Manejo - 17.08.2017

Manejo em bandas é opção para suinocultor que busca por resultados e praticidade

Entre os pontos positivos em adotar o manejo em bandas estão a otimização da mão de obra, respeito ao vazio sanitário e menos incidência de doenças nos lotes

- Arquivo/OP Rural

Há um ano o suinocultor de Carambeí, PR, Eduardo Dykstra, adotou na propriedade uma forma diferente de manejo. Conhecido como “manejo em bandas”, a novidade chegou ao produtor a partir da Frísia Cooperativa Agroindustrial, da qual é cooperado. Analisando as vantagens do novo método, o produtor adequou sua propriedade e passou a realizar o novo tipo de manejo. Agora que conhece bem como funciona o modelo, o produtor não quer mais ouvir falar da forma antiga de manejo. “Se eu conhecesse antes, já teria adotado há muito tempo”, afirma.

A produção de suínos utilizando o manejo em bandas tem como objetivo trabalhar com grupos homogêneos de fêmeas (bandas) em intervalos regulares entre cada lote, permitindo a ocorrência de partos, desmames e coberturas em intervalos distintos. Os intervalos entre bandas podem ser a cada sete dias ou superior, sendo geralmente utilizados intervalos de 14, 21 ou 28 dias, denominados bandas quinzenais, trissemanais ou quadrissemanais, respectivamente. A definição do intervalo de bandas a ser trabalhado vai depender de alguns fatores pré-existentes na granja, conforme o número de fêmeas no plantel, disponibilidade de instalações/salas, mão de obra e desafios sanitários existentes no plantel, principalmente se a granja já estiver construída e em produção. Eduardo, que possui o ciclo completo na propriedade, com creche, maternidade e engorda, adotou o intervalo de 21 dias.

O suinocultor foi o primeiro da cooperativa a adotar o manejo em bandas. “No início fiquei com um pouco de receio, porque não conhecia como funcionava. Mas, como me explicaram e mostraram as vantagens de adotar este tipo de manejo, apostei na ideia”, lembra. E não é para menos, o manejo em bandas oferece diversas vantagens para o suinocultor que quer mais lucros e menos despesas na propriedade. Entre os pontos positivos em adotar o manejo em bandas estão otimização da mão de obra, respeito ao vazio sanitário e menos incidência de doenças nos lotes.

De acordo com o coordenador de Assistência Técnica da MSD Saúde Animal, Diogo Fontana, trabalhar com manejo em bandas na produção de suínos significa também ter grupos homogêneos de animais em cada lote, facilitando a entrada e saída de todos os suínos nas instalações, ocasionando um período de vazio sanitário e trazendo benefícios para a granja. Ele cita alguns dos benefícios desta forma de manejo. “Há o vazio sanitário e melhora do status sanitário da granja, organização das atividades, controle da reprodução e produção, e melhora de resultados técnicos e econômicos na propriedade”, informa.

Fontana explica que o manejo em bandas possibilita aplicar o manejo todos dentro todos fora (all in all out) nas instalações. “Esse manejo consiste na transferência ao mesmo tempo de todos os animais de uma instalação para outra. Dessa forma, a instalação que abrigava os animais ficará vazia e haverá tempo e condições suficientes para realizar a limpeza e a desinfecção de forma eficiente, quebrando o ciclo de transmissão de agentes e diminuindo a pressão de infecção das instalações”, conta. Ocorre ainda a concentração das principais atividades de manejo a cada intervalo determinado de tempo. Segundo Fontana, isso faz com que manejos que são realizados semanalmente, ou até mesmo diariamente, como partos, desmames, coberturas, lavagem e desinfecção das salas, passem a ser realizados em um intervalo determinado pelo período do manejo de lotes adotados.

O coordenador explica ainda que com o aumento do número de coberturas realizadas devido à concentração desse manejo, haverá concentração e foco da equipe na detecção de estro e inseminação artificial, e a adoção de novas tecnologias disponíveis para a reprodução na suinocultura podem ser facilitadas, como a inseminação artificial em tempo fixo e o uso da ultrassonografia para diagnóstico de prenhes. “Além disso a logística de entrega de sêmen e fêmeas para reposição podem ser otimizadas. Em granjas multiplicadoras de rebanho fechado a utilização desse manejo facilita a logística de recebimento de sêmen de alto valor genético, recebendo um volume maior com menor frequência de entrega, concentrando cobertura e partos de bisavós e avós”, esclarece. Fontana acrescenta que as atividades concentradas e otimização da mão-de-obra permitem a diminuição das atividades dos finais de semana, melhor programação de férias e folgas para os funcionários, e a existência de períodos regulares de trabalho com os animais permite a melhor manutenção e reparo das instalações proporcionando pelo aumento do tempo de vazio das instalações.

