Nutrição - 20.09.2018

Nova cultivar para o gado dispensa sal proteinado e ração no inverno

Em experimentos realizados no interior de São Paulo, animais alimentados com essa cultivar apresentaram desempenho superior em comparação aos que receberam a suplementação

- Divulgação/Embrapa

Pecuaristas paulistas que alimentaram o rebanho com o Guandu BRS Mandarim não precisaram empregar sal proteinado nem ração para os animais durante o período de inverno, época em que a suplementação é necessária. Em experimentos realizados no interior de São Paulo, animais alimentados com essa cultivar apresentaram desempenho superior em comparação aos que receberam a suplementação. A forrageira ainda permitiu aumentar a taxa de lotação animal no pasto. As informações são da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa, que desenvolveu o material.

Fazendas que testaram a variedade também confirmaram os bons resultados, como a do bovinocultor José Francisco Soares, no município de São Carlos, SP, que há dois invernos deixou o confinamento dos animais. Soares, que trabalha com engorda de gado de corte, plantou a leguminosa desenvolvida pela Embrapa Pecuária Sudeste em uma das áreas mais degradadas do sítio. A experiência deu certo e, hoje, dos dez hectares da Estância São Rafael, quatro estão com a cultivar.

Segundo Soares, com a implantação do BRS Mandarim consorciado, a pastagem melhorou e ele não precisa utilizar ração ou sal proteinado para os animais. Desde o inverno de 2017, o gado alimenta-se do guandu e de sal mineral comum.

A economia para ele e para os outros produtores que optaram pela leguminosa é considerável. De acordo com a pesquisadora Patrícia Perondi Anchão Oliveira, comparando o guandu com a pastagem recuperada e considerando que as duas produzam a mesma quantidade de carne por hectare, o aumento de custo para inserir a BRS Mandarim seria de R$ 210 anuais por hectare e a redução de despesas na alimentação animal somaria R$ 867 por hectare ao ano. Ou seja, o produtor teria um saldo positivo de R$ 657 por hectare a cada ano. No aumento de custos ela considera as sementes e horas máquina para plantio e uma roçada anual. Na redução das despesas está contabilizada a economia com ureia, hora máquina para espalhar o fertilizante e suplemento mineral proteinado.

A falta de pasto fazia o produtor tratar do gado no cocho durante o período de seca. Agora, os 50 animais da propriedade ficam na pastagem o ano inteiro. “Uma das coisas mais econômicas é isso aqui”, enfatiza o produtor ao apontar o pasto com BRS Mandarim.

O investimento inicial foi de R$ 2 mil para o plantio do guandu em uma área de 1,5 hectare. “Coloquei sete bezerros de oito arrobas. Após um ano, pesaram 18 arrobas, sem gasto com mão de obra e ração”, conta.

Experiência

A tecnologia também está agradando técnicos e pecuaristas que participam do programa da Embrapa de capacitação continuada de técnicos que atuam em propriedades de gado de corte. De acordo com o coordenador do programa, Adilson Malagutti, o guandu respondeu muito bem às expectativas dos técnicos e produtores. “Eles estão satisfeitos com o retorno positivo da tecnologia. O BRS Mandarim serve de alimento na época da seca, que é justamente a mais desafiadora para o oferecimento de forragem aos animais. A solução casa com oferta de material de bom valor nutritivo, alto teor de proteína, a um custo baixo e com manejo simples”, explica Malagutti.

A fazenda Dois Rios, no Oeste do Estado de São Paulo, implantou o guandu BRS Mandarim em fevereiro de 2017 em consórcio com pastagem. O engenheiro-agrônomo Rubens Paulossi Junior, responsável pela produção, plantou 24 hectares de guandu com capim marandu em uma área rotacionada de 68 hectares. A finalidade da fazenda, do Grupo HS Agropecuária, é a cria de bezerro de corte. Os resultados econômicos com a utilização do guandu ainda não foram contabilizados. No entanto, como na propriedade há dois lotes de matrizes separados em pastos rotacionados, Paulossi relata que, visualmente, as vacas que estão no BRS Mandarim têm um escore corporal superior, mesmo tendo bezerro mais velho ao pé. Outro dado relevante é em relação à lotação por hectare, que saiu de 2,54 unidade animal (UA) por hectare para 3,57 UA.

Resultados superiores

Em experimentos realizados na Embrapa Pecuária Sudeste, novilhas mantidas em pastagem consorciada com Guandu BRS Mandarim ganharam 450 gramas de peso vivo ao dia. O estudo foi realizado comparando-se com dois outros sistemas: animais pastejando em pasto degradado e em pastagem adubada. A diferença maior foi em relação à área degradada, onde os bovinos ganharam por volta de 250 gramas por dia. Na adubada, o ganho foi de 300 gramas ao dia. De acordo com a pesquisadora Patrícia, essa diferença no peso é bastante significativa, já que os animais que permaneceram na integração com guandu não foram suplementados. Nas outras duas áreas foi necessário utilizar suplementação mineral proteinada, a um custo adicional e desempenho inferior.

O aumento da lotação animal também chama a atenção. No consórcio com guandu, foi possível manter até 3,5 novilhas por hectare. Na pastagem degradada, de 1,5 a duas novilhas por hectare; e, na recuperada, três.

Verde mesmo na seca

O guandu permanece verde e com muitas folhas na época seca, fornecendo forragem com elevado conteúdo proteico. O consumo pelos animais ocorre somente após seu florescimento, no início do inverno. Eles comem principalmente as vagens e as folhas mais velhas.

O plantio do guandu BRS Mandarim deve ser realizado na estação chuvosa. A persistência na área é por volta de três anos, sendo necessário novo cultivo após esse período. O manejo é simples. O produtor deve fazer uma roçada anual para manejar a leguminosa. O material roçado servirá de adubação verde, melhorando a fertilidade do solo e disponibilizando mais de 200 kg/ha de nitrogênio (N) à pastagem.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Eurotier

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.

SBSB 2018EurotierIntercorteACSURSFACTA Dez 2018