Mercado - 30.10.2017

Marketing setorial é usado para “vender” um Brasil avícola

No marketing internacional, entidades de classe têm usado a estratégia de “unificar” a produção ao invés de segmenta-la, como as empresas fazem no marketing interno de seus produtos

- Jonas Oliveira/ANPr

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Nem a empresa A, nem a B ou a C. As distinções nos sistemas de produção e oferta de produtos entre empresas e cooperativas avícolas do Brasil não faz diferença na hora de promover a carne brasileira no exterior. A ideia é passar a imagem real, de um país inteiro produtor de carne de frango de alta qualidade, independente do modelo de negócio. No marketing internacional, entidades de classe têm usado a estratégia de “unificar” a produção ao invés de segmenta-la, como as empresas fazem no marketing interno de seus produtos. É o chamado marketing setorial.

Para o vice-presidente e diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, o marketing externo tem papel fundamental na manutenção da liderança brasileira nos embarques de carne de frango no mundo. De acordo com ele, o marketing ajudou a carne alcançar a preferência do consumidor mundial por que é direcionado a um sistema como um todo, citando o selo Brazilian Chicken como exemplo. O conceito Brazilian Chicken promove e divulga ao mundo a alta qualidade da carne de frango brasileira, viabilizando a manutenção e ampliação de mercados já acessados, além de estimular a conquista de novos mercados. São beneficiadas diretamente 30 empresas exportadoras participantes do projeto. Há ainda o selo Brazilian Egg, divulgado paralelamente.

“Independente dos produtos de cada empresa, a imagem que o marketing passa lá fora é de que o Brasil tem coisa boa. Independente de empresa, as pessoas reconhecem o Brasil como uma marca boa, como um todo que faz bem feito”, situa a liderança. “Estamos promovendo essa imagem em diversas frentes, como nas redes sociais, em campanhas institucionais, em feiras, seminários e outros eventos fora do Brasil”, pontua.

“O marketing setorial está cada vez mais presente. Não adianta uma empresa sair lá fora e fazer isso ou aquilo. É preciso mostrar as qualidades e atributos da produção brasileira como um todo. As empresas têm diferenciais de produção e mix de produtos, mas apostamos em outras frentes, por exemplo, quando a gente fala em biosseguridade e qualidade. A tendência é que cada vez mais o marketing setorial se fortaleça. Isso porque as pessoas (consumidores) acreditam mais nos setores do que nas empresas. Esse tipo de estratégia, com envolvimento de instituições, como governo, Apex e ABPA, dá maior credibilidade, entende Santin.

Abalos

Com os recentes abalos na imagem por meio da operação Carne Fraca, comenta Santin, é preciso mostrar um país qualificado e não as qualidades individuais do sistema. “Todas as previsões de grandes organismos, como a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) indicam que o Brasil continuará sendo o maior exportador global de frango na próxima década. O marketing, nesse contexto, ajudou a chegarmos até aqui, ajudou a consolidar essa imagem de uma indústria forte, que produz com qualidade. Agora temos que atuar para recuperar uma imagem desgastada momentaneamente por conta da operação Carne Fraca. Mas temos muita qualidade e confiança. O mundo reconhece que o Brasil produz com garantia de segurança”, cita.

Só coisa boa

Para ele, é preciso focar no que o país tem de diferencial em relação a seus concorrentes. “Temos direcionado ações falando dos vários benefícios e diferenciais que a produção brasileira tem. Entre os vários pontos, nosso modelo de sistema de integração, socialmente justo, que ajuda na distribuição de riquezas, com rastreabilidade dos produtos, é um ponto importante”, comenta. O marketing também se aproveita da habilidade em produzir alimentos do brasileiro, comenta. “Temos um produtor treinado, pronto para fazer bem feito. Temos um povo vocacionado para produzir alimentos, e isso estamos promovendo no exterior”, cita.

Peculiaridades levadas em consideração pelo marketing promovido no exterior, especialmente pela ABPA e pela Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos), revela Santin, abordam o clima favorável de produção, as universidades e instituições de pesquisa que ajudam a desenvolver a avicultura e a abundância em matéria-prima e água, entre outros pontos: “Temos clima maravilhoso, ótimo para a produção de aves. Temos abundância de grãos, que nos dá competitividade e garantia de produção. Temos abundância de água - o Brasil tem a maior reserva de água potável do mundo -, e temos sanidade, que é decisiva e que outros países não têm. Essa conjuntura, de água, clima e insumos, é bem explorada”, avalia. “Além disso, há a questão ambiental. Comparada a outros países, nossa avicultura é uma das mais sustentáveis do mundo, o que nos dá mais competitividade ainda. Isso porque a gente agride pouco o meio ambiente e tem uma boa pegada de carbono”, aponta.

Saboroso

No fim das contas, o consumidor mundial acaba por preferir o frango brasileiro por diversos fatores, entende o vice-presidente da ABPA, mas dois deles são principais: qualidade e sabor. “Tudo isso que a gente tem e faz na indústria avícola brasileira se transforma em qualidade e sabor. Nosso produto é preferido pelos mercados porque tem qualidade e sabor, é gostoso mesmo. É diferenciado talvez pelos insumos que usamos, pelo clima ou a soma de vários fatores”, comenta.

Good News

Para atrair a tenção dos consumidores finais em diversos países, a ABPA traz a cada dois anos para o Brasil dezenas de jornalistas do exterior para que conheçam in locu a potencialidade da avicultura nacional e reportem em seus países o que encontraram por aqui (nada de visitas em granjas). O último encontro aconteceu durante o Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (Siavs), entre os dias 29 e 31 de agosto, em São Paulo, SP.

“Mais de 50 jornalistas do mundo inteiro vieram para o Brasil esse ano exatamente para conhecer o que fazemos de melhor. O projeto nasceu com Apex, com o objetivo de convidar jornalistas para conhecer o Brasil, ver e conversar com as pessoas envolvidas na produção de proteína, observar a pujança da nossa indústria e confirmar eles mesmos tudo aquilo que mostramos em artigos, revistas, jornais. É para que vejam que não estamos desenhando algo diferente da nossa realidade. Importante para que esse jornalista possa ter contato com o produtor, com as indústrias”, sintetiza.

O mundo se acostuma com a ideia

O Brasil é apontado como a cesta de alimentos do mundo, mas a imagem do agronegócio brasileiro não é unanimidade entre as nações. Há ainda muita gente que acredita em mitos e mentiras propagadas ao longo das últimas décadas, o que dificulta a expansão dos negócios rurais no exterior. De acordo com Santin, faz parte de um processo histórico “que se muda aos poucos”.

“O crescimento do Brasil como grande potência alimentar aconteceu nos últimos 30-40 anos. Antes disso o Brasil era importador de alimentos. De reprende, em pouco tempo, o mundo começa a ver o Brasil como grande produtor. Nesse tempo, nos tornamos o maior exportador de frango, para 160 países. Mesmo assim, é um processo histórico recente. Nem todos têm o conhecimento da excelente de produção e da indústria altamente tecnificada que temos. O Brasil não é melhor que ninguém, mas não tem ninguém melhor que o Brasil”, garante o líder associativista. “Estamos em um processo de consolidação do país na avicultura, embora em um momento muito ruim (crise econômica e política), mas o mundo sabe de nossa qualidade. Exportamos material genético para mais de 50 países”, exemplifica. “O mundo está começando a se acostumar com ideia de o Brasil ser exportador de proteína animal. É um processo que a gente está construindo aos poucos, consolidando a imagem”, acrescenta Ricardo Santin.

Mais informações você encontra na edição de Aves de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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