O profissional explica ainda que devido à concentração de todas as atividades em um espaço maior de tempo (semanas), é possível especializar a mão de obra e aumentar o número de funcionários para cada fase da produção. “Por exemplo, em semana de partos os funcionários ficarão concentrados e com foco na maternidade, e em semana de coberturas as atenções estarão voltadas para a gestação”, confirma. Fontana acrescenta que a concentração de partos possibilita também uma transferência de leitões entre as matrizes mais efetiva, além de benefícios na creche. “Com o desmame integral do lote, haverá um melhor aproveitamento nutricional na fase de creche, pois a ração é formulada para atender animais com a idade média de desmame da granja, mas se houver grande variabilidade de idade entre os leitões ao desmame, os leitões muito novos não terão um máximo aproveitamento nutricional e leitões mais velhos já deveriam estar se alimentando de uma ração com outra formulação”, acrescenta.

Outro ponto destacado foi que como a prática de mãe de leite não é permitida neste manejo, uma baia de maternidade poderá ser utilizada mais vezes por diferentes matrizes e leitões durante o ano, otimizando o uso dessa instalação. “Uma vez que a produção vai ser concentrada, outra possibilidade de redução de custo é com a otimização da logística da granja, mais suínos serão produzidos, o que vai facilitar e reduzir os custos com transportes”, diz Fontana.

Estes benefícios fizeram com que Eduardo acreditasse nesse formato de produção. “O manejo em bandas facilita muito a mão de obra, já que as atividades são concentradas. Em uma semana nós cuidamos somente dos partos, na outra, somente da cobertura. É uma forma de trabalhar que facilita a vida do produtor”, afirma. Para o suinocultor, esta forma de manejo permite que o produtor foque melhor em cada ciclo, permitindo que o trabalho realizado seja feito de maneira mais eficiente.

Para Adotar

A médica veterinária da Frísia, Kialane Pagno, acompanha os cooperados que adotaram o manejo em bandas, assim como Eduardo. De acordo com ela, há aproximadamente três anos o projeto vem sendo fomentado entre os suinocultores. “Atualmente nós temos três propriedades que aderiram ao manejo em bandas, e mais duas que estão em transição para adotar”, conta. Ela comenta que os produtores que pretendem seguir esta forma de manejo visitam a propriedade de Eduardo, para ver exatamente como a atividade funciona. “Vendo como funciona na propriedade de um produtor, os outros têm uma ideia melhor de como este tipo de manejo é feito”, diz.

Para Kialane, o que mais chama a atenção do suinocultor em adotar esta forma de manejo é a possibilidade do vazio sanitário. “Com o manejo em bandas o suinocultor consegue fazer da melhor forma o vazio sanitário entre os lotes, de uma forma ritmada, porque isso é algo que precisa ser respeitado”, argumenta. Além disso, respeitando o vazio sanitário, o produtor tem ainda menor incidência de doenças na propriedade, principalmente diarreia na maternidade, gerando também economia ao produtor, que não precisa gastar muito com medicamentos. “A sanidade na propriedade é maior”, afirma.

A médica veterinária diz ainda que todas as granjas que trabalham em sistema semanal podem transformar o sistema em banda de manejo em lotes e passar a trabalhar com intervalo entre lotes superiores a sete dias. “Nada impede que a granja que passa a usar o manejo bandas, possa voltar ao sistema semanal ou trocar o tipo de bandas”, conta. Porém, a definição pelo intervalo entre as bandas deve considerar a quantidade de instalações disponíveis e o plantel produtivo da granja. “A transformação de uma granja de fluxo semanal para manejo em bandas pode ser realizada de três maneiras distintas: natural, artificial e mista”, diz.

Na forma natural de sincronização das bandas, se utiliza de estratégias de prolongamento da fase de lactação de um lote – para isso há necessidade de sobra de instalações de maternidade - e desmame precoce de outro lote – necessidade de espaço na creche para alojamento de animais leves –, ou, dependendo do intervalo entre bandas escolhidos, o manejo de salta cio pode ser realizado aumento do número de dias não produtivos. Já para a transformação utilizando a forma artificial é necessário utilizar um hormônio à base de progesterona sintética que atua de forma a protelar a entrada em estro durante o fornecimento do produto. “A vantagem desta ferramenta é proporcionar a estruturação das bandas de fêmeas de forma planejada e organizada em granjas que não possuem instalações sobrando durante o período de transformação”, explica Kialane. No sistema misto é utilizada tanto a forma natural considerado o ciclo reprodutivo das fêmeas, quanto à forma artificial com o uso do hormônio.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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