Saúde Animal - 07.06.2018

Na saúde animal é melhor (e mais inteligente) prevenir do que remediar

Médico veterinário Pedro Henrique Tomasi, fala sobre importância de manter a saúde dos planteis em dia, destaca funcionalidade da vacinação e frisa importância de um trabalho integrado

- Arquivo/OP Rural

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Manter a saúde dos animais é princípio básico para uma avicultura de sucesso, aliando boa lucratividade e segurança alimentar. O médico veterinário e consultor do jornal O Presente Rural, Pedro Henrique Tomasi, fala sobre a importância de manter a saúde dos planteis em dia, destaca a funcionalidade da vacinação e frisa a importância de um trabalho integrado entre empresas e produtores para alcançar produtos cada vez mais competitivos.

“A saúde de um lote de aves é consequência do trabalho de várias áreas dentro de uma integração. Começa com uma matriz de boa qualidade, passa por um bom processo de incubação e termina no campo, com o animal recebendo uma ração e um ambiente ótimos! Se houver uma falha em algum desses pontos, a saúde de toda a cadeia fica comprometida”, sustenta Tomasi. Confira.

O Presente Rural (OP Rural) - Quando o produtor sabe quando um frango está em sua perfeita saúde?

Pedro Henrique Tomasi (PHT) - O melhor indicativo é avaliar o crescimento de um lote. Um lote saudável apresenta, sempre, um crescimento dentro do esperado. Além disso, o produtor normalmente é capaz de, observando as aves, perceber se há algum problema com os animais. Muitas vezes, o técnico recebe um chamado com uma reclamação não muito precisa, com o relato de que “algo não está normal” com o lote. Nesse momento, o técnico precisa avaliar a situação para chegar ao diagnóstico do problema.

OP Rural - Que práticas são usadas para que o plantel tenha a saúde desejável? A saúde é resultado de todo o restante do processo produtivo?

PHT - A saúde de um lote de aves é consequência do trabalho de várias áreas dentro de uma integração. Começa com uma matriz de boa qualidade, passa por um bom processo de incubação e termina no campo, com o animal recebendo uma ração e um ambiente ótimos! Se houver uma falha em algum desses pontos, a saúde de toda a cadeia fica comprometida.

OP Rural - Quais os principais riscos à saúde/sanidade avícola atuais no Brasil?

PHT - Tem se falado muito em Salmonella. Nesse caso, temos que diferenciar as espécies que são patogênicas para os animais e seres humanos, daquelas que são ambientais. Normalmente as pessoas não falam isso, mas produzir um frango com ausência total de Salmonella é impossível. Mas é importante ressaltar que a presença de uma espécie de ambiental de Salmonella não compromete a segurança desse alimento. A maneira mais eficaz de se controlar a Salmonella é através de ações dentro das plantas de abate - da mesma forma que os Estados Unidos fazem. Lá, a prevalência de Salmonella (todas elas!) no animal abatido é muito próxima de zero. O modelo europeu trabalha de maneira inversa: tenta fazer o controle da Salmonella ainda no campo. Na prática, há um aumento da prevalência no frango abatido, uma vez que não pode ser adotada nenhuma medida de controle ou redução das bactérias durante o abate.

A segunda ameaça é a influenza aviária. Felizmente não temos essa doença no Brasil. Caso ela chegue aqui, o prejuízo causado será incalculável.

OP Rural - De modo geral, como está a saúde do frango de corte brasileiro?

PHT - A saúde das nossas aves é excelente. Os programas de controles adotados pelas empresas são eficientes e estão sempre em aprimoramento constante. É importante que o consumidor saiba que, mesmo com a divulgação de escândalos recentes - e dos próximos que poderão surgir -, a carne brasileira é muito segura para ser consumida. Nossa indústria trabalha no limite da economicidade. Qualquer perda que ocorra por um problema sanitário já deixa a operação como um todo no vermelho.

OP Rural - Qual o papel da vacinação na saúde dos frangos?

PHT - As vacinas são importantes, pois previnem as manifestações clínicas das doenças. A avicultura brasileira só chegou até aqui graças às vacinações. Hoje, muitas doenças que dizimavam lotes há alguns anos atrás simplesmente não são mais diagnosticadas. As vacinas são imprescindíveis.

OP Rural - Quais são as vacinas necessárias, para que servem e quando são aplicadas nas aves?

PHT - O programa de vacinação muda para cada empresa/região, pois as realidades são muito dinâmicas. Normalmente as empresas vacinam para gumboro e bronquite, porém outras vacinas podem entrar no programa, como New Castle.

OP Rural - Que outros medicamentos/aditivos são usados para estimular a boa saúde das aves?

PHT - A melhor forma de se trabalhar é evitar que o animal seja desafiado. A estimulação do sistema imune, ao contrário do que muitos pensam, não é sempre desejável. Nosso sistema de defesa tem um custo metabólico elevado para ser estimulado sem necessidade. Então, é sempre melhor investir num bom ambiente de criação, com bom intervalo entre lotes e manejo nesse período.

OP Rural - As aves podem perder saúde com a retirada de antimicrobianos do processo de produção? Se sim, o que fazer para minimizar ou eliminar essas perdas?

PHT - Podem, pois os antibióticos fazem com que as condições ambientais fiquem “menos importantes”, pois eles controlam as bactérias com potencial patogênico. Aqui, a base de tudo é rever os conceitos de produção, respeitando os preceitos básicos: boa ambiência, bom manejo entre os lotes com um intervalo “mínimo” – eu diria que 12 a 14 dias. Fazer a fermentação da cama também é um manejo altamente desejável.

OP Rural - O Brasil é livre de Influenza Aviária. O que isso representa para a saúde das aves e para o mercado brasileiro?

PHT - A IA é uma doença que causa alta mortalidade. Então, de modo imediato, o impacto na produção é grande. O pior é que isso “fecha as portas” do mercado externo. Sinceramente é difícil precisar qual seria o impacto para toda a cadeia de aves caso essa doença chegue no Brasil.

OP Rural - O que o produtor precisa evitar para entregar animais saudáveis?

PHT - O produtor precisa seguir as recomendações técnicas das empresas integradoras e não esquecer de que o trabalho de criação começa na saída do lote anterior. Manejos como limpeza, desinfecção e fermentação da cama são indispensáveis para a manutenção da saúde dos animais.

OP Rural - Cinco dicas para manter a saúde dos planteis de aves de corte.

PHT - Ter um intervalo entre lote de no mínimo 12 – 14 dias; fazer a fermentação da cama (de maneira adequada) entre os lotes; manter um bom programa de vacinação, desde as reprodutoras até o frango de corte; manter um bom programa nutricional, avaliado sempre as questões técnicas e financeiras; estudar para diferenciar tecnologias e produtos que são oferecidos pelo mercado.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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