- 21.12.2017

Gestão de pessoas é pilar para propriedade ser bem-sucedida

Saber lidar, incentivar e capacitar o funcionário foram alguns pontos abordados por profissional durante o VII Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite

- Giuliano De Luca/OP Rural

Não existe um segredo para o sucesso ou uma fórmula mágica para ter uma fazenda altamente produtiva. Mas adotar algumas técnicas na propriedade pode fazer a diferença para quem busca por resultados mais eficazes. E a gestão de pessoas é um dos pilares para aqueles que querem uma propriedade produtiva. A consultora e zootecnista doutora Maria Thereza Rezende falou sobre a “Importância da gestão dos recursos humanos e impactos sobre a qualidade do leite em fazendas leiteiras” durante o 7º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite, que aconteceu entre os dias 07 e 09 e novembro em Chapecó, SC.

Entre os pontos destacados pela profissional estão a importância da capacitação dos funcionários, a presença do gestor na fazenda e o entendimento de que cada funcionário é diferente um do outro e é preciso saber lidar com isso. “São alguns pontos que é preciso que o gestor esteja atento. Se bem desenvolvidos, a fazenda passa a ter funcionários mais engajados, munidos de melhor comunicação e entendimento das tarefas e maior comprometimento”, conta. Além do mais, Maria destaca que os funcionários ainda têm o sentimento de gostar do que fazem e se sentirem orgulhosos e realizados.

A consultora apresentou uma pesquisa desenvolvida nas regiões do Ceará, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, onde foi questionado para 120 ordenhadores se eles sabiam qual o conceito de mastite. “Destes, somente 25% dos profissionais acertaram”, conta Maria. E foi perguntado ainda para eles qual o conceito de CCS. “Aqui também somente 10% soube dar a resposta certa”, informa. “E agora eu pergunto: como nós vamos conseguir ter uma boa qualidade no leite, ter bons índices de qualidade se os encarregados da ordenha não sabem do que estamos falando? Onde está a mentalidade gerencial das fazendas que delegam seus funcionários sem treinamento?”, questiona.

A capacitação dos funcionários é um dos pontos principais para desenvolver a atividade de forma mais eficaz, afirma Maria. “Para ter um profissional de atitude, eu preciso desenvolver a atividade, munindo ele de informações e dando treinamento. Ele até se sente mais motivado quando percebe que está crescendo e aprendendo”, comenta. A profissional afirma que as propriedades precisam buscar hoje aquele funcionário que participa, se dedique, se envolva e é criativo. “É preciso que os gestores possibilitem os colaboradores a pensar porquê estão fazendo aquela tarefa. Quando eles pensam o que acontece, conseguem descobrir novas formas de fazer a atividade, trazem maiores produtividades, menos esforço na tarefa feita e mais lucratividade, competitividade e perenidade para os negócios”, conta.

Maria afirma que hoje, no ambiente de trabalho, é preciso pessoas que saibam pensar o novo e trazer soluções antes do problema acontecer. “O que precisamos nas fazendas é de pessoas que pensam fora da caixa. Equipes que estejam engajadas, comprometidas, sejam confiáveis e motivadas para conseguir levar o negócio ao sucesso”, afirma. E a pergunta que fica é: onde estão estas pessoas? A consultora afirma que é preciso trabalhar com isso. “As pessoas precisam entender porque levantam todos os dias para trabalhar, precisam se conectar com a causa”, diz.

Outro detalhe importante destacado por Maria é que hoje as pessoas não estão mais trabalhando somente pelo dinheiro. “As pessoas querem ser reconhecidas e deixar uma marca ou legado; querem mostrar para o filho o que fazem, que fez a diferença na sociedade”, conta. Ela comenta que a mentalidade das pessoas está mudando, e é preciso se atentar a isso. “Hoje, muito mais do que somente fazer, as pessoas querem entender porque estão fazendo, para quem, para que serve. Querem enxergar o todo, não mais somente uma forma fragmentada. O trabalhador precisa se sentir parte do negócio e não somente uma peça da engrenagem”, diz.

Rotina não é monotonia

A profissional destacou ainda os benefícios de uma fazenda de leite ter rotina. “A rotina consiste em uma série de procedimentos padrões que possibilita gerar processos. É a organização da atividade, otimização do tempo, gerenciamento, eficiência e segurança”, conta. Além do mais, Maria diz que a repetitividade da tarefa gera autoconhecimento e segurança naquilo que está sendo feito. Porém, alerta para que o gestor não confunda a rotina com a monotonia. “A monotonia acontece quando a tarefa é executada sem a pessoa perceber, é um ambiente de trabalho automatizado. E isso gera risco, porque pode gerar distrações, o que pode trazer problema. Nós gestores devemos ficar atentos quanto a isso porque a monotonia leva a desmotivação”, afirma.

E a desmotivação também é motivo para dor de cabeça ao gestor. Maria confirma que o incentivo é o que impulsiona a pessoa a descobrir motivação interna, e o que leva o outro a fazer o trabalho de determinada forma. “O que podemos ver em um funcionário motivado é que ele normalmente antecipa as nossas necessidades, faz mais do que a obrigação. Para ele, a obrigação é o ponto de partida e não de chegada. É isso que devemos descobrir nos nossos funcionários, o que os impulsiona a trabalhar com excelência”, reitera. Ela ainda acrescenta que é preciso que o gestor reconheça o valor de cada um e saiba elogiar e valorizar. E estes pontos são de extrema importância, isso porque, de acordo com Maria, o que mais desmotiva um funcionário não é a remuneração, mas sim a ausência de reconhecimento e valorização.

Capacitação

A profissional reforça que a capacitação é uma excelente maneira de motivar o funcionário. “Hoje em dia manda quem detém as informações e tem competência para utilizá-las. É importante que as informações aprendidas possam ser aplicadas e transmitidas. Quando o funcionário recebe o treinamento ele precisa absorver e saber usar aquilo que aprendeu”, diz. Além disso, ela afirma que o autodesenvolvimento traz maturidade para as pessoas, o que auxilia nos trabalhos da fazenda, fazendo com que ele sabia fazer de melhor forma a parte técnica na propriedade. “O homem é o principal fator para atingir ou não o sucesso no negócio. Portanto, o produtor deve ser um líder capaz de engajar ao máximo a sua equipe”, finaliza.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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