Mercado - 30.11.2017

Mercado ainda precisa entender novo consumidor

Especialistas no assunto falaram durante o Siavs sobre o perfil de consumo moderno

- Arquivo/OP Rural

Um novo consumidor vem surgindo nos últimos anos. E atender a este novo e exigente cliente ainda tem sido um desafio para toda a cadeia de proteína animal. Mas a tarefa não é tão difícil quanto se pensa, já que, algumas mudanças já vêm sendo feitas, além de estratégias para melhorar a imagem também tem quebrado tabus sobre a proteína animal e assim conquistado estes novos fregueses. Para explanar melhor este assunto, durante o Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (Siavs), que aconteceu em agosto em São Paulo, SP, aconteceu um painel sobre o perfil desse novo consumidor.

De acordo com o pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Renato Irgang, quando se fala em mercado de importadores específicos, o foco deve estar no mercado asiático, que tem a carne suína como preferência. “Somente o Japão consome mais que o dobro de carne suína por habitante ano que nós”, revela. Ele acrescenta que dos 12 países/regiões que mais consomem carne suína, cinco são asiáticos: Hong Kong, Coreia do Sul, Coreia do Norte, China e Japão. “Atualmente todos são importadores de carne suína”, diz. Sem contar que, segundo Irgang, os fatores de decisão do consumidor asiático são principalmente dois: a origem da carne e o preço do produto.

O pesquisador revela que é de suma importância saber o que o seu mercado consumidor quer. Ele exemplifica: Taiwan tem mais interesse por produtos in natura, já o consumidor brasileiro prefere produtos cozidos ou embutidos. Entre as formas de agregar valor aos produtos está acrescentar à imagem como uma forma de conceito de produção ou mesmo agregar produtos da flora brasileira na carne. Irgang explica que é possível utilizar produtos como alho e erva mate na nutrição animal, gerando assim um sabor diferenciado na carne e tornando o produto tipicamente brasileiro.

Para o pesquisador, se o Brasil quiser exportar mais carne para países específicos, é preciso estudas as especificidades e demandas de cada um. “Agregar produtos de interesse destes mercados ao atributo de qualidade nutricional e sanitária à carne brasileira é importante. Além de adaptar a produção interna para atender a demanda que existe. Precisamos atender a premissa do que o mercado quer comprar, e não do que nós estamos querendo vender”, afirma.

Pesquisa

Para atender a este novo mercado é preciso que toda a cadeia esteja envolvida. E neste contexto surge a importância da pesquisa. O gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da BRF, Fábio Bagnara, afirma que a indústria brasileira é bastante inovadora e foi a cadeia de produção que empurrou a inovação. “Houve uma expansão nos produtos suínos, e com essa expansão houve a diversificação do portfólio. Desde o começo o mercado resolveu dar um passo a mais e fazer produtos mais diversificados para o consumidor”, comenta. De acordo com Bagnara, o portfólio para carne suína no Brasil é extenso, mas porque tudo foi pensado no que o consumidor precisa e traz praticidade para ele.

Ele explica que o propósito de ter uma área de pesquisa e desenvolvimento dentro da indústria frigorífica é pelo fato da área criar valor, gerar novos negócios, desenvolvendo novos produtos e novas categorias, além de melhorar o que já existe. “A área de P&D trabalha para uma melhoria importante, gerando, principalmente, inovação tecnológica”, diz.

Inovações

Bagnara conta que as inovações são movidas pela tecnologia, e que há quatro tipos principais de inovações, que vão desde as mais simples, com pequena novidade tecnológica, até as mais sofisticadas. Um dos tipos é a inovação com foco mercadológico, em que há baixo impacto tecnológico e alto mercadológico; a inovação incremental, onde há melhorias de produtos e processos, mas, na maioria das vezes, o consumidor não nota a diferença; a inovação radical, onde a tecnologia e o mercado coevoluem; e a inovação com foco tecnológico, onde há alto impacto tecnológico e baixo mercadológico. “Há um funil no mercado de inovações, onde o número de projetos tende a diminuir. Muito mais projetos entram do que saem, mas isso faz parte. Quando um projeto entra, temos que determinar se a viabilidade dele é boa”, diz.

Para ele, existem algumas tendências que são seguidas pelos consumidores e que a cadeia produtiva deve ficar atenta. “Há a sensorialidade e prazer, que são os mercados mais exigentes, com produtos bastante refinados; a saudabilidade e bem-estar, que são quesitos que o consumidor hoje busca, principalmente o bem-estar animal; a conveniência e praticidade; a qualidade e confiabilidade, que vai desde a certificação, até o atendimento SAC das empresas; e a sustentabilidade e ética, priorizando que o nosso negócio deve ser sustentável, além de saber que estamos usando bem nossos recursos”, sustenta.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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