Genética - 22.02.2018

Frango fica mais pesado e eficiente ano após ano

Profissional de uma das maiores empresas genéticas do mundo explica que as aves brasileiras ganham até 70 gramas a mais a cada ano. Evolução do peso de abate ajuda a diluir custos da indústria

- Arquivo/OP Rural

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Será que a indústria avícola brasileira vai abater frangos com 3,5 quilos de peso vivo? Ou mais? Pelo andar da carruagem, parece que sim. A cada ano, as granjas de todo o país estão produzindo lotes de aves cada vez mais pesadas com a mesma idade de abate. Em 2017, diversas companhias processaram frangos de corte com três quilos, o que era inimaginável no início dos anos 2000, quando os animais eram abatidos com 2,2 quilos em média. A cada ano, as aves ganham até 70 gramas a mais no mesmo tempo de alojamento. O motivo para abater aves mais pesadas é simples: redução de custos.

O mestre em Ciências Veterinárias, Vitor Hugo Brandalize, que integra a equipe de suporte avícola de uma das maiores companhias genéticas do mundo, garante que as aves brasileiras vão ficar cada vez mais pesadas, a exemplo do que acontece nos Estados Unidos, país que já abate frangos com quatro quilos de peso vivo. Brandalize explica que nos últimos anos a demanda por carne de frango aumentou muito no mundo por conta do aumento da renda das pessoas, o que contribuiu para o avanço da avicultura a ponto de a carne de frango tornar-se, de acordo com ele, a mais consumida no planeta, ultrapassando a carne suína.

“A economia mundial vem crescendo nos últimos anos com números expressivos. Em 2017 os índices foram superiores a 3,5% e com uma projeção de crescimento de 3,6% para 2018. Existe uma correlação diretamente proporcional entre o PIB dos países e o consumo de proteína animal. Como o PIB vem crescendo no mundo, o consumo de proteína animal vem crescendo também. Como a carne de frango é uma fonte proteica de excelente qualidade e sem nenhuma restrição, seja religiosa, nutricional, etc., além de ser mais barata em relação às outras fontes de proteína animal, a produção e o consumo de frangos no mundo estão crescendo acima das outras fontes proteicas”, cita. “Atualmente, a carne de frango é a carne mais consumida no mundo!”, assinala Brandalize.

Mesmo com o consumo aumentando ano a ano - o brasileiro consumiu 42 quilos de carne de frango/per capita em 2017, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) -, explica Brandalize, as empresas e cooperativas integradoras estão tendo queda nos lucros por conta da elevação dos custos. Para combater esse problema, estão investindo em aves cada vez maiores. A cooperativa Copagril, de Marechal Cândido Rondon, PR, por exemplo, aumentou o peso de abate de 2,7 para três quilos em 12 anos atuando na avicultura. “Embora o consumo de carne de frango esteja crescendo no Brasil e no mundo, as empresas produtoras deste alimento estão enfrentando alguns desafios, como o aumento dos custos dos grãos, da mão de obra, dos fretes terrestres e marítimos, da energia elétrica, entre outros. No Brasil, anualmente os custos de mão de obra aumentam mais que 10%, lembrando que este é o segundo maior custo das plantas frigoríficas, ficando atrás apenas do custo da matéria prima, ou seja, do frango vivo. Em contrapartida, as empresas têm dificuldades para repassar estes custos para o cliente final. Portanto, uma forma de diluir este aumento de custos é aumentando o peso de abate das aves, pois o mesmo colaborador que processa um frango de 2,0 Kg processará um frango com mais de 3,0 Kg”, aponta o profissional de Suporte Técnico da Cobb-Vantress.

Mais eficiência

Brandalize atribui a quatro fatores essenciais que contribuem para que as aves ganhem mais peso em um mesmo tempo, com destaque para a seleção genética. “Estes fatores são sanidade, manejo, nutrição e genética. Todos eles são muito importantes, no entanto os programas de seleção genética são os grandes responsáveis por estes ganhos”, aponta.

