Antibiotic Free - 22.10.2018

Indústria ainda busca substituto ideal para antibióticos

Consultor do jornal O Presente Rural avalia cenário de mudanças, mas destaca que alternativas aos antibióticos ainda precisam melhorar

- Divulgação/Agroceres

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Produzir com o mínimo ou sem nenhum uso de antibiótico é uma tendência para a avicultura brasileira. Apesar de ainda liberados, algumas indústrias estão preferindo trocar as moléculas medicamentosas por produtos naturais, por exemplo, como óleos essenciais. Antibiótico só se for curativo. No entanto, essas tecnologias são mais caras e ainda não alcançaram o desempenho zootécnico proporcionado pelos antibióticos.

É o que sustenta o médico veterinário e consultor do jornal O Presente Rural, Pedro Tomasi. Para ele, as pesquisas ainda precisam avançar para que essas alternativas que o mercado está propondo como substitutos aos antimicrobianos promotores de crescimento alcancem o desempenho antes observado. “O setor avícola, e de produção animal como um todo, sabe que reduzir o uso de drogas na produção é um caminho sem volta. Vamos usar cada vez menos drogas. Para isso, existe uma série de produtos que têm objetivo de promover o desempenho das aves, mas nenhum deles tem a mesma ação. Ácidos orgânicos, óleos, entre outras, mas nenhuma é tão eficiente como o antibiótico. Se achar algo bom como antibiótico, vai ser outro antibiótico”, aponta Tomasi.

Além disso, orienta, o custo de produção aumenta, o que também torna a avicultura menos competitiva. “Essas tecnologias podem encarecer o processo de produção. Ou seja: não têm o mesmo resultado zootécnico e a tecnologia é mais cara”, comenta. “Na minha opinião, se você tem grupo seguro, não tem o porquê não usar. Não tem motivo para encarecer o custo de produção em razão de apelo comercial”, opina o profissional.

No Brasil é permitido legalmente o uso de antibióticos, com algumas restrições, ressalta o especialista. “Algumas moléculas são proibidas. A Vancomicina foi a primeira droga proibida que tenha impacto importante na produção de aves, há cerca de 15 anos. A última foi a Colistina, que é um é antibiótico não absorvido pela ave e mata a bactéria Gram negativa, para controle de E. coli. A mais famosa é a Avoparcina, que era muito bom como promotor e controlava Gram positivas, que é o principal problema da avicultura”, enumera o profissional. “O objetivo do promotor de crescimento é fazer controle de bactérias não desejáveis. A principal é Clostridium. O promotor de crescimento, em seu conceito clássico, não pode ser absorvido pela ave. Ou seja: deve funcionar na luz do intestino, fazendo o controle da microbiota”, aponta. Com a proibição do uso como AGP, a indústria precisou recorrer a outros estimuladores.

Quem paga por isso?

Pedro Tomasi tem preocupação com o mercado brasileiro, que, em sua visão, ainda não está pronto para pagar a mais pelo fato de o produto ter origem sem AGP. Ao contrário da Europa, cita, no Brasil uma ampla parcela de consumidores leva em conta o preço na hora de escolher sua proteína. “Na Europa os promotores estão banidos desde 2006. Na Europa e Estados Unidos existem dois tipos de frango bastante comuns. Aliás, existe mais na Europa, nos Estados Unidos esse mercado está se abrindo. É o frango “no antobiotic ever”, ou sem antibiótico. Ele nunca recebe antibiótico. Se um lote precisa ser medicado, tem que ser comercializado sem esse apelo”, aponta.

“Mas há um preço maior na carne. Na Europa, são ricos. Nós não podemos”, emenda o consultor. Ele cita que além de uma renda inferior, “é difícil mudar uma cultura. O mercado demanda, o preço vai ficar mais caro, o consumidor vai querer pagar?”, sugestiona.

Mais informações você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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