Futuro - 18.09.2017

Genética do futuro vai atender necessidades específicas, como peso ao abate

Há outros itens que passaram a ser incorporados no trabalho por exigências do consumidor, que agora quer uma ave que gere menos resíduos e que goze de bem-estar

- Jonas Oliveira/ANPr

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A genética é uma das responsáveis pelos altos índices de produtividade alcançados na avicultura de corte brasileira e mundial. Para se chegar a uma ave considerada ideal, são pelo menos dez anos de estudos, pesquisas e testes, até que animais com determinada característica sejam alojados nos galpões. Melhorar a conversão alimentar e aumentar o ganho de peso são algumas das características que as casas genéticas buscam em seus melhoramentos, mas há outros itens que passaram a ser incorporados no trabalho por exigências do consumidor, que agora quer uma ave que gere menos resíduos e que goze de bem-estar.

O jornal O Presente Rural entrevistou com exclusividade o gerente de Produto da Cobb, Rodrigo Terra, e o diretor de Genética da Cobb, Frank Siewerdt, para saber um pouco mais sobre o passado, o presente e o futuro da genética na avicultura. “A genética usada no Brasil para produzir o griller e para frangos pesados é a mesma. No futuro haverá material genético especializado para otimizar a produção em cada faixa de peso”, garante Siewerdt. Confira.

O Presente Rural (OP Rural) - O que mudou da galinha de 50 anos atrás para o frango de hoje?

Rodrigo Terra (RT) - Hoje o frango tem muito mais carne que há 50 anos e é muito mais eficiente em relação ao consumo de ração para produzir um quilo de peso vivo.

OP Rural - Quando e por que a genética foi introduzida na produção de proteína animal?

RT - A genética foi introduzida no melhoramento de aves por volta do início dos anos 1900, apesar de haver relatos de que, antes mesmo aqui no Brasil já haviam iniciado estudos em aves domésticas com o objetivo de melhorar a produtividade das fêmeas. Depois disso se identificou a possibilidade de produzir mais carne por animal, ainda na primeira década do século, com a comercialização de aves de cor branca, para o mercado de frango de corte.

OP Rural - Quando o Brasil passou a usar a genética na avicultura?

RT - Entre os anos 60 e 70, aves de casas genéticas já eram importadas para o Brasil, estimuladas pelas agroindústrias que iniciavam suas atividades com aves da metade dos anos 50 em diante.

OP Rural - O que define a atual genética no Brasil?

RT - Vários itens definem a genética de hoje. Muitos atendem a saúde dos animais e seu impacto no meio ambiente. Para que tenhamos uma ideia, são mais de 50 itens avaliados, por animal ou família, para que um indivíduo seja introduzido no sistema de pedigree. O objetivo do desenvolvimento genético é produzir um animal sadio que produza carne sadia em quantidade, a um custo acessível à população. Todos os anos, produzimos uma pequena melhora nos itens avaliados, que se traduzem no produto final frango de corte. No final dos anos que se passaram, estas melhoras acumuladas nos trouxeram ao frango de hoje, muito melhor e mais eficiente que o frango de 50 anos atrás.

OP Rural - O que a genética tem a ver com a exigência de mercados por determinados produtos?

RT - A genética responde às exigências do mercado. Se adapta ao que o consumidor deseja no produto e o desenvolve para atendê-lo.

OP Rural - Em que frentes a genética atua?

RT - A genética trabalha em duas frentes, basicamente: produtivas e econômicas, que exigem um equilíbrio na cadeia produtiva, que se traduz em ganho econômico. Além destas duas frentes, o mercado exigiu que incluíssemos no programa uma outra frente de trabalho que atendesse às necessidades de bem-estar e impacto ambiental. Ganho de peso e conversão alimentar estão fortemente conectados com características produtivas e econômicas, assim como impacto ambiental (melhor conversão, menos dejetos). A imunidade se conecta com bem-estar animal, pois aves com boa imunidade não são acometidas por enfermidades, como uma outra que não foi desenvolvida para esta característica.

OP Rural - Como o Brasil conseguiu chegar a atual genética?

RT - As grandes casas genéticas têm unidades de produção aqui no Brasil para atender a demanda do nosso mercado com suas melhores e mais atualizadas versões de produto, que constantemente recebem as melhoras da casa matriz.

OP Rural - Para ser lançada uma nova linha genética é necessário quanto tempo de estudo?

Frank Siewerdt (FS) - São cinco anos de desenvolvimento, dois ou três para testes a campo e mais três para entrada no mercado. O ciclo todo leva, no mínimo, dez anos.

OP Rural - O Brasil perde em algum sentido para a genética de outros países produtores?

RT - Não perde, pois as casas genéticas mantêm as suas linhas genéticas atualizadas aqui no Brasil. Estamos no mesmo nível de desenvolvimento dos outros países produtores.

OP Rural - Qual o peso da genética na avicultura?

RT - Sem o melhoramento constante que se executa hoje não teríamos como atender a demanda crescente de proteína animal acessível, como é o caso da carne de frango.

OP Rural - Qual é o futuro da genética na avicultura?

FS - Os produtos de hoje são muito versáteis e atendem a diversas faixas de mercado, mas a tendência é de especialização, com diferentes produtos atendendo a necessidades específicas de mercado. Por exemplo, a genética usada no Brasil para produzir o griller (ave de 1,4 kg) e para frangos pesados (2,8 kg) é a mesma. No futuro haverá material genético especializado para otimizar a produção em cada faixa de peso.

Mais informações você encontra na edição de Aves de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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