Reprodução - 01.10.2018

IATF derruba intervalo entre partos

Técnica permite que os animais sejam inseminados mesmo em anestro antes do protocolo, promovendo aumento na taxa de serviço

- Shutterstock

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Artigo escrito por Bruna Martins Guerreiro, médica-veterinária, mestre em Reprodução Animal e especialista técnica em Reprodução Animal na Ourofino Saúde Animal

Atualmente o Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo, com aproximadamente 194 milhões de bovinos. Apesar dessa grande dimensão, a pecuária brasileira de corte e leite ainda apresenta pouca eficiência produtiva. Diante disso, é imprescindível intensificar os sistemas de produção para maximizar a produtividade das propriedades.

O comprometimento da rentabilidade das fazendas de corte ocorre principalmente devido à baixa eficiência reprodutiva. Esse gargalo acontece porque as fêmeas não são cobertas de forma efetiva, acarretando incapacidade de produzir um bezerro por vaca a cada ano (elevado intervalo entre os partos).

Para realizar o manejo reprodutivo utilizando monta natural ou inseminação artificial (IA) é necessário que as fêmeas manifestem cio. Estudos mostram que aos 45 dias pós-parto apenas 20% dos animais estão ciclando. Isso ocorre devido às dificuldades nutricionais e amamentação, fazendo com que as fêmeas entrem em anestro. Essas fêmeas só vão retornar à ciclicidade e ter condições de serem cobertas apenas quando estiverem com boa condição corporal.

Esse atraso na ciclicidade faz com que ocorra aumento no intervalo entre partos, o que reflete negativamente no número de bezerros produzidos e desmamados. Quanto maior for o intervalo entre os partos das fêmeas, menor é a taxa de desmame por ano, comprometendo produtividade da propriedade.

IATF

Para reverter esse quadro podemos utilizar a inseminação artificial em tempo fixo (IATF), em que é possível inseminar todos os animais sem a necessidade de manifestação de cio. Para utilizar a IATF na fazenda não é necessário esperar que as fêmeas ciclem após o parto. Essa técnica permite que os animais sejam inseminados mesmo em anestro antes do protocolo, promovendo aumento na taxa de serviço. Dessa forma, é possível reduzir o intervalo entre partos das fêmeas e aumentar o número de bezerros produzidos por ano. Ainda, as fêmeas que ficaram gestantes retornam a ciclicidade após a IATF, podendo ser cobertas novamente por repasse de touro ou outra IATF.

A velocidade com que as vacas emprenham durante a estação de monta é muito importante para a produtividade da fazenda. Os bezerros produzidos no início da estação de monta são aqueles que apresentam maior peso à desmama, simplesmente porque nasceram e desmamaram em épocas mais favoráveis do ano. Consequentemente, esses animais acabam tendo maior peso final de produção. 

Pecuária leiteira

A grande dificuldade da pecuária leiteira brasileira na está na incapacidade de produzir leite de forma eficiente durante todo ano. Isso ocorre devido à baixa eficiência reprodutiva. Esse gargalo é associado à baixa detecção de cio das propriedades.

Para realização da IA é necessário detectar cio dos animais diariamente. Entretanto, esse manejo tem baixa eficiência devido à dificuldade de observação de cio (por mão-de-obra e tamanho do rebanho). Outro fator limitante é a duração do cio dessas fêmeas leiteiras – estudos mostram que quanto maior a produção leiteira diária, menor é o tempo que demonstram sinais de estro.

Diante disso, as fêmeas acabam recebendo poucas inseminações, o que compromete a taxa de serviço da propriedade. Dessa forma, a IATF ajuda os produtores a inseminar os animais sem ter a necessidade de detecção de cio.

Uma dúvida comum dos produtores é se a IATF consegue emprenhar as fêmeas da mesma forma que a IA pela observação de cio. Os estudos mostram que a taxa de prenhez dos dois modelos são semelhantes. A grande diferença está na velocidade com que os animais tornam-se gestantes. Com a IATF é possível reduzir o intervalo entre o parto e a concepção, o que reflete diretamente no intervalo entre partos e na porcentagem de fêmeas em lactação no rebanho.

A produtividade das fazendas de corte e leite pode ser aumentada ao incrementar a genética e a eficiência reprodutiva das fêmeas. Dessa forma, a utilização da IATF nas propriedades é fundamental para melhorar a produtividade das propriedades.

Benefícios da IATF

  • Eliminação da necessidade de observar de cio
  • Diminuição no intervalo entre partos
  • Eficiência reprodutiva
  • Otimização da mão-de-obra
  • Distribuição dos nascimentos
  • Programação da fazenda 

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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