Pecuária - 09.07.2018

Inovar requer estratégia e perseverança, sugere pecuarista

Pecuarista diz que é importante que outros produtores não confundam inovação com utilização de tecnologia; além do mais, seguir todos os caminhos planejados é mais seguro para sucesso da atividade

- Giuliano De Luca/OP Rural

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Nos dias de hoje é muito difícil o pecuarista não escutar que há a necessidade de investir em novidades na fazenda para alcançar melhores resultados. Porém, quais as melhores escolhas fazer para obter estas respostas é um desafio. O engenheiro agrônomo e pecuarista Gustavo Martini falou sobre a diferença em inovação e tecnologia e como o produtor pode fazer para alcançar bons resultados na propriedade com estas ferramentas durante a InterCorte, que aconteceu em abril, em Cuiabá, MT.

Para Martini, uma dúvida que rodeia todo pecuarista é: “eu preciso inovar”? De acordo com ele, mais importante que isso, é se perguntar quais são os reais problemas na propriedade que estão tirando o sono do pecuarista. “Nós falamos tanto de inovação, que, às vezes, o termo fica fugaz. Por isso, é importante entendermos o que é inovação”, afirma. Segundo ele, muitas vezes existe a confusão entre invenção e inovação. “Basicamente, a diferença entre os dois é que com uma estamos focados em resolver o problema, já a outra não”, informa. Ele explica que a invenção não necessariamente está ligada à resolução de problemas, diferente da inovação, onde o foco é justamente isso. “A gente precisa trazer o conceito de algo que pensamos ser difícil e viabilizar no nosso dia a dia, mas de forma simples. Como eu consigo resolver um problema com uma solução criativa”, comenta.

Segundo o profissional, existem algumas barreiras que impendem o pecuarista de avançar. Entre elas, estão a barreira de processo, que é quando o produtor não testa determinadas ferramentas por acreditar que vai atrapalhar o serviço que é desenvolvido na propriedade. A barreira de orçamento, quando o produtor acredita que não tem o dinheiro necessário para testar a novidade. E a barreira de valores fortificados, quando afirmam que a pecuária é tradicional, que o pecuarista não busca informação para se atualizar e inovar. “São algumas barreiras que nós temos que olhar no nosso dia a dia e que podemos estar dificultando a trazer inovação dentro da atividade”, diz.

Martini afirma que para resolver os problemas na fazenda é preciso que o pecuarista faça isso de forma estruturada. “É aquela ideia que temos de que se vamos testar algo na propriedade, temos que transformar isso de uma forma que realmente traga o resultado que eu espero”, comenta. Mas, ainda assim, para ele, o principal elemento da inovação é o questionamento: “como faço melhor, mais fácil e rápido? São estas as perguntas que movem a inovação e resolvem os nossos problemas diários”, garante.

O pecuarista alerta ainda que o que acontece nas fazendas é que o produtor tem muitas iniciativas, mas poucas acabativas. “A gente começa muita coisa e vamos até a metade, pelo simples fato de não medir ou não ter um acompanhamento. Precisamos ser mais efetivos. Que façamos menos, mas de forma mais efetiva o que nos propusemos a fazer”, reforça.

Mas o que realmente é inovação?

“Muitas vezes nós confundimos muita coisa, principalmente o conceito de inovação. Se eu fizer apontamentos em uma ficha ou no celular, o que será inovação? Os dois, porque se eu tenho uma propriedade em que não faço nenhum apontamento e começo com uma ficha, já estou resolvendo o problema de que não tinha anotações”, explica Martini. O pecuarista reitera que não se pode confundir tecnologia com informação. “As tecnologias são ferramentas que vão proporcionar uma maior agilidade. Mas, dentro de uma propriedade em que eu não faço apontamentos, uma ficha já é uma inovação. Quando inserir o celular, é um passo a mais”, explica.

Outro ponto importante destacado por Martini é sobre a importância de o pecuarista começar as coisas pelo começo. “Pode parecer óbvio, mas é o que precisamos fazer. Começamos com as anotações nas fichas, depois passo a usar o computador e faço o lançamento de dados. Com isso, estou fazendo inovação. Com certeza estamos tendo uma agilidade maior. Mas isso é uma parte, nós temos que continuar o desenvolvimento”, comenta.

Para o profissional é preciso que o pecuarista entenda qual é o problema raiz que ele tem na fazenda. “Nós temos que gerar informação e resolver o nosso problema raiz. Temos que estar muito atentos em entender qual o nosso problema e ir em busca dele”, diz. De acordo com o palestrante, para entender e buscar isso é preciso que o produtor dê um passo de cada vez. “Tudo tem uma etapa e um caminho, para as coisas darem certo é um passo depois do outro. Se dermos um passo além daquilo que conseguimos, cortamos uma etapa e as coisas podem não sair como planejamos”, menciona.

Martini afirma ser importante que o pecuarista busque novidades e informações, mas que faça do início ao fim aquilo que se propõe a fazer. “Tem uma frase que eu gosto muito que diz: ‘O único homem que não comete erros é aquele que não faz nada’. Porque quando nos propomos a fazer algo, com certeza haverá coisas que não vamos prever, porque estamos nos lançando em um caminho novo. Toda novidade tem imprevisibilidades. Por isso é importante que nos permitamos errar, mas de maneira honesta e controlada, sem nos sabotar”, aconselha.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

FACTA Dez 2018

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