Mercado Internacional - 07.08.2017

Frango vai dominar mercado mundial de proteína animal, defende secretária do IPC

Mesmo o Brasil sendo um grande e importante player no mercado internacional de frangos, é preciso ter cautela quanto as novas políticas que poderão ser adotadas no decorrer dos próximos anos

- Arquivo/OP Rural

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A montanha-russa que tem sido o mercado internacional, e principalmente nacional, nos últimos tempos, torna difícil entender o que está acontecendo até mesmo para aqueles que estão acostumados a lidar com ele. E entender como está se comportando quando o assunto é a avicultura brasileira é de suma importância. Para tentar explicar um pouco sobre como as coisas estão acontecendo e tirar algumas dúvidas a secretária geral do Conselho Internacional de Avicultura (IPC), Marília Rangel, falou durante a Conferência Facta, que aconteceu em maio, em Campinas, SP.

De acordo com ela, a carne de frango vai dominar, num futuro próximo, o consumo de proteína animal no mundo, ultrapassando a carne suína, e a cadeia brasileira precisa estar atenta às mudanças de mercado. “Esta é uma carne que não tem restrição, além disso, aqueles que começam a comer alguma proteína geralmente iniciam com a carne de frango”, comenta. Sem contar que a sustentabilidade na criação de frangos de corte comparada com outras proteínas, com a Pegada de Carbono e a Pegada Hídrica, são bastantes menores, na opinião de Marília.

A especialista conta que a importação de carne de frango também tem crescido nos últimos anos. Os países que são grandes importadores de proteína como Japão, México, Arábia Saudita, União Europeia e Iraque são mercados cativos do Brasil. Já quando o assunto é exportação, Marília explica que o Brasil é líder neste quesito em carne de frango desde 2004. “A tendência é que continue assim”, afirma.

Ela chamou a atenção para um país em especial, que está se tornando um grande competidor do Brasil quando o assunto é exportação da proteína: a Tailândia. “Este é um país com grande potencial que pode causar algum desconforto, não pelo volume, mas por conta de eles venderem muitos produtos em que nós nos especializamos a fazer, como o peito para a Europa, o pé para o Japão. Então, a Tailândia é aquele país que nós devemos olhar com cuidado”, frisa.

Sobre as exportações e a produção de carne de frango brasileiras, Marília conta que em 2002 a produção que era destinada à exportação no Brasil era de 21,6%. Já em 2016 este número subiu para 33%. Em receita, os números também impactaram. A especialista comenta que em 2006 os ganhos eram de US$ 3,2 bilhões e em 2016 esta quantia subiu para US$ 6,7 bilhões.

Marília diz que os preços do mercado local são sempre os mesmos, mas o Brasil manter este valor pode ser um pouco difícil, já que o poder de negociação dos importadores é bastante forte. “Saímos de preços que chegaram a US$ 4 mil, US$ 5 mil por tonelada e que hoje estão em US$ 1,8 mil a tonelada em determinados mercados”, explica.

E falando um pouco sobre os mercados atendidos pelo Brasil, a especialista diz que a Arábia Saudita sempre foi um grande importador, representando 17,6% em 2016 do montante repassado pelo Brasil. Já para a União Europeia, os valores são um pouco mais tímidos. Marília explica que o Brasil exporta um volume de 450-500 mil toneladas para lá. “Enquanto a política de cotas não for modificada, sempre vamos estar neste patamar. Porque, se nós exportarmos fora da cota nós pagamos, somente de tarifa, um valor de US$ 1,3 mil por tonelada. É um valor absurdo que inviabiliza a exportação fora da cota”, explica.

Uma boa notícia dada pela especialista é que o mercado brasileiro de exportação de frangos não depende exclusivamente de nenhum país. “Não estamos falando que se fechar algum mercado não tem problema, é claro que tem, qualquer mercado que se feche é bastante problemático. Mas, ao mesmo tempo em que outros produtos, outras proteínas, dependem 50% de somente um país, quando se fecha o problema é muito maior, e a avicultura não tem esta dificuldade”, avalia. Os produtos avícolas brasileiros são exportados para 160 países.

Incertezas

Entre as incertezas do mercado internacional, a especialista explica que o que se pode esperar para os próximos anos ainda há dúvidas. Isso porque ainda há insegurança sobre a política comercial do presidente norte-americano Donald Trump, já que não se sabe quais são as decisões que ele tomará sobre os acordos que estavam sendo negociados e também os acordos que já estão ajustados, com o Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio), por exemplo. “Ainda não sabemos quais os impactos destas possíveis mudanças”, diz.

Ela ainda alerta que o mercado mexicano merece atenção, principalmente por conta das políticas que poderão ser adotadas pelo novo presidente estadunidense. “Hoje, o México importa a maior parte da carne de frango dos Estados Unidos. E quem vai suprir esse volume que vai para o México caso o Nafta deixe de existir? As preferências comerciais serão renegociadas. Isso é algo que precisamos olhar com cuidado”, alerta.

Outro fato que pode impactar o Brasil é a saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit. “Nesse caso, devemos pensar em como vai ficar a cota. A União Europeia vai negociar as concessões novamente? A última vez que isso aconteceu levou quatro anos para ser implementada”, lembra. Mas, para Marília, o Brexit pode ser algo positivo para o Brasil, isso porque o Reino Unido tem uma mentalidade mais aberta, e assim os brasileiros poderão ter um maior diálogo para negociação. “Nestes próximos anos os impactos das mudanças serão palpáveis. A política dos Estados Unidos ainda é muita falação, mas o Brexit está acontecendo de fato”, afirma.

Já sobre o crescimento de mercados, a especialista comenta que a China está desacelerando. Para ela, a Índia é um país que daqui há dez anos será a nova China, isso por conta do grande potencial que o país tem. “Existem ainda alguns problemas sérios, mas eles têm melhorado. O investimento feito lá é diferente do feito pelo governo chinês, mas o crescimento da Índia eu acredito que seja real”, diz.

Desafios

Uma afirmação feita por Marília que deixou muitos profissionais preocupados foi sobre a Influenza Aviária (IA). Para ela, esta é uma doença que veio para ficar. “Não conseguimos mais não ter; a IA está aí”, diz. Ela afirma que o IPC acredita que a IA pode apenas ser controlada. “Nós devemos começar a pensar em como lidar com o paradigma de uma doença que existe e vai continuar existindo. O que vai acometer, países grandes ou pequenos, e como cada um agirá com um surto da doença”, diz. Para ela, o melhor a ser feito é chegar a um consenso de como tratar sobre o tema, do que todos os países ficarem discutindo. Isso, principalmente por conta das barreiras comerciais que são criadas.

Para ela, outro assunto que deve ser tratado com muita cautela é o bem estar animal. “Até que ponto conseguimos atender o que estão pedindo, o que algumas ONGs estão dizendo que é melhor”, diz. Ele afirma que cabe a todos, como indústria, dizer o que é melhor. “Porque nós da indústria falamos pouco”, afirma. Para Marília, o grande desafio é encontrar o equilíbrio entre segurança alimentar e ações que são realmente importantes. “Nós precisamos tomar cuidados para não virar uma ideologia e extrapolar na questão bem estar animal. Temos que pensar quanto está sendo proposto por alguma ONG sem trazer benefício nenhum para a cadeia e até que ponto está sendo proposto para melhorar ao consumidor”, afirma. “Só estamos acatando as regras, não estamos ajudando a construí-las. Isso precisa mudar”, complementa.

Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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