Sanidade - 18.06.2018

Homeopatia é opção para diminuir casos de mastite

Produtor do Paraná reduz de quatro para um caso ao mês depois que começou a utilizar homeopatia

- Francine Trento/OP Rural

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Há aproximadamente oito meses a rotina mudou um pouco na propriedade da família Heck, principalmente porque a utilização de medicamentos e as visitas de veterinários ficaram mais raras. Neste período o produtor Gione Roberto Heck, do interior de Marechal Cândido Rondon, PR, vem trabalhando com a homeopatia em seus 92 animais na propriedade entre bezerras, novilhas, vacas secas e vacas em lactação, sendo holandesas, jersey e a mistura das duas raças. Vários pontos podem ser citados que foram melhorados, porém, um bastante notável foi a diminuição e severidade dos casos de mastite.

A pecuária leiteira é desenvolvida pela família Heck há três gerações. O avô de Gione já trabalhava com a atividade, porém, como segunda opção de renda. Foi em 2009 que ele e a esposa passaram a cuidar da atividade na propriedade. “Nós estamos nesse processo de sucessão familiar aqui. Eu e meu pai fizemos um acordo de que todas as bezerras que nasciam a partir daquele período passariam a ser minhas. Então, as vacas dele com o tempo foram sendo descartadas e as minhas passaram a ser as utilizadas. Foi uma forma que encontramos de fazer essa sucessão de forma gradativa, ele saindo aos poucos e eu entrando aos poucos”, conta.

Porém, diferente da família, Gione e a esposa escolheram o leite como atividade principal. Ele explica que família da esposa também trabalhava com leite, então, depois que se casaram, decidiram os dois dar continuidade para a atividade, mas desta vez como carro-chefe da propriedade rural. “Dessa forma, eu e minha esposa trabalhamos somente com leite. A nossa renda vem exclusivamente das vacas”, informa. Atualmente, a propriedade possui 39 vacas em lactação. Já a produção está em uma média de 750 litros/dia.

Como o leite é a principal fonte de renda da família, os cuidados para sempre conseguir lucros são prioridade para a família Heck. “Nós já tínhamos um manejo diferenciado, para sempre termos uma qualidade melhor no leite”, conta. O pecuarista diz que a ideia sempre foi produzir um leite com excelente qualidade, porque eles sabem que o rendimento industrial não é o mesmo se o produto tem uma contagem de células somáticas mais alta. “Nós sempre tentamos pensar assim: o que eu estou vendendo é também o que eu quero consumir. Eu não tenho nenhum problema em pegar o leite do meu resfriador e consumir ou dar para os meus filhos”, diz.

Nesta preocupação de ter o melhor produto que coincidiu com a utilização da homeopatia na propriedade. “A longo prazo a utilização da homeopatia se tornou muito mais barata. A resposta imunológica dos animais melhorou consideravelmente, e os casos de mastite diminuíram”, informa. Gione comenta que se antes na propriedade havia quatro casos de mastite por mês, agora registra somente um ou até nenhum caso no mês. “Além do mais, quando os casos aparecem, eles não são mais tão severos como antes, então são mais fáceis de tratar”, conta.

Dessa forma, o produtor ainda teve economia na propriedade, isso porque se antes ele tinha que tratar quatro casos de mastite, agora trata somente um. Sem contar que com menos animais doentes, a quantidade de leite que deveria ser descartado é bem menor. “Esse é um ganho que você também tem no final do mês, de não precisar utilizar tantos tratamentos”, comenta. “Se, por exemplo, eu tiver um animal que produz 20 litros de leite/dia e tiver que tratar por mastite, vou fazer o tratamento convencional com a bisnaga durante três dias, e tem mais os três a quatro dias posteriores de carência da última bisnaga. Então, a mastite é uma enfermidade em que você perde aproximadamente sete dias de leite. Mais o custo de manejo – de deixar o animal para o final, ordenhar separado, esgotar esse leite – neste período de uma semana são 140 litros de leite que você perde. É uma conta simples de quanto custa uma mastite em um animal”, menciona.

Para Gione, a homeopatia fez a diferença na propriedade. Ele comenta que os resultados são a longo prazo, mas perceptíveis e que valem o investimento. De acordo com ele, o produtor deve ser persistente no uso. “A utilização de homeopatia deve ser algo contínuo. Não usar um tempo e depois parar, porque isso só vai fazer com que todos os problemas que você tinha resolvido voltem”, diz.

Manejo diferenciado

A homeopatia, mas também o manejo sempre diferenciado e primando pelo bem-estar dos animais faz a diferença para os poucos casos de mastite na propriedade de Heck. O sistema utilizado é de semiconfinamento, sendo que a dieta das vacas é toda feita no coxo, mas elas têm um espaço para caminhar e descansar. “Nós fazemos o possível para dar o maior conforto ao animal, além de nos preocuparmos sempre com o bem-estar, porque sabemos que com isso ela responde em produtividade”, comenta. Para Gione, quem tem a visão de tentar diminuir custos se atenta a questões diversas, como imunidade e qualidade do leite.

Teste de qualidade

A partir de homeopatia, Gione e a família viram também a diferença na qualidade do leite a partir dos testes que fazem. Ele conta que há tempos faz a análise individual de cada animal. “Além da análise mensal do laticínio, eu ainda faço outra individual de cada animal. Isso é um custo a parte que eu tenho, onde faço a coleta - sendo que tenho uma ordenha específica para isso - e mando as amostras para serem analisadas em Curitiba, pela Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa”, conta.

O pecuarista coleta o leite e manda em uma caixa lacrada para a capital paranaense. “Eu tenho um cadastro lá, e depois de quatro ou cinco dias eles me mandam o laudo das análises por e-mail”, informa. Gione explica que todos os frascos são identificados, sendo que são separados por cada animal. Entre os pontos analisados estão a composição do leite, quantidade de células somáticas, extrato seco e teor de gordura. “O resultado de tudo isso eu recebo no meu e-mail”, reitera.

Com as análises, o produtor consegue realizar a segregação na ordenha e fazer o cuidado diferenciado necessário para os animais que precisam de mais atenção. “As vacas mais ‘infectadas’ eu deixo por último na ordenha, para que as mais sadias não sejam contaminadas. Já nas doentes, eu faço um tratamento de choque. Por exemplo, se a dosagem recomendada normal por animal sadio para prevenir doenças é de 10 a 15 gramas, nas contaminadas eu entro com uma dose maior, de 40 a 45 gramas, durante um mês até a próxima análise”, conta. O pecuarista diz que as amostras são mandadas para análise em intervalos entre 40 e 50 dias.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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