Avicultura - 02.08.2018

Mãos que resgatam: Da depressão à avicultora de sucesso

Dona Celsi Sandmann começou a frequentar grupos de mulheres cooperadas, fez cursos de empreendedorismo, recuperou a saúde, a autoestima e fez despertar uma avicultora de sucesso

- Giuliano De Luca/OP Rural

Era o início dos anos 2000. O mundo não havia acabado conforme as profecias anunciavam, mas dona Celsi Sandmann não estava bem. Depois de vender as vacas por problemas de saúde e ficar só com os suínos, ela se sentiu triste, deprimida. O marido, Günter, trabalhava de motorista carregando suínos enquanto ela cuidava da pequena propriedade rural, pertinho da cidade de Santa Helena, no Oeste do Paraná. As dificuldades do dia a dia inerentes do pequeno produtor colocavam ainda mais a saúde de dona Celsi em xeque. Na cooperativa, ela deu o pulo do gato. Começou a frequentar grupos de mulheres cooperadas, fez cursos de empreendedorismo, recuperou a saúde, a autoestima e fez despertar uma avicultora de sucesso. Hoje o casal tem 12 alqueires, cinco aviários, duas granjas de suínos, quatro caminhões, mas especialmente algo que não se produz nem se compra: esperança.

“Tivemos um problema de saúde e vendemos o plantel de vacas que a gente tinha. Investimos o dinheiro em caminhões para transporte de suínos. O Günter trabalhava com os caminhões e eu fiquei só com alguns suínos. Conforme fui recuperando minha saúde, me senti deprimida sem as minhas vaquinhas. Foi quando ouvi falar do trabalho com mulheres da cooperativa. Procurei a coordenadora do grupo, ela me mandou um convite e eu fui participar. Não só a participar, mas a conhecer o cooperativismo. Também me associei à Lar. Fiz cursos, inclusive o Empreendedor Rural, comecei a fazer parte do Comitê Central na Coordenação das Mães. Foi muito gratificante. Foi uma faculdade para mim”, lembra Celsi. “Hoje passa um filme na cabeça da gente”, alegra-se.

Com o gás renovado, a produtora decidiu apostar na avicultura. “Eu pensei, a avicultura deve ser uma atividade boa. Em um curso, fiz um projeto para avicultura em nossa propriedade. Conversei com pessoas que já estavam na atividade, fiz tudo detalhado, desde os custos com lenha, tudo para convencer o marido que a gente precisava investir”, comenta. O empenho deu certo. Em setembro de 2005, o casal alojou o primeiro lote de aves, do primeiro aviário. Era o reinício.

“Pra fazer o primeiro aviário foi mais difícil. A gente viu que um só não iria ser o suficiente. Então fizemos o segundo e o terceiro. Agora, fizemos mais dois, uma para nós e outro para a filha Luana, que já está se preparando para assumir a propriedade”, comenta. Os primeiros lotes desses dois novos aviários foram retirados no início de julho. Ao todo, hoje são cerca de 110 mil frangos sendo produzidos simultaneamente na propriedade. Tem ainda mil suínos em terminação e a construção de mais uma granja para outros 1,2 mil suínos.

Nova oportunidade

Na cooperativa, Celsi e o marido encontraram não só a mão amiga que a resgatou da depressão. Encontraram oportunidades. A história deles começa bem antes do sucesso na avicultura. Bem antes e bem diferente. “Saímos de Concórdia e viemos para cá em 1980. Tinha um alqueire de terra e nenhum palmo de esperança. A gente tinha dois filhos pequenos, 14 porcas e umas vacas. Eu cuidava o sítio, ia buscar pasto na beira do lago, levava filho junto com poucos dias de nascido. Enquanto isso, o Günter trabalhava de motorista para a cooperativa. Eram tempos bem difíceis, era sofrido. Na verdade, a gente tinha pouca esperança, não conseguia enxergar um futuro melhor”, recorda a produtora.

Não demorou muito e, em 1982, se tornaram associados da cooperativa Lar. Poucos anos depois, a empresa terceirizou os fretes. Quem era motorista como Günter teve a oportunidade de se manter. Assim, decidiram vender as vacas para investirem caminhões, que até hoje transportam suínos para a Lar.

Com a mudança de perfil da cooperativa, de agrícola para agroindustrial, as oportunidades começaram a ficar mais claras e o futuro se desenhava mais empolgante, avalia a cooperada. Para ela e para os filhos. “Eu participava do grupo de mães e sempre falava nos encontros que eu estimulava meus filhos a estudar para que eles não sofressem o que a gente sofreu. Para que eles tivessem oportunidades que a gente não teve na época”, conta.

Deu certo. Os três filhos formados estão bem estabelecidos no mercado de trabalho. Luana é a mais nova, engenheira agrônoma que vai assumir os negócios da família. “Hoje a cooperativa dá oportunidades para ficar na propriedade”. Se antes Celsi estimulava os filhos a procurar emprego na cidade, hoje não mais. “Inclusive eu e a Luana fizemos o curso de herdeiros do campo. Hoje ela tem oportunidades que a gente não teve. Por enquanto ela nos ajuda, mas já está se preparando para assumir a propriedade”, comenta. “Hoje pensamos em sucessão, mas antigamente a gente não via esperança pra eles”, menciona. “Se não fosse as oportunidades que a cooperativa dá, e lógico, com muito trabalho nosso, hoje a coisa seria bem diferente”, confidencia Celsi.

Ela gaúcha de Lajeado. Ele natural de Concórdia, SC. Se estabeleceram em Santa Helena, sob as mãos do cooperativismo, e construíram uma história que começou desesperançosa, mas hoje se mostra bela, otimista e feliz. “Tenho orgulho de ser associada de uma cooperativa, principalmente sendo a Lar. Ela me deu a oportunidade de aprendizado”, salienta dona Celsi.

Mais informações você encontra na edição de Aves de julho/agosto de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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