Sanidade - 10.08.2017

Importância da vacina viva para o controle das salmoneloses em aves comerciais

O controle das salmoneloses não é tarefa fácil e depende de uma série de ações dentro da cadeia agroindustrial

- Arquivo/OP Rural

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Artigo escrito por Eduardo C. Muniz, gerente de Serviços Técnicos Aves Brasil da Zoetis

O filósofo grego Hipócrates é considerado o “pai da medicina”, pois dedicou grande parte do seu tempo para o diagnóstico e tratamento das doenças da época. Para o estudioso grego, muitas doenças tinham relação com a alimentação, com o clima e mesmo com o meio ambiente. Muitas das ideias defendidas por Hipócrates naquela época ainda são consideradas aplicáveis aos dias de hoje. Quando Hipócrates disse: "Faça do alimento sua Medicina, e da Medicina seu alimento", provavelmente já tinha consciência de que boa parte dos problemas de saúde do ser humano é decorrente do consumo de alimentos e água de má qualidade, assim como um bom estado de saúde e equilíbrio depende de alimentos e água saudáveis.

Atualmente, a cadeia agroindustrial encontra-se à frente deste desafio: produzir alimentos em quantidade suficiente para alimentar uma população crescente a preços competitivos de modo a garantir um produto sem risco à saúde do consumidor. Dentro deste contexto, a agroindústria cada vez mais implanta e consolida procedimentos que estejam alinhados com o “Food Safety”, onde estão presentes tecnologias adequadas à produção evitando a contaminação do alimento.  Aliado a isso, os padrões de qualidade do alimento produzido são estabelecidos por legislações que baseiam as ações de fiscalização por parte dos órgãos governamentais e são reflexo de um maior esclarecimento por parte da população. Isso estimula o desenvolvimento de “tecnologias limpas” que têm permitido significativa redução destes perigos a saúde do consumidor.

Uma das tendências mais importantes no processo de segurança alimentar, dentro da indústria avícola, é o controle das salmoneloses. Isso está dentro das maiores prioridades das empresas, pois a ocorrência de problemas pode por em risco a credibilidade das mesmas e pode causar grandes prejuízos financeiros em casos de contaminação, uma vez que as salmonelas são potenciais causadoras de toxinfecções alimentares aos humanos.

No entanto, o controle das salmoneloses não é tarefa fácil e depende de uma série de ações dentro da cadeia agroindustrial. A Salmonella está ligada às aves desde o início da história da produção avícola e sua epidemiologia e controle são extremamente complexos, dependendo de inúmeras variáveis, como o sorovar envolvido, hospedeiro, o ambiente e também características geográficas. A enorme diversidade de sorovares de Salmonella e seus diferentes mecanismos de sobrevivência também são considerados pontos de dificuldade no combate a este gênero de microrganismo. Além disso, este agente demonstra grande resistência no meio, com larga distribuição no ecossistema, bem como grande capacidade de adaptação no ambiente de produção. A Salmonella já foi encontrada em pimenta do reino, chocolate e, acredite, em folhas de diversas hortaliças e frutas, causando intoxicação alimentar. Portanto, o controle depende de ação ampla.

No primeiro semestre de 2017 houve um aumento significativo das notificações do sistema alerta rápido europeu (RASFF) ao produto avícola de origem brasileira. O sorovar mais prevalente identificado na carne de frango brasileira foi a Salmonella Heidelberg. O continente europeu lidera a lista de compradores mais exigentes com relação ao controle dos parâmetros microbiológicos na carne de frango importada, sendo que os resultados da monitoria para Salmonella são publicados pela Autoridade Europeia em Segurança Alimentar (EFSA) por meio do sistema de alerta rápido em alimento (RASFF). Todo o controle e monitoramento estão baseados em legislações específicas que determinam medidas de proteção contra zoonoses em produtos de origem animal de modo a prevenir toxinfecções alimentares transmitidas pelos alimentos.

Várias são as ferramentas utilizadas para controlar as salmoneloses em aves, mas em especial nos últimos anos, tem se destacado a busca de um amplo e eficiente programa de vacinação desde as reprodutoras até as aves comerciais de modo a evitar que este microrganismo se mantenha nos planteis. A diversidade dos sorovares de Salmonella encontrados na natureza é considerado fator crítico na dificuldade do controle desta doença. Dessa forma, a composição inteligente entre vacinas vivas (replicantes) e mortas (não-replicantes) buscando a maior abrangência possível em relação aos principais sorovares presentes no ambiente é o caminho certo para a defesa das aves de produção comercial de corte ou de postura. Trabalhos científicos têm demonstrado que tanto o uso das vacinas vivas, através de forte indução de proteção local com estímulo à imunidade de mucosa e maior amplitude de proteção cruzada, quanto o uso de vacinas mortas, por meio do intenso estímulo à formação de anticorpos podendo reduzir a transmissão vertical, participam de maneira decisiva no controle das salmoneloses.

Altos níveis de IgA secretória no lúmen intestinal associado ao alto influxo de linfócitos citotóxicos no parênquima dos órgãos são uma combinação perfeita para proteção das salmonelas paratifoides, que têm seu sítio principal o intestino das aves. Dessa forma, o uso da vacina viva (replicante) logo no início da vida das aves tem sido um grande reforço no moderno programa de vacinação contra as salmonelas. Isso permite que a ave monte uma resposta imune precoce antes de ocorrer a exposição ao agente do ambiente. Além disso, em aves de vida longa, a vacina viva terá efeito como primer para as vacinas mortas e terá atuação parcial em outros sorovares por proteção cruzada. Contudo, a escolha do produto para compor o programa de vacinação dependerá da correta análise do desafio local e principalmente de requisitos básicos em relação a um adequado programa de vacinação contra as salmoneloses.

O controle das salmoneloses continuará sendo um desafio para os profissionais que trabalham na avicultura, principalmente em função da crescente exigência do mercado por um alimento seguro. Além disso, a complexa epidemiologia da Salmonella nos obriga a pensar nesta doença de forma ampla onde o agente etiológico, o hospedeiro e o ambiente estão em contínua interação. Certamente o programa de vacinação correto e adequadamente desenhado é um dos pontos críticos para a busca do controle da Salmonella dentro de um programa integrado que busque a produção de animais saudáveis, com ganho no desempenho e levando a oferta de produtos de origem animal com maior segurança ao consumidor final.

Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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