Nutrição - 31.08.2018

Intestino, o motor do desempenho em aves de corte

Especialista Michael Kogut, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), abordou novas perspectivas de saúde intestinal durante o SBSA, em Chapecó, SC

- Arquivo/OP Rural

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O especialista internacional Michael Kogut, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), palestrou, no dia 12 de abril, no Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA). Abordando o tema “Inter-relação de desempenho sanitário e fatores extrínsecos sobre a saúde intestinal”, Kogut apresentou um novo conceito de saúde intestinal. O SBSA foi realizado de 10 a 12 de abril, em Chapecó-SC, com a participação de mais de mil profissionais. A organização é do Nucleovet - Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas.

A percepção estabelecida de que a sanidade e o estado nutricional do animal impactam um ao outro agora é expandida para incluir um terceiro componente: a microbiota intestinal. “Temos evidências sólidas de que o microbioma engloba a imunidade, os micronutrientes e o balanço energético”, afirma. Ele complementa que, por sua vez, a imunidade animal determina o estado nutricional e influencia os elementos de defesa e a composição da comunidade microbiana.

A microbiota intestinal endógena, esclareceu Kogut, formada por milhares de microrganismos, integra múltiplos processos fisiológicos nas aves. “A microflora intestinal, juntamente com outros fatores ambientais, como dieta e o estresse, podem desempenhar um papel central no equilíbrio fisiológico, imunológico e nutricional”, afirma. Assim, a resposta imune e a metabolização dos nutrientes compõem sistemas biológicos indispensáveis ​​para a manutenção da vida”. Ainda conforme o especialista, cada um desses sistemas é capaz de modular a atividade do outro, garantindo a capacidade do organismo de enviar respostas apropriadas sob quaisquer condições.

Kogut destaca ainda que os sistemas metabólicos são integrados com respostas imunológicas e sensoriais de patógenos, evolutivamente conservadas. “Diversas vias importantes percebem e gerenciam nutrientes e integram-se com vias imunes e inflamatórias para gerenciar os estados metabólicos, fisiológicos e patológicos”.

Ele exemplifica citando os Toll Likes, família de receptores do sistema imune inato, que reconhecem componentes microbianos específicos como, por exemplo, lipopolissacarídeos, lipoproteínas, ácidos nucléicos, entre outros, além da sensibilidade a sinais nutricionais, tais como níveis elevados de glicose e ácidos graxos saturados. Da mesma forma, vias metabólicas, como a leptina e outros hormônios, também podem regular as funções. “Qualquer alteração imune, especificamente uma inflamação, pode causar distúrbios no metabolismo animal”, explica.

A composição genética animal e o padrão nutricional influenciam o microbioma intestinal. “Essa interação dinâmica e complexa dentro do triângulo dieta-animal-microbiota pode ser abalada por mudanças em qualquer um desses fatores”, orienta. O complexo microbioma intestinal não é um órgão silencioso ou uma simples coleção de microrganismos; em vez disso, as comunidades microbianas intestinais participam ativamente na imunidade e fisiologia dos vertebrados.

Em condições normais, a microbiota intestinal não é patogênica, mas confere benefícios à saúde animal. “A microbiota auxilia na digestão e absorção de nutrientes e estimula o armazenamento de gordura”, enumera. Além disso, a microbiota contribui para a construção da barreira epitelial intestinal e também compete com micróbios patogênicos para prevenir sua propagação prejudicial.

Microbiota regula respostas fisiológicas

O microbioma intestinal é facilmente alterável pela dieta, ingestão de antibióticos, infecção por patógenos e outros eventos. “A plasticidade do microbioma pode implicar em numerosas condições de doença”. Desta forma, uma alteração desfavorável na estrutura da microbiota intestinal acarreta uma "disbiose", ou desequilíbrio da flora intestinal bacteriana.

A manipulação da flora para melhorar os componentes benéficos representa uma estratégia terapêutica promissora para o futuro, segundo Kogut. “A flora tem uma atividade metabólica coletiva igual a um órgão virtual dentro de outro órgão, e os mecanismos subjacentes à influência condicionadora da bactéria na homeostase da mucosa e respostas imunes estão apenas começando a ser investigados em aves de corte”. Uma melhor compreensão desse órgão oculto revelará segredos relevantes para a saúde humana e para vários processos de doenças infecciosas, inflamatórias e neoplásicas, acredita Kogut.

Mais informações você encontra na edição de Aves de julho/agosto de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

FACTA Dez 2018

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