Suinocultura - 15.06.2018

Granjas do futuro têm que ser “amigáveis”

“Ganhos genéticos associados a mudanças no mercado vão demandar mudanças no desenho e execução dos projetos”, afirma José Piva

- Arquivo/OP Rural

As granjas do futuro vão produzir mais leitões desmamados e mais carne por metro quadrado, serão monitoradas por câmeras, mais fáceis de limpar, com sistemas de ar filtrado, simpáticas aos olhos dos consumidores. Mais que isso, cada vez terá menos dependência de pessoas, tornando os processos produtivos mais automatizados, e até vai gerar sua própria energia elétrica. São algumas das atrações que as novas obras devem alcançar em breve, na opinião do gerente de Serviços Técnicos para a América da Agroceres PIC, José Piva. O profissional fez palestra sobre as tendências na construção de granjas, abordando os modelos de construção do futuro, durante o Congresso Abraves (Associação Brasileira dos Médicos Veterinários Especialistas em Suínos) Paraná, que aconteceu em meados de março, em Toledo.

“Independentemente da granja que seja, a expectativa é de produzir cada vez mais por metro quadrado, por quilo de ração, por pessoa”, cita. “Ganhos genéticos associados a mudanças no mercado vão demandar mudanças no desenho e execução dos projetos. Em todo projeto é importante levar em consideração a percepção do consumidor, os aspectos técnicos, legais e de mercado”, resume.

De acordo com ele, o tempo médio gasto do colaborador com cada animal vai diminuir. “Para cada leitão desmamado, há projetos com menos de 20 minutos de mão de obra por leitão. Hoje já se consegue com 16-17 minutos. A engorda terá mais de 400 quilos por metro quadrado de área construída. Nesse caso, a mão de obra deve ser não mais que oito minutos”, pontua. “Esses números estão sendo conseguidos com novos projetos que estão sendo concebidos. Esses números incluem todo o processo feito na granja”, menciona.

De acordo com Piva, as instalações vão mudar para atender a evolução de produtividade da suinocultura. Em seus cálculos, a suinocultura brasileira vai passar dos atuais 3.865 quilos vendidos/matriz/ano para 5.598 quilos/matriz/ano. Nesse mesmo período, a conversão alimentar cai de 2.20 para 1.90, o número de quilos/matriz/desmamados sobe de 184 para 254 e o peso de abate passa dos atuais 130 para 143 quilos.

Conforme o profissional, as instalações serão “de fácil limpeza, cada vez mais intensificadas e de uso intensivo”. Ele cita a adoção cada vez mais intensa de inoxa na substituição de plástico e concreto. “O uso de inox ou piso de ferro é uma tendência, pois é mais fácil de lavar e desinfetar. Acho que o piso bruto tende a acabar. É muito difícil de limpar”, cita, emendando, no entanto, que piso de ferro tem menor durabilidade que os de concreto ou plástico. “Vai ser a granja que facilite o trabalho e a eficiência da mão-de-obra”, resume.

Com relação às gaiolas, Piva cita que serão maiores, já que a tendência é de leitegadas cada vez mais numerosas. Em seu projeto, até 2027 a suinocultura brasileira vai ter 43,5 desmamados/fêmea/ano, contra, ainda segundo seus números, a média atual no Brasil de 32,5 DFA. “As granjas terão que ter gaiolas maiores. Vai produzir mais leitão, então vai ter que ter mais espaço na desmama e engorda”, cita.

Considerações

Antes do produtor construir uma nova granja, deve levar diversos aspectos em consideração, a começar pelo objetivo da granja, para melhoramento genético, multiplicação, produção comercial ou pesquisa. “Depende ainda da região ou continente, custo de construção, exigências legais e sociais, expectativa e metas de produção, custo e disponibilidade de mão-de-obra, disponibilidade e custo do capital, além de características do mercado”, citou.

Ele sugere que as edificações terão mais metros quadrados por matriz instalada para produzir mais carne por ano. “Tem que ser eficiente, produzir de forma sustentável o maior número de quilos por ano, produzir o mínimo de gases e poluição ambiental, oferecer segurança e um ambiente de trabalho os funcionários, ser segura e gerar melhor ambiente aos animais, atender as expectativas básicas do consumidor”.

Características da nova granja

De acordo com ele, o projeto deve considerar mais que a relação custo/benefício. “Tem que ser fácil de ser executado e construído, que demande pouca manutenção e seja durável, atenda as expectativas do consumidor, frigorifico e supermercado, seja amigável ao meio ambiente, demande cada vez menos energia e use o máximo os recursos naturais. A granja do futuro é aquela que atenda os princípios de biossegurança, por exemplo, com piso de ferro, fácil de lavar e desinfetar. De acordo com ele, “serão automatizadas, com mínima dependência de pessoas, tenha fluxo de produção amigável, tenha iluminação e áreas amplas, com corredores desenhados sem distrair ou causar estresse aos animais”.

Piva elenca ainda outras caraterísticas desejáveis às granjas nos próximos anos. “Estilo McDonald – fácil de treinar o pessoal novo, caso contamine é possível erradicar as doenças sem despovoar, demande o mínimo de água e energia, tenha o máximo de luminosidade, tenha ar filtrado, positivo ou negativo, seja de fácil acesso, com uso de materiais laváveis, ofereça segurança ao trabalhador, sejam compactas, fácil para embarcar e desembarcar os animais, e tenham produção própria de energia”.

“A granja do futuro tem alto padrão tecnológico, é simples de operar e o mais eficiente possível, com maior padronização e flexibilidade, amigável aos animais e às pessoas, tem empatia visual amigável ao público, payback (retorno do investimento) aceitável, permita aos animais expressar seu potencial genético, seja eficiente para minimizar desperdícios, como energia, água e ração. Elas serão construídas com produtos recicláveis, que não contamine o meio ambiente, demande pouca manutenção e que seja próxima da região produtora de grãos, fábricas e frigoríficos”, aponta.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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