Qualidade da Cama - 20.09.2018

Manejo da cama de frango mantém biossegurança e controle de patógenos

No manejo da cama do aviário é imprescindível o conhecimento das condições bromatológicas e microbiológicas para entender os desafios e averiguar como esta informação pode contribuir nas boas práticas de produção

- Arquivo/OP Rural

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Artigo escrito por Letícia Tonoli Braga, médica veterinária e gerente técnica comercial da Biomin

A biosseguridade consiste em um conjunto de procedimentos técnico-conceituais, operacionais e estruturais que visa prevenir ou controlar a contaminação dos rebanhos avícolas por agentes de doenças que possam ter impacto na produtividade destes rebanhos e na saúde dos consumidores. No manejo da cama do aviário, que contém fezes, urina, restos de ração, penas e outros materiais em pequena quantidade, é imprescindível o conhecimento das condições bromatológicas e microbiológicas desta cama. Desta forma é possível entender os desafios e averiguar como esta informação pode contribuir no programa de boas práticas de produção.

Dentre as bactérias presentes na cama, encontram-se em maiores quantidades as bactérias aeróbias e microaerófilas. Entre os gram-positivos e gram-negativos mais frequentes destacam-se Lactobacillus sp e Escherichia coli, respectivamente.

A grande diversidade de bactérias presentes na cama pode ser dividida em dois grupos: a. Bactérias que não representam risco direto à saúde animal, mas que influenciam as condições da cama, consistindo no grupo mais expressivo numericamente. b. Patógenos primários e secundários de aves ou os comensais para aves, porém potenciais patógenos para humanos.

Os organismos não patogênicos, do grupo um, participam de complexos processos de reciclagem dos nutrientes excretados pelas aves, tais como os que atuam na decomposição do ácido úrico resultando em amônia, e os proteolíticos que produzem enzimas (proteases) que decompõem proteínas da excreta.

O grupo dois, no entanto, é o grupo de interesse quando se considera riscos microbiológicos da reutilização de cama, sobretudo os agentes zoonóticos, devido as suas implicações em saúde pública. A Salmonella e Campylobacter, especialmente Campylobacater jejuni, figuram entre os agentes implicados em segurança alimentar mais relevantes. Bactérias como Escherichia coli e Staphylococcus aureus, Clostridium perfringens, entre outras, também podem estar presentes na cama e atuarem como patógenos oportunistas ou contaminantes de alimentos.

Tratamentos

O tratamento adequado das camas nos intervalos entre lotes é um processo fundamental para prevenir a disseminação das doenças. Há várias possibilidades de tratamentos da cama de frango conforme seu princípio: fermentativos, acidificantes, alcalinizantes e redutores de umidade. Geralmente o manejo preventivo de insetos e larvas é também integrado a esses procedimentos.

Recentemente pesquisadores Embrapa Aves e Suínos (SC) validaram uma técnica que previne a disseminação de doenças aviárias causadas por vírus na cama de frango. O procedimento, chamado de “fermentação plana”, mostrou-se eficiente na inativação de microrganismos. O processo, que consiste na umidificação do material e cobertura com lona impermeável para impedir a troca de gases com o ambiente, é um método de tratamento genuinamente nacional.

Foi comprovado o efeito da fermentação plana sobre o vírus da Doença de Gumboro (VDIB) na cama de aviário reutilizada. “Os experimentos demonstraram que o método é efetivo sobre o vírus da Doença de Gumboro, um modelo viral altamente resistente ao ambiente. A estratégia também pode ser recomendada para inativar vírus aviários residuais com características de resistência equivalentes”, destaca Clarissa Vaz, pequisadora da Embrapa. Estudos anteriores realizados pela pesquisadora Virgínia Santiago Silva, da Embrapa Suínos e Aves, em parceria com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), já haviam comprovado a eficiência do método no tratamento contra Salmonella Enteritidis e enterobactérias.

O estudo é usado como referência pelo serviço veterinário oficial e agroindústrias avícolas. Desta vez, a confirmação científica do efeito do procedimento sobre os vírus aviários é importante para auxiliar nas orientações aos produtores e na fiscalização pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Reutilização da cama

A grande vantagem da reutilização da cama entre lotes de frangos é a sustentabilidade da produção, tanto pelo aspecto econômico (custo de aquisição de cama aviária a cada novo lote), quanto ambiental (necessidade de áreas plantadas com eucalipto para abastecer a produção – no caso da cama de maravalha, e descarte da cama ao final do lote). Regiões com densa produção de frangos apresentam dificuldade em absorver esse resíduo da produção. A desvantagem é que se o manejo não for adequado, os frangos podem apresentar problemas sanitários e também fisiológicos, como calos de pé e de peito e lesões decorrentes de níveis excessivos de amônia.

Mais informações você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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