Avicultura - 10.11.2017

“Finalmente o mercado se equilibrou para quem produz frango”, avalia especialista em mercados

Alexandre Mendonça de Barros destacou projeções para cerca de 1,5 mil produtores de aves, ovos e suínos, em agosto, na cidade de Medianeira, PR
Especialista em mercados, Alexandre Barros, espera retomada do consumo das principais carnes no Brasil

Especialista em mercados, Alexandre Barros, espera retomada do consumo das principais carnes no Brasil - OPRural

O consumidor brasileiro aos poucos vai retomando seu poder de consumo e, aos poucos, comendo mais carne. Essa é uma das perspectivas do analista de mercado Alexandre Mendonça de Barros, que discursou para 1,5 mil produtores de aves, ovos e suínos do Oeste do Paraná no dia 15 de agosto. A palestra abriu os trabalhos do Fórum Lar Agro, evento voltado ao conhecimento e negócios da cooperativa Lar. Para Barros, a tendência é de custos e preços estáveis para o produtor de frango e retomada do mercado perdido com a crise que se instalou em 2014 e se agravou no ano passado.

Isso mesmo. Até o frango perdeu espaço no mercado brasileiro. Aliás, só o ovo é que se saiu bem no cenário criado pela conjuntura político/econômica brasileira, afirma o especialista. “De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no último ano só o consumo de ovos aumentou entre as proteínas animais. Tivemos queda no consumo de carnes no Brasil. Incrível, mas tivemos até queda do consumo de frango”, cita. De acordo com ele, mesmo mais acessível das carnes e de maior consumo, o frango perdeu espaço, mas não foi o mais afetado. “Houve queda no consumo de leite. Aliás, faz dois anos seguidos que isso acontece. Essa queda seguida não ocorria há 15 anos”, pontuou. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o consumo per capita de carne de frango no Brasil caiu de 43,25 quilos/ano em 2015 para 41,10 quilos no ano passado.

Segundo ele, todas as carnes, que competiram mais acirradamente entre si durante a recessão, começam a reconquistar seu espaço no prato do cidadão. “A gente começa a ver um ciclo de recuperação de preços do frango, assim como do gado e suínos. Finalmente o mercado se equilibrou para quem produz frango e suínos”, aposta Barros. Apesar disso, ele ressalta que os preços ainda podem ser melhores. “Com menos carne de frango no mercado interno tem que subir o preço, mas isso não aconteceu até agora”, disse.

Para ele, o setor de ovos, naturalmente, deve ceder esse espaço retomado pelas carnes, mas, em sua opinião, manterá bom desempenho. “O setor de ovos está em um cenário muito positivo. Porém, com a economia se recuperando, o consumo de frango se recupera e o consumo de ovos perde relevância com relação a essa fase exuberante que estamos vivendo”, analisa.

De acordo com ele, o aumento de consumo de todas as carnes diminui a concorrência entre elas pelo mercado, estabilizando preços. “No ano passado houve uma briga por market share (cota de mercado, na tradução livre). Essa disputa gerou preços baixos. Agora, parece que se reequilibrou. Um cenário mais firme faz a concorrência diminuir um pouco”, aposta.

Conforme Barros, no auge, o consumo de carne vermelha do brasileiro chegou a 40 quilos per/capita/ano, mas recuou para 36 quilos há quatro anos e hoje está entre 25 e 26 quilos. O frango veio ganhando espaço, mas o desempenho neste ano é menor. “Até os sete primeiros meses do ano caiu o consumo de frango no Brasil. O ovo foi o grande ganhador desse momento porque o cinto apertou para os brasileiros. O leite foi o mais afetado, mas incrivