Nutrição - 18.04.2017

Hidroxi-minerais: nova abordagem para uso em todas as espécies

Hidroxi-minerais têm biodisponibilidade superior à dos sulfatos e custo mais ajustado quando comparados a outras fontes, como os minerais orgânicos

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Guilherme Agapito, gerente da Trouw Nutrition no Brasil, e Leonardo Seyboth, gerente da Selko Feed Additives no Brasil

Após a descoberta nas décadas de 1920 e 1930 de que o cobre e o zinco eram nutrientes essenciais à nutrição animal, fontes desses metais, como subprodutos e resíduos industriais, foram adicionadas às dietas animais. Estudos científicos pós Segunda Guerra Mundial trouxeram a comprovação de que apenas os sais de metal solúveis em água poderiam ser facilmente absorvidos no intestino dos animais. Isto levou a uma mudança progressiva na indústria de nutrição animal, substituindo óxidos por sulfatos, altamente solúveis, aos quais foi atribuído arbitrariamente um valor de 100% de biodisponibilidade.

Na década de 1970, houve uma nova tendência para o uso de complexos minerais organometálicos na nutrição animal, os minerais orgânicos. Inicialmente, esta tendência baseou-se na noção que complexos seriam absorvidos de forma mais eficiente. Mais tarde, vários estudos revelaram que a suplementação animal com formas de minerais protegidos pode ter uma biodisponibilidade maior que os 100% inicialmente atribuídos aos sulfatos. Isso ocorre porque a liberação controlada aumenta a probabilidade do metal chegar ao sítio de absorção nos enterócitos.

Na década de 1990 surgem os hidroxi-minerais, tendência mais recente na nutrição mineral, produzindo complexos de metal inorgânico hidrolisado. Essa estrutura é única, porque utiliza o mesmo tipo de ligações químicas covalentes presentes nos minerais orgânicos, o que confere a superioridade de ambos em relação aos sulfatos, os quais têm ligações iônicas fracas. Estas ligações covalentes características dos hidroxi-minerais são suficientemente fortes para limitar as reações antagonistas evitando a rápida dissociação no trato superior, mas suficientemente fracas para facilitar a absorção do metal no sítio desejado do trato digestório dos animais, com liberação lenta e gradual no local desejado. Assim sendo, os hidroxi-minerais têm biodisponibilidade superior à dos sulfatos e custo mais ajustado quando comparados a outras fontes, como os minerais orgânicos. 

Suplementar e avaliar as possíveis interações

Nos últimos 30 anos, fontes nutricionais de minerais essenciais como ferro, zinco, cobre e manganês têm sido descritas como sendo minerais orgânicos ou inorgânicos. No entanto, estudos recentes mostraram que esta distinção não é eficaz em demonstrar como uma determinada fonte de mineral se comporta em um sistema biológico. As comparações de biodisponibilidade relativa têm sido o foco avaliando as diferentes fontes de minerais.

Hoje em dia, com as novas linhagens genéticas cada vez mais exigentes e a nutrição de precisão, uma visão mais ampla tem sido usada na avaliação dos minerais, combinando a avaliação da absorção na corrente sanguínea, tecidos e ossos a:

1 - destruição de nutrientes, incluindo vitaminas, na preparação da mistura dos alimentos para animais (ração completa, premixes, núcleos);

2 - interações com outros nutrientes durante a formação do bolo alimentar e seu trânsito dentro do animal;

3 - influência da ecologia microbiana do intestino;

4 - efeitos sobre as funções imunológicas naturais do animal.

Estabilidade de dietas - Degradação da fitase

A formulação de um premix mineral vitamínico ou de uma dieta completa depende do balanço das exigências nutricionais, disponibilidade de nutrientes e fontes específicas, custos dos ingredientes e da estabilidade do produto final. Quando minerais reativos, exemplo dos sulfatos, são incorporados a uma pré-mistura ou dieta completa, esses têm o potencial de reduzir ou inibir a eficácia de outros nutrientes. No caso de minerais sulfatados como o sulfato de cobre, essa premissa é particularmente válida dada sua ligação iônica altamente reativa e sua dissociação rápida quando exposta à água, indiferente do pH do meio. Usando-se uma fonte menos reativa de mineral, como, por exemplo, os hidroxi-minerais, tem-se como resultado que o mineral essencial tenha eficácia no local apropriado (trato GI e sistemicamente no animal), ao invés de estar envolvido em interações antagônicas na ração. Tal forma de suplementaçao mineral, com os hidroxi-minerais, oferece maior estabilidade na ração em comparação com os sulfatos, além dos benefícios comprovados sobre o desempenho de aves, suínos, peixes e ruminantes proporcionado pelos minerais orgânicos. Isso permite que o nutricionista possa ter total confiança de que os níveis formulados estão atendendo ao animal, mesmo se as condições de armazenagem não forem as ideais.

O fitato, principal forma de reserva de fósforo (P) em grãos, pode ligar-se a minerais como o cobre e o zinco, podendo assim reduzir a eficácia da fitase na dieta.

Pesquisas realizadas em premix e dietas completas têm mostrado o impacto negativo de minerais reativos (sulfato de cobre) sobre a retenção de fitase.

Ademais, trabalhos in vitro têm demonstrado o impacto negativo da reatividade do sulfato de cobre sobre a fitase na hidrólise do fitato em resposta a diferentes níveis de cobre (pH nível intestino delgado).

Conclusões

Fica evidente que o fornecimento de fontes minerais reativas como o sulfato de cobre pode causar perdas significativas na ação da fitase, podendo comprometer a hidrólise do fitato no trato gastrointestinal. A utilização de fontes hidroxi-microminerais em formulações de rações preserva as ações das enzimas comerciais exógenas, mantendo, assim, a rentabilidade do produtor. A tecnologia proporciona desempenho animal superior ao sulfato de cobre, e de equivalência aos minerais orgânicos, permitindo que a composição das dietas reflitam os níveis formulados, melhorando assim a eficiência do momento da fabricação até a utilização do produto final.

Os hidroxi-minerais são sais neutros, inertes e insolúveis em água, com possibilidade de serem utilizados em doses mais altas como promotor de crescimento, como o cobre. Não promovem oxidação em premixes ou rações, além de conferirem menor reatividade de maneira equivalente aos minerais orgânicos.

O resultado é mais biodisponibilidade mineral para o animal com um melhor custo benefício aos produtores.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2017.

Fonte: O Presente Rural

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