Suinocultura - 11.06.2018

Idade ao desmame pode aumentar com restrição aos antibióticos

“Há uma perspectiva de que esse período possa ser aumentado na medida em que se abre a discussão sobre produzir suínos sem antimicrobianos promotores de crescimento”, sustenta o médico veterinário Jamil Faccin

- Arquivo/OP Rural

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Um dos fatores que mais influencia na produtividade e resultados finais é a idade do leitão ao desmame. O desempenho do animal durante toda a vida vai ser consequência do correto manejo neste período. Para explicar um pouco mais sobre o assunto, o médico veterinário Jamil Faccin falou sobre “Idade do leitão ao desmame e seu desempenho subsequente: onde está o ponto de corte?” durante o Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que aconteceu de 22 a 24 de maio, em Porto Alegre, RS. Faccin sustenta que idade ao desmame de suínos pode aumentar com restrição aos antibióticos: “Há uma perspectiva de que esse período possa ser aumentado na medida em que se abre a discussão sobre produzir suínos sem antimicrobianos promotores de crescimento”.

O tema vem sendo estudado pelo profissional há tempos, que tem este assunto como projeto de pesquisa no doutorado. A tese faz parte de uma inovadora linha de pesquisa na fase de creche, desenvolvida em parceria entre a Master Agroindustrial, Agroceres PIC e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O médico veterinário conta que o ponto da idade do desmame está diretamente relacionado ao desempenho do animal. “Estes dois fatores, idade e peso, estão intimamente relacionados. Através disso, granjas que praticam um desmame mais tardio, entre 26 a 28 dias, desmamam um leitão mais pesado e, consequentemente, um animal com melhor desempenho zootécnico”, diz. Faccin afirma que se acredita que um leitão com maior maturidade fisiológica, comportamental e imunitária consegue enfrentar melhor os desafios pós-desmame e, através disso, reduzir as taxas de mortalidade e refugagem e o número de dias necessários para atingir o peso de abate.

Apesar desta idade ser importante, não se tem um período consagrado ou ideal, confidencia Faccin. “O motivo é que o que determina qual idade se atinge maiores margens varia de empresa para empresa. O custo de produção, a logística e, principalmente, os indicadores zootécnicos – como genética, manejo, estrutura, nutrição e sanidade – são determinantes para encontrar a mais vantajosa idade ao desmame”, informa.

O médico veterinário destaca que é sabido que em situações de perdas acima do ideal em fases de creche e terminação, o aumento da idade do desmame pode gerar um maior impacto no desempenho e retorno financeiro do que quando comparadas com situações de excelência no status sanitário do rebanho. “É importante ressaltar que, hoje, uma idade menor que 21 dias é financeiramente pior para o sistema de produção como um todo”, diz.

Muito cedo ou muito tarde

Faccin destaca que fazer o desmame muito tarde ou muito cedo acarreta também em prejuízos para a propriedade e para o animal. “Pode-se dizer que em um cenário brasileiro, com vazio sanitário curto e todas as rações de creche contendo antimicrobianos, a faixa ideal é dentro de 21 a 28 dias. Obviamente que dentro de uma perspectiva produtiva e financeira”, comenta. O profissional reitera que com menos de 21 dias há prejuízos em desempenho zootécnico dos leitões, pior produtividade no parto subsequente e menor lucro por leitão desmamado. Já com mais de 28 dias acredita-se que não é necessário para o contexto atual, causando uma menor margem líquida, uma vez que o número de desmamados/ano reduz significativamente.

Esta margem de dias é importante ser seguida. O médico veterinário comenta que hoje o ponto de corte está justamente dentro da faixa entre 21 e 28 dias, “no entanto há uma perspectiva de que esse período possa ser aumentado na medida em que se abre a discussão sobre produzir suínos sem antimicrobianos promotores de crescimento”, confidencia.

Reavaliando conceitos

Algumas ações podem ser realizadas pelo suinocultor para melhorar o manejo e, assim, favorecer o desempenho dos leitões desmamados. “De uma maneira geral, visar ações que maximizem o peso ao desmame, ou através do manejo na maternidade ou aumento da idade ao desmame”, comenta Faccin. Ele ainda afirma ser evidente que o manejo de creche interfere diretamente no desempenho. “Porém, um animal mais pesado ao desmame é um animal que se adapta mais fácil às mudanças ocasionadas ao desmame e, no geral, demanda menos tempo dos colaboradores”, assegura.

O médico veterinário conta que com o aumento da idade ao desmame, é aberto um novo cenário para a produção global. “Isto porque este manejo interfere em todas as fases de produção”, explica. Faccin diz que, por conta disso, pesquisas, manejo e o planejamento da produção realizados até o momento necessitam de uma reavaliação, visando obter o máximo potencial zootécnico e financeiro para a indústria.

Além do mais, Faccin destaca que atualmente o consumidor está cada vez mais preocupado com a maneira como seu alimento é produzido, e o aumento da idade ao desmame vem ao encontro a isso, como uma ação que reduz perdas e ameniza o estresse nesta fase. “Portanto, este manejo visa, além da maximização do desempenho zootécnico e lucro, o bem-estar na produção dos animais e uma perspectiva para a produção livre ou com menor uso de antimicrobianos”, sustenta.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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