ILPF - 02.08.2018

Integração lavoura-pecuária-floresta ainda gera dúvidas a produtores

Mesmo já ouvindo falara sobre a ILPF, muito pecuarista e agricultor ainda não conhece os benefícios que a integração pode trazer para ambas as atividades

- Giuliano De Luca/OP Rural

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Produzir mais é o objetivo do pecuarista. A utilização de diferentes ferramentas, estratégias e tecnologias para alcançar este propósito não faltam. Porém, a dificuldade pode ser em escolher qual o melhor caminho seguir. Uma inovação que o pecuarista está ouvindo muito nos últimos tempos é a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Mas adequar este propósito à própria realidade pode ser um desafio. Para esclarecer algumas dúvidas sobre isso, o engenheiro agrônomo Elder Bruno falou sobre “A ILPF como aliada na inovação de produção e rentabilidade da pecuária” durante o InterCorte, que aconteceu em abril, em Cuiabá, MT.

Para o especialista, a ILPF não é moda, mas sim uma realidade e inovação que vem sendo utilizada em diversas regiões do país com sucesso. “Todas as tecnologias têm desafios e paradigmas para quebrar. Esta veio para ficar e está se consolidando como uma estratégia importante”, afirma. De acordo com ele, a grande pergunta é por que integrar? “Antes de começar a olhar a integração, é preciso entender porque eu deveria sair do momento que eu estou para poder dar mais um passo para dentro desse negócio”, comenta.

Bruno afirma que existem oportunidades nos sistemas de monocultura, como a soja e o milho. “O avanço da agricultura em regiões e áreas que eram da pecuária começou a dar uma travada. Um grande exemplo disso são as áreas de textura mais arenosa”, conta. De acordo com ele, os agricultores começaram a ver que não é somente a grande escala que traz resultados para a agricultura. O especialista afirma que o grande objetivo, tanto da pecuária quanto da agricultura, é ter mais produção. “É como ter uma cartucheira de vários canos. Você tem a oportunidade de dar vários tiros e conseguir manter a rentabilidade no seu negócio”, diz.

Um desafio enfrentado pela intensificação na pecuária, segundo Bruno, é sobre manter a rentabilidade comparada. “Sempre ouvimos que a pecuária não dá dinheiro igual a agricultura ou empreendimentos florestais. Porém, todos enfrentam problemas. Existem pessoas em várias áreas que não conseguem rentabilizar o eucalipto e vender. Todas as áreas enfrentam uma diversificação de preços”, comenta.

Segundo Bruno, existe uma disponibilidade de área muito grande no Brasil para a integração. “São 29 milhões de hectares disponíveis somente para a segunda safra. Isso mostra a nossa aptidão em utilizar áreas de segunda safra, que geralmente não se faz nada, no momento em que a pecuária mais precisa de pasto”, comenta. Ele acrescenta que é como se o pecuarista olhasse para a demanda de pasto que tem na segunda safra e a disponibilidade que ele terá com o sistema de integração para fornecer pasto.

Ele explica que a pecuária dentro do cenário agrícola tem uma grande dificuldade em permanecer, principalmente sob a ótica da justificativa e contabilização do processo. “Quando vem esse conceito da ILPF, às vezes você pode ter algumas dificuldades, mas é preciso ter uma visão empreendedora do negócio. É produzir mais e melhor em termos de sustentabilidade. Além do mais, pensar na solução de problemas quando queremos produzir mais em menos área, precisamos fazer a utilização máxima dos recursos”, afirma. De acordo com Bruno, o sistema de integração não é algo novo, mas é preciso que os envolvidos comecem a pensar onde o ciclo da integração se encaixa no ciclo da produção.

Benefícios

Um dos benefícios em fazer a integração lavoura-pecuária-floresta citado por Bruno é o melhoramento do solo, beneficiando tanto a pecuária quanto a agricultura. “Existem áreas que são todas verdes, mas nem aquilo que é verde necessariamente é pasto. Isso é um sintoma de degradação. O que geralmente acontece então é que o produtor entra com altas doses de calcário no processo. Isso é uma coisa que a agricultura consegue fazer pela pecuária, porque é raro um pecuarista que olha para a pecuária dele com demanda de gesso ou calcário, por exemplo”, comenta.

Segundo o profissional, é muito raro em uma fazenda de pecuária ter aplicação de gesso. “E isso é algo que traz benefício para a agricultura e também vai trazer para a pecuária. Esse é um momento importante que em pouco tempo aumentamos o teor orgânico dessa área”, diz.

Para ter mais sustentabilidade e rentabilidade no negócio, Bruno conta que existem três cenários. O primeiro é aquele que o produtor já estava normalmente fazendo. O segundo é o arrendamento de um pedaço da fazendo para o eucalipto, que é o tradicional. “E por que arrendar? Por que não é a aptidão desse produtor. Não necessariamente você pode fazer sozinho quando quer entrar em um cenário integrado, o produtor pode buscar ajuda”, explica. E o terceiro, que foi o melhor visto, de acordo com o profissional, é a utilização da soja. “Você entra com a soja em metade da área para empatar, somente para poder usar o benefício da reforma. Assim consigo aumentar a rentabilidade do processo. Fica menos oscilante em termos de sensibilidade de preço”, conta.

Bruno comenta ainda que a integração é um processo altamente sustentável. “É um sistema sustentável, integrado e com ele podemos buscar novos mercado e conseguir entrar com uma carne de melhor qualidade. Mas agora temos que mostrar isso para o nosso consumidor. Ele tem que olhar para a carne que estamos vendendo e perceber que está comprando de um sistema diferenciado. Se ele não tiver esse sentimento, ele vai continuar comprando carne por carne no mercado”, menciona.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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