Nutrição - 02.07.2018

Florfenicol: Uma molécula com eficácia terapêutica

Utilização do florfenicol como substituto aos antibióticos rotineiramente utilizados sugere ser uma maneira eficaz no controle dos desafios causados pela E. coli multirresistente

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Mauro Felim, Felipe Chiarelli e Eduardo Armanini da Vetanco Brasil

A resistência bacteriana aos antimicrobianos utilizados na medicina humana e veterinária tornou-se um problema clínico e de saúde pública. As infecções causadas por cepas de microrganismos resistentes e multirresistentes, como o mecanismo de via beta-lactamase de aspecto estendido (ESBLs) e também as carbapenemases, tornam o seu controle um verdadeiro desafio, levando a elevados custos com medicações para o tratamento, falha terapêutica e até ao óbito.

A colibacilose é um termo comumente empregado para designar as infecções causadas pela Escherichia coli nos animais. Segundo um estudioso, a E. coli atualmente é considerada um dos agentes principais das toxinfecções alimentares relacionadas ao consumo de produtos provenientes da produção animal. Na avicultura industrial moderna, a colibacilose é vista como uma das principais doenças, sendo responsável por causar mundialmente enormes prejuízos econômicos. As cepas de E. coli patogênicas para aves (Apec) podem ser responsáveis por causar quadros de aerossaculite, poliserosite, septicemia, doença respiratória crônica complicada (DRCC) e outras doenças intestinais nas aves.

A proibição no uso de diversos antibióticos, como a colistina (polimixina E), na produção animal brasileira, em conjunto com o aparecimento de cepas de E. coli resistentes e multirresistentes, tem dificultado o seu controle e tratamento na avicultura. Devido à rápida disseminação dos genes de resistência entre os microrganismos, o aparecimento de cepas multirresistentes aos antibióticos atualmente utilizados é grande. Em 2015, outro pesquisador encontrou uma alta frequência de genes de resistência à tetraciclina, ácido nalidíxico e ampicilina em cepas isoladas de carne de frango, no qual 79,3% das cepas foram resistentes a 3 ou mais antibióticos e todas as cepas possuíram no mínimo resistência a 1 antimicrobiano.

O aparecimento de cepas multirresistentes de E. coli aos antimicrobianos comumente utilizados ressalta a necessidade da utilização de um fármaco que consiga controlar de forma eficaz a sua incidência. A utilização do florfenicol em substituição aos antibióticos usualmente utilizados pode ser uma nova opção para o controle das cepas multirresistentes. A sua molécula possui uma considerável atividade contra bactérias gram negativas e gram positivas resistentes a outros antibióticos, tendo a capacidade de interferir na síntese proteica na subunidade 50s do ribossomo procarioto 70s, o que causa inibição na formação das ligações peptídicas durante o alongamento da cadeia, podendo atuar tanto como bactericida quanto bacteriostático.

Para nos mantermos em uma produção avícola de destaque mundial, garantindo o bem-estar das aves, produzindo da maneira sustentável e segura, a utilização do florfenicol como substituto aos antibióticos rotineiramente utilizados sugere ser uma maneira eficaz no controle dos desafios causados pela E. coli multirresistente.

Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2018.

Fonte: O Presente Rural

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