Piscicultura - 10.05.2016

Frangos, suínos… destaque do Paraná agora é o peixe

Com produção crescente, a piscicultura é mais uma cadeia que os produtores brasileiros têm investido pesado
Casal Wanderlei André Gregory e Jaina Hermann Gregory já trabalha com a piscicultura há três anos, e veem bons resultados na cadeia produtiva

Casal Wanderlei André Gregory e Jaina Hermann Gregory já trabalha com a piscicultura há três anos, e veem bons resultados na cadeia produtiva - O Presente Rural

Há três anos trabalhando com piscicultura, os produtores Wanderlei André Gregory e Jaina Hermann Gregory já conseguem sentir a diferença no bolso com a atividade. Com 14 mil metros quadrados de lâmina d'água e uma produção de 30 mil quilos por ano, o casal vê na produção de tilápias uma ótima opção para garantir mais renda na pequena propriedade rural em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná. A região tem quase 50% do Valor Bruto de Produção (VPB) da piscicultura do Paraná, Estado que deve registrar o maior aumento da atividade no país em 2016: 22%.

Apesar de integrado, Wanderlei está na dúvida se continua com o modelo ou se parte para a produção independente. “Temos parceria com cooperativas, que nos auxiliam tanto na parte de alevinos quanto de ração, além de levarem os peixes até o frigorífico. Mas estou pensando em começar a fazer sozinho, pois acredito que o lucro é maior”, explica Gregory.

É na propriedade que, além dos peixes, os dois também se dedicam à avicultura, suinocultura e plantação de um pequeno pedaço de terra.

O caminho que o casal começou a trilhar há três anos têm sido o mesmo que outros produtores da região. “A piscicultura ainda é uma atividade pequena no Estado, mas que está em franco desenvolvimento. O movimento começou com o advento dos pesque-pagues na década de 90 e, depois, com campanhas de fomento e investimentos em abatedouros”, diz o técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), responsável pelos estudos no setor, Edmar Gervásio.

Maior produtor do Estado, o município de Maripá, aumentou em 27% a produção de peixes em 2015, para 6,65 mil toneladas. Atualmente são 89 famílias envolvidas diretamente com a atividade. O principal destino dos peixes são os cerca de 18 frigoríficos de pequeno, médio e grande portes em atividade na região, que compram 80% da produção dos piscicultores. Os 20% restantes são vendidos para outros Estados, como São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

“A produção cresce com a combinação da boa rentabilidade da atividade nos últimos anos com a expansão dos abatedouros”, diz Cesar Ziliotto, chefe do Instituto Emater em Maripá. A empresa de assistência vem trabalhando com os piscicultores para aprimorar a tecnologia de produção, com acompanhamento dos custos e construção dos viveiros. O apoio técnico tem garantido maior produtividade. “Há potencial para a região dobrar a produção nos próximos cinco anos”, diz.

E a população do município acredita nisso. O piscicultor Sandro Rohling, que trabalha há 16 anos na atividade, tem investido pesado. A propriedade do maripaense possui cinco hectares com 50 mil metros de lâminas d'água. “Percebi que com o passar do tempo, outros produtores também foram aderindo a piscicultura aqui no município, o que foi muito positivo, porque notamos que houve profissionalização da atividade. Agora, as pessoas sabem o que estão fazendo, não é amadorismo”, comenta. A propriedade é tocada por ele, e pelo pai, seu Eleutério Rohling, que juntos produzem cerca de 500 toneladas de tilápia por ano.

Apesar da quantidade de cooperativas que existem na região que apoiam e auxiliam produtores, pai e filho preferem a produção independente. “Não somos cooperados a ninguém, fazemos a atividade por conta própria”, conta. A família sustenta a propriedade somente com a piscicultura, não tendo nenhuma outra atividade desenvolvida. “Temos um pouco de soja e milho plantados, mas o nosso foco é mesmo a piscicultura, é nela que investimos”, afirma.

Para se atualizar de assuntos referentes a atividade, os Rohling participam da Associação dos Aquicultores de Maripá (Aquimap), que reúne produtores de todo o município para auxiliar na assistência técnica, mas principalmente na troca de informações sobre piscicultura.

Investimentos

Pelo menos dois grandes investimentos de cooperativas devem impulsionar a produção de peixes no Estado. A Copacol, que em 2008 inaugurou seu abatedouro em Nova Aurora (PR), tem planos de dobrar a produção – para 140 mil tilápias por dia – até 2018. A cooperativa está investindo R$ 80 milhões na expansão. A ideia é dar alternativas de renda para o cooperado. Hoje são 170 integrados na produção de peixes da cooperativa. O objetivo, de acordo com a Copacol, é que esse número chegue a 300 em 2018.

A C.Vale, de Palotina, prepara sua estreia no setor e iniciou a construção de um abatedouro de peixes com investimento de R$ 80 milhões. A cooperativa vai processar, inicialmente, 50 toneladas por dia. O complexo, que deve ser inaugurado no primeiro trimestre de 2017, vai ficar junto ao parque avícola da cooperativa e gerar 250 empregos diretos.

 

Mais informações você pode conferir na edição impressa de Suínos e Peixes de maio ou online.

Fonte: O Presente Rural

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