Rural

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Com o conhecido crescimento populacional a demanda por alimentos também aumentou. E não somente isso, agora, com a ascensão de muitas pessoas em qualidade de vida e renda, a necessidade de produtos não somente em quantidade, mas também em mais confiável qualidade é uma realidade atual. Com isso, há consequentemente o aumento da procura e consumo de carnes. Mas, o que os produtores destes alimentos devem se preocupar agora também não é somente em produzir, mas em produzir com qualidade e pensando no que o consumidor final busca e quer: um produto sustentável. O professor da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Claudio Ruviaro, falou sobre o tema durante a Conferência Facta, que aconteceu em maio em Campinas, SP.

De acordo com Ruviaro, o consumo da carne de frango teve um crescimento de 13% nos últimos anos, e isso é bom para o setor, porém, a questão de o Brasil ser o maior exportador e segundo maior produtor da iguaria traz consequências. “Somos bons na produção da carne de frango, e isso nos coloca em uma vitrine. Com isso, podemos causar efeitos: sermos bem ou mal vistos, causar inveja, alguma coisa acontece”, diz. Ele comenta que neste aspecto, o país tem duas questões com que se preocupar: como é uma vitrine está sendo observado e assim sofre pressões do mercado internacional, e principalmente tem grande representatividade no setor. “Dessa forma, temos que nos preocupar com questões sanitárias, econômicas, ambientais e sociais que envolvem a cadeia da produção de carne de frango de corte”, destaca.

Entre as questões que o consumidor, principalmente internacional, vem se preocupando e quer saber é em relação às condições de trabalho das pessoas envolvidas na cadeia - se há trabalho escravo ou infantil -, como os produtos estão sendo produzidos, entre outros. Nas questões ambientais há a preocupação se há desmatamento de florestas, quanto está sendo usado de produtos químicos, como está sendo a produção de grãos para a alimentação destes animais, entre outras questões que a cadeia como um todo deve começar a se preocupar também, alerta o especialista. “O mercado internacional nos observa quanto a estas questões e está nos avaliando quanto a isso”, diz.

Ruviaro destaca que o consumidor está preocupado com as questões ambientais da produção. “Quais são os impactos ambientais que existem na produção desse produto?”, indaga o pesquisador. Segundo ele, é isso que o consumidor final vem perguntando no momento da compra dos alimentos. “O consumidor quer saber se quem produz este alimento usa alguma classificação ou conceito, se usa a Pegada de Carbono”, diz. E é esta classificação que o consumidor final vem olhando no momento da compra. “Em um iogurte, por exemplo, o consumidor tem à disposição diversas marcas, e cada uma das marcas tem no rótulo qual foi o impacto ambiental para produzir esse produto. Dessa forma, ele escolhe aquele que menos impacta no meio ambiente”, conta.

Para o pesquisador é importante observar que o mercado está sinalizando as exigências que vai fazer quanto a produtos que respeitem o meio ambiente. “As pessoas estão dispostas a pagar mais por estes produtos”, afirma. Ruviaro diz que é importante demonstrar que se produz de forma sustentável, e não somente falar. “Precisamos mostrar ao consumidor que estamos produzindo de forma consciente, que somos responsáveis e que respeitamos as questões sociais e ambientais”, comenta.

De acordo com ele, há ferramentas que permitem fazer um inventário ao longo da cadeia com detalhes com todos os insumos e detalhes que foram utilizados na produção daquele frango, como a matéria prima, o transporte, recursos e insumos utilizados, como foi feita a utilização do ar, água e solo. “São várias categorias de impacto ambiental. Através deste inventário eu consigo identificar no final quanto o frango impacta no meio ambiente. Dependendo do sistema, vou ter diferentes valores por aquilo que o frango faz em impactos ambientais”, afirma. Ruviaro explica que, com estes sistemas, é possível ver todas as entradas e saídas. “Eu também posso avaliar somente parte da cadeia. Analisar somente a fábrica de ração ou a cadeia completa. Posso fazer recortes do segmento e ver qual deles mais impacta o meio ambiente, e assim identificar onde posso minimizar os impactos e otimizar o processo”, conta.

Segundo estudos apresentados pelo pesquisador, o maior impacto está na produção de milho e soja. “Em qualquer sistema de produção o maior impacto ambiental está sempre na fase de produção dos alimentos, ou seja, isso nos mostra onde temos que atuar para minimizar os impactos”, afirma. Ele destaca ainda que a indústria pode pensar que não precisa se preocupar com esta questão, mas, de acordo com ele, isso é uma preocupação de todos os envolvidos na cadeia. “O consumidor está preocupado em saber de onde vem o frango que está comendo, qual o impacto ambiental que ele gera”, diz. Dessa forma, a empresa também é responsável por estes resultados. “Está ligado com fornecedores que podem fazer ações conjuntas para tentar minimizar impactos ao meio ambiente”, afirma.

Desafios

De acordo com Ruviaro, os envolvidos na cadeia avícola terão alguns desafios pela frente para atender esta demanda. “O produtor terá que saber a Pegada de Carbono e a Pegada Hídrica, além de quais tecnologias adotar para saber quais os valores dos impactos ambientais. Vai dar mais valor ao produto avaliar exatamente qual o impacto ambiental dele. Significa que se pretendemos continuar vendendo para outros países ou entrar em novos mercados, em breve precisaremos começar a ter isso nos nossos produtos”, afirma.

O pesquisador ainda destaca que é preciso que o Brasil se prepare para quando o mercado externo passar a exigir este tipo de certificação nos alimentos. Ruviaro informa que a ideia do mercado é fazer uma taxação diferenciada por produto. “É uma taxa diferente por impacto ambiental por produto. Dependendo de quanto for o impacto vai ter uma taxa que poderá começar a ser cobrada por países da União Europeia e outros países que estão com esta mesma linha de raciocínio”, explica. De acordo com ele, estas são novas barreiras que são criadas com o tempo para poder fazer a negociação.

Ruviaro indaga então o que o Brasil pode fazer sobre este fato, e de acordo com ele, o fato de vender frango exige muito mais que criar animais. “O consumidor quer saber onde foram produzidos os grãos para a alimentação, se houve a utilização de agrotóxicos, se é produção orgânica, se é um produto geneticamente modificado; são informações que devem haver. Ele quer ainda saber quais as condições de trabalho das pessoas envolvidas nisso, quantas árvores foram derrubadas para isso, qual a quantidade de água utilizada. São questões importantes no momento da negociação”, destaca. Ele acrescenta que estas são questões que começarão a ser feitas e é função da universidade, do pesquisador responder a estas questões antes de acontecerem. “Nós precisamos ter as respostas para quando estas perguntas começarem a chegar”, diz.

Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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