Suinocultura - 23.10.2017

Impacto do estresse térmico na produção de suínos

Os suínos são animais homeotérmicos, pois mantêm sua temperatura interna constante e trocam calor com o ambiente

- Divulgação/Tectron

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Artigo escrito por Ketlen Cilmara Federizzi, médica meterinária e mestre em Ciência Animal e assistente técnica Comercial de Suínos da Tectron

Na suinocultura, além dos padrões da genética, nutrição, sanidade e de manejo hoje estabelecidos, uma atenção especial deve ser dada em relação à ambiência e ao bem-estar dos suínos dentro do plantel. Sabe-se que fatores climáticos como temperatura, umidade do ar, radiação solar, ventilação, entre outros, podem influenciar diretamente o sistema. Por ser um país tropical, o ambiente térmico brasileiro é determinante sobre o sistema produtivo e, muitas vezes, constitui-se no responsável pelo desenvolvimento dos animais abaixo do esperado.

Os suínos são animais homeotérmicos, pois mantêm sua temperatura interna constante e trocam calor com o ambiente. Entretanto, este processo só se mostra eficiente quando a temperatura ambiente está dentro dos limites da termoneutralidade. Esta é representada por uma faixa de temperatura em que os processos termorregulatórios são mínimos, com utilização total de energia líquida para deposição de tecidos. Quando submetidos a um estresse térmico, os suínos tendem a perder a eficiência de utilização da energia disponível à medida que acionam mecanismos de termorregulação para redução do impacto do ambiente quente sobre seu organismo. Para fêmea lactante a zona de conforto térmico corresponde entre 16°C e 22°C e para suínos em crescimento de 16°C a 24°C.

As respostas às condições ambientais podem depender do peso do animal, pois este é altamente correlacionado à porcentagem de gordura corporal e, consequentemente, à taxa de perda de calor para o ambiente. Sendo assim, os suínos pesados são mais sensíveis ao estresse por calor.

O suíno não conta com a sudorese como mecanismo de proteção às altas temperaturas utilizando-se, exclusivamente, da ofegação e de mudanças comportamentais. Além disso, o elevado metabolismo do suíno associado a altas temperaturas dificulta a dissipação do calor. Em temperaturas elevadas, os suínos utilizam mecanismos compensatórios, alterando as exigências nutricionais, o que afeta os resultados zootécnicos.

Alguns estudos submetem animais a ambientes de conforto e estresse térmico, calculando a diminuição de consumo de ração e de ganho de peso, e aumento de conversão alimentar sob efeito do estresse térmico.

Defesas

A redução no consumo de alimento observada em suínos submetidos a temperaturas ambientais elevadas, provavelmente, seja um mecanismo de defesa do organismo para redução da produção de calor resultante dos processos digestivos e metabólicos. Tem-se constatado que as altas temperaturas são associadas à redução do desempenho devido à diminuição do consumo de alimento e ao custo energético associado à dissipação do calor. Os suínos que apresentam elevadas taxas de deposição de proteína corporal são os mais prejudicados pelas altas temperaturas ambientais, ou seja, quanto maior potencial de desempenho, mais sensíveis são os animais às oscilações térmicas do ambiente.

A ocorrência de estresse térmico durante a lactação pode afetar negativamente a ingestão de alimento. Esse fato pode levar a mobilização de gordura corporal, aumentando a perda de peso, reduzindo a produção de leite, aumentando a taxa respiratória, a temperatura retal e comprometendo o desenvolvimento da leitegada. A redução no consumo de ração pelas matrizes em lactação é da ordem de 0,1 kg/dia para cada grau Célsius de acréscimo da temperatura ambiente em relação à zona de conforto térmico.

Em ambiente de conforto térmico, o consumo alimentar voluntário pode ser influenciado por fatores relacionados à matriz (estado corporal ao parto, tamanho da leitegada, ordem de parição e genótipo) relacionados ao meio ambiente (qualidade do ar, manejo, dias de lactação e incidência de doenças) e dietéticos (digestibilidade, densidade energética, balanço de proteína e/ou aminoácidos, consumo de água e frequência alimentar) que, de maneira interativa, determinam a quantidade de alimento consumido no período.

Em fêmeas suínas modernas, as necessidades de nutrientes para a máxima produção de leite raramente são atendidas pela ingestão voluntária de ração, mesmo em condições de conforto térmico. O déficit nutricional pode ser parcialmente compensado pela mobilização de reservas corporais. Sob estresse de calor, a redução no consumo médio diário, aumenta a intensidade da depleção de tecido corporal da matriz.

As alterações comportamentais das fêmeas suínas lactantes, em ambiente de calor, podem ser observadas pela menor frequência e maior intervalo das amamentações diárias, o que reflete na produção de leite.

A orientação é de utilização de termômetros para conhecer as oscilações de temperatura interna das instalações, manejar corretamente as cortinas para manter a temperatura próximo da zona de conforto, evitando as oscilações térmicas acentuadas e permitindo boa ventilação. Para galpões climatizados cuidados especiais devem ser tomados na execução do projeto, e no manejo adequado dos equipamentos. Além dos cuidados relativos à ambiência, adequações nutricionais, principalmente relacionadas à concentração de energia (suplementação de concentrados com alta energia líquida) e aminoácidos podem ser feitas. Atualmente ferramentas tecnológicas, como óleos essenciais e os manipuladores do bem-estar orgânico já estão disponíveis e, podem ser adicionados às rações de suínos submetidos ao estresse, seja ele de qualquer ordem ou origem.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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