Investimento - 10.08.2017

Genética é mola propulsora das fazendas

Trabalhando com programas de melhoramento e tentando ampliar a qualidade e resistência dos animais, fazendas que vendem genética estão auxiliando o produtor brasileiro a ter e oferecer um produto de maior qualidade

- Francine Trento/OP Rural

Com o surgimento de novas tecnologias a cada ano e a necessidade de ter a melhor genética para ter mais desempenho e fornecer a melhor carne tanto para o consumidor brasileiro quanto ao mercado externo, não é novidade para os criadores de gado de corte buscar o melhor no que o mercado oferece. Há fazendas no Brasil que se dedicam para ofertar a melhor genética com toda a tecnologia disponível. Tecnologia, certificação nacional de qualidade e genética de ponta são algumas das qualidades oferecidas pelas fazendas para os produtores.

Um exemplo é a CFM Agro-Pecuária, que com um rebanho superior a 30 mil cabeças de gado, trabalha com um programa de seleção de nelore, utilizando o Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP), certificado autorizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “De acordo com as regras do CEIP, a CFM está apta a comercializar como reprodutores apenas os 30% melhores machos de cada safra”, explica o responsável pela Pecuária da Fazenda CFM, Tamires Miranda Neto. Segundo ele, o critério de seleção da genética que será vendida são três: ganho de peso a pasto; fertilidade e precocidade; e carcaça de qualidade. “Os nossos animais contam com características como produtividade, funcionalidade, fertilidade, precocidade sexual, conformação de carcaça e outros atributos importantes para o sucesso da pecuária de corte”, informa.

O responsável conta que somente em 2016 foram mais de 1,5 mil reprodutores comercializados. “A CFM é referência na produção de touros comerciais para as condições brasileiras”, diz. A fazenda produz uma média de 1,5 mil touros por ano. Miranda Neto informa ainda que o programa de melhoramento tem um dos maiores bancos de dados individual de avaliação genética Nelore do país, com mais de 467 mil informações de animais desmamados. “Isso confere muito mais confiança aos dados e resultados do rebanho”, conta. Além disso, a fazenda utiliza também uma ferramenta de análise de DNA e marcadores moleculares para formação de banco de dados interno e uso desta técnica para identificação de paternidade dos lotes de reprodutores múltiplos. Atualmente, o rebanho da CFM é distribuído em propriedades de São Paulo, Mato Grosso do Sul e no Oeste da Bahia.

Outra fazenda que também tem investido pesado na genética para vender qualidade e ter um rebanho superior é a Casa Branca Agropastoril. Com cinco fazendas no Sul de Minas Gerais, com dois mil hectares, e uma fazenda em Mato Grosso, com 22 mil hectares, a Casa Branca trabalha com o melhoramento genético das raças angus, brahman e simental. E agora está investindo pesado também no programa de genômica, analisando o DNA de todos os animais da propriedade. “Com três anos de trabalho, já temos mais de três mil animais genotipados”, conta o gerente de Pecuária da Casa Branca, Heitor Pinheiro Machado.

Machado explica que a Fazenda deu um novo e importante passo para intensificar ainda mais o melhoramento genético e proporcionar máxima garantia de qualidade e confiabilidade dos animais em termos de funcionalidade, produtividade, eficiência e adaptabilidade. “Estamos fazendo a genotipagem em todos os animais do plantel. São mais de 1,5 mil produtos para coleta de DNA e análise. Esse trabalho nos permitirá diferenciar o nosso programa de melhoramento, atendendo as necessidades da pecuária moderna”, explica.

Ele informa que a fazenda buscou parceria com especialistas, como a equipe da Universidade Federal de Lavras (UFLA), liderada pela professora Sara Meirelles, que desde 2012 coordena provas de desempenho em touros jovens da propriedade; e do professor José Fernando Garcia, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), campus de Araçatuba, que é responsável pela genotipagem em chip de alta densidade de todos os animais. “O nosso objetivo é que em um futuro próximo a Casa Branca selecione os animais e faça o acasalamento na genealogia ou nos fenótipos desejados. Dessa forma, aumentaremos o ganho genético e teremos respostas à seleção mais rápido do que os métodos tradicionais de seleção”, afirma o gerente.

Neste projeto, Machado explica que a UFLA segue responsável pelas provas de desempenho e auxilia na coleta de dados fenótipos. Também irão ceder para essa fase da seleção genômica amostras de DNA os animais da Casa Branca que se encontram no banco de dados. “Dessa forma, será possível realizar um estudo de associação dos marcadores moleculares com fenótipos de interesse”, diz.

Para isso, o professor José Fernando Garcia coordenará o envio das amostras para o laboratório e a análise dos resultados, além de auxiliar na seleção e futuros acasalamentos. Garcia destaca que, na fase inicial, o projeto de genômica da Casa Branca está voltado para a seleção de bovinos angus e simental adaptados às condições tropicais. Já a próxima fase do investimento envolverá a análise da raça brahman. “Esse investimento permitirá à Casa Branca identificar e selecionar os animais mais resistentes e adaptados mais rapidamente, criando com isso a diferenciação necessária para a maior difusão das raças angus e simental no Brasil central”, explica Garcia. A finalidade do projeto, segundo ele, é ter uma genética ainda mais produtiva e confiável para contribuir para o crescimento da pecuária brasileira.

O objetivo da Casa Branca, de acordo com Machado, é selecionar animais que produzem mais e melhor, crescem mais rápido e cheguem a idade de abate mais cedo. “O resultado é a contribuição ao contínuo melhoramento dos indicadores de produção e reprodução da pecuária brasileira, seja na fertilidade sexual, velocidade de acabamento, qualidade da carne e, o mais importante, a funcionalidade”, afirma. Ele explica que dessa forma o produtor tem animais rigidamente selecionados para gerar bezerros mais pesados e com rápido ganho de peso, além de mais resistentes a pragas e parasitas.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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