Ele explica que as companhias selecionam aves cada vez mais eficientes em várias características, como eficiência alimentar. “As companhias de melhoramento genético utilizam muitas características durante o processo de seleção das aves, mas os fatores mais importantes nestes programas de seleção nos frangos de corte são peso médio (ganho de peso diário), conversão alimentar e rendimento de carcaça”, enumera. “Todos os anos, estas aves serão mais pesadas - quando comparamos com a mesma idade -, apresentarão uma maior eficiência alimentar e um maior rendimento de carcaça”, evidencia o profissional.

A cada ano, o frango atinge a idade de abate pelo menos 50 gramas mais eficiente. Ou seja, esse frango não vai comprometer, por exemplo, o número de lotes/ano produzidos. “Devido ao programa de seleção genética, anualmente para uma mesma idade de abate as aves ganham entre 50 e 70 gramas, portanto, as empresas podem aumentar o peso médio das aves sem comprometer a idade de abate”, argumenta.

De acordo com ele, hoje a avicultura brasileira abate em média frangos com 2,94 quilos. “O desempenho de um frango, como GPD, conversão alimentar, tempo para abate e peso, depende da eficiência de cada companhia, no entanto, no Brasil as aves apresentam um desempenho próximo à peso médio de 2,94 Kg, conversão alimentar ajustada (2,70 Kg) igual a 1,74 e idade de abate aos 46 dias”, aponta Brandalize. “Muitas empresas no Brasil abatem frangos com pesos superiores a três quilos. Devido ao aumento dos custos de mão de obra especialmente, as empresas estão aumentando os pesos de abate dos frangos anualmente”, reitera.

Bom para a indústria e para o produtor

Se para a indústria produzir aves mais pesadas dilui custos e melhora a rentabilidade da atividade, para o avicultor é também um bom negócio. Ele explica que as integradoras pagam mais para produtores que atingem melhores níveis de conversão alimentar, e essa característica vem sendo aprimorada nas aves modernas. “Além de não comprometer o tempo de abate, existe uma melhoria contínua na conversão alimentar das aves, o que beneficia os produtores, pois na ampla maioria das empresas a conversão alimentar possui um grande impacto no sistema de remuneração do integrado”, indica.

E o consumidor?

Mas quem está definindo esse cenário: o consumidor ou a indústria? Para Brandalize, “existe um equilíbrio entre o consumidor e a indústria, mas indiferente do segmento de negócios, existe uma regra na qual o consumidor acaba determinando a tendência e o futuro dos negócios, sempre!”.

Para ele, o brasileiro vai encontrar cortes cada vez maiores nos supermercados. “O aumento do tamanho das aves proporciona um aumento no tamanho dos cortes destes frangos -partes. O peito e as pernas representam mais que 50% do peso total destes frangos, portanto o consumidor poderá encontrar nos mercados estas partes com tamanhos maiores”, destaca.

Sendo o Brasil o maior exportador de frangos do mundo, é preciso entender também outros mercados. De acordo com Brandalize, atualmente cerca de 40% dos frangos produzidos nos Estados Unidos já são abatidos com 3,5 quilos e que há experiências com aves de até quatro quilos. “Nos Estados Unidos, eles comercializam grande parte dos produtos processados, como peito filetado, nuggets, etc., o que permite que possam ser abatidas aves muito pesadas, já que as partes dos frangos serão segmentadas. Como no Brasil, as companhias americanas estão aumentando anualmente o peso de abate das aves, no entanto, eles iniciaram este processo antes nós. Lá existem muitas companhias que abatem frangos com um peso médio superior a quatro quilos”, destaca.

Investimentos

Para Brandalize, as mudanças sugerem que as empresas produtoras de carne de frango terão que investir em suas plantas frigoríficas, com destaque para a automação e redução de atividades manuais. “Para que isto seja factível, as empresas precisarão fazer investimentos em equipamentos nas plantas frigoríficas, além de desenvolver um novo perfil do mercado consumidor. Em contrapartida, devido ao aumento dos custos de mão de obra, que são contínuos, as empresas precisarão desenvolver um plano de investimentos através da automação para diminuir a dependência de atividades manuais, com equipamentos que permitam processar estas aves”, cita Brandalize.

Mais informações você encontra na edição de Aves de fevereiro/março de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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