Sanidade - 14.02.2018

Gestão de risco aplicada à biossegurança nos sistemas de produção de suínos

Situação brasileira é bastante privilegiada quando comparada ao contexto mundial, no entanto, a suinocultura nacional tem enfrentado outros desafios sanitários

- Divulgação/Assessoria

Artigo escrito por Mauricio Dutra, gerente Técnico do Departamento de Suínos da BRNova/Trouw Nutrition

A suinocultura mundial nos últimos anos tem sofrido mudanças significativas em diferentes aspectos envolvidos na produção. O constante desenvolvimento genético, a concentração dos sistemas de produção e os avanços consideráveis na nutrição têm permitido alcançar índices produtivos jamais imaginados, no entanto, os desafios sanitários e os riscos associados também têm se intensificado. Para entendermos melhor os riscos envolvidos na atividade, segue breve resumo da situação sanitária da suinocultura mundial e brasileira.

O congresso IPVS (International Pig Veterinary Society) realizado no México, em julho de 2014, que reúne veterinários especialistas em sanidade suína do mundo todo, classificou as oito principais enfermidades enfrentadas atualmente pela suinocultura.

Sanidade Suína no Brasil

A situação brasileira é bastante privilegiada quando comparada ao contexto mundial das principais enfermidades listadas no congresso da IPVS, no entanto, a suinocultura nacional tem enfrentado outros desafios sanitários.

Os complexos de enfermidades decorrentes da infecção pelo circovírus suíno tipo 2 (PCV-2) foram diagnosticados clinicamente com confirmação laboratorial, pela primeira vez no país, no ano 2000. O fato forçou os suinocultores a implementarem medidas mais restritas de biossegurança, bem como boas práticas de manejo para minimizar os efeitos das condições multifatoriais envolvidas na infecção por este agente, haja visto que somente em 2007 imunógenos legalmente registrados foram disponibilizados para comercialização.

O ano de 2009 foi marcado pela pandemia do vírus da Influenza iniciada no México - Estados Unidos e o Brasil não passou ileso, sofrendo com os casos agudos da doença e suas consequências, como surtos de abortos, bem como sua cronicidade, dado o envolvimento nas enfermidades respiratórias já presentes nos rebanhos.

Os surtos de disenteria suína marcaram o ano de 2012, bem como os esforços para sua eliminação, dada a resistência bacteriana aos antibióticos comumente utilizados no tratamento desta enfermidade.

Desde 2013, a prevalência de surtos clínicos de Salmonelose também têm aumentado consideravelmente, principalmente na fase de creche em diferentes regiões brasileiras, sendo sua ocorrência mais frequente que o agente causador da ileíte.

A submissão laboratorial de material oriundo de surtos de diarreia na fase de maternidade no mesmo período revelou aumento considerável na prevalência de Clostridium perfringens tipo A em relação aos anos anteriores. Sem contar os surtos de Senecavírus A, o qual tem causado problemas consideráveis em importantes áreas da produção suinícola nacional nos últimos anos.

Neste contexto, o conhecimento dos riscos e a prevenção através dos programas de biossegurança, bem como sua constante atualização através de auditorias sistemáticas, desempenha papel primordial na atividade suinícola.

Programa de Biosseguridade

Os programas de biosseguridade consistem basicamente no conjunto de ações ou procedimentos operacionais padrão (POP) estabelecidos nos sistemas de produção, visando prevenir e controlar doenças exóticas (ausentes no país), epizoóticas (surtos epidêmicos) e enzoóticas (presentes na propriedade).

Os seguintes riscos devem ser considerados nos programas de bioseguridade:

- Riscos internos: relativos à disseminação de agentes patogênicos presentes na granja

- Riscos externos: relativos à introdução de agentes exóticos à granja

- Biocontenção (biossegurança regional): relativos à condição sanitária das granjas próximas ao sistema de produção em questão, dada a possibilidade de transmissão de patógenos, por exemplo, através de aerossóis.

A implementação de um programa de biosseguridade consiste nas seguintes cinco etapas:

1) Definição dos objetivos, de acordo com a especificação do sistema de produção (granja núcleo, multiplicadora, central de inseminação, granja comercial) e identificação dos riscos

2) Elaboração do manual de biossegurança com os procedimentos operacionais padrão (POPs)

3)  Implantação de programa de treinamento e qualificação dos funcionários

4) Realização periódica de auditoria do programa

5) Correção das falhas auditadas

Seguem exemplos práticos de pontos relacionados à biossegurança, bem como os riscos envolvidos com eles, muitas vezes negligenciados na rotina de muitos sistemas de produção:

- Quarentenário: o simples alojamento de animais de reposição durante quatro semanas em quarentenário, distante no mínimo 300 metros das instalações da granja, providencia condições de avaliar os animais clinicamente, bem como sorologicamente, prevenindo a introdução de enfermidades como, por exemplo, Brucelose, Pneumonia Enzoótica, Pleuropneumonia, entre outras.

- Frequência e origem dos animais de reposição: rebanhos dinamarqueses SPF apresentarem 2,7 vezes mais risco de serem infectados por Mycoplasma hyopneumoniae adquirindo animais de reposição de mais de uma fonte por ano.

- Transporte: trata-se de importante risco de transmissão de agentes patogênicos, sugerindo-se desta forma evitar ao máximo a entrada de veículos na propriedade, providenciando preferencialmente veículos de uso exclusivo dentro do sistema de produção, além de protocolo eficiente de limpeza e desinfecção dos veículos que necessitem obrigatoriamente adentrar o sistema.

- Treinamento: capacitação de todos colaboradores envolvidos no sistema de produção, alertando-os sobre os riscos envolvidos e a importância de cada um no processo.

Considerações

A condição sanitária da suinocultura brasileira é privilegiada quando comparada aos principais países produtores de carne suína, porém o principal erro que se pode cometer na atual conjuntura é negligenciar os riscos sanitários envolvidos na atividade. Neste contexto, os programas de biosseguridade, bem como sua constante atualização através de auditorias sistemáticas identificando e corrigindo riscos, além da capacitação constante das pessoas envolvidas na atividade, desempenha papel crucial na manutenção e melhora do status sanitário de nossos rebanhos.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de janeiro/fevereiro de 2018.

Fonte: O Presente Rural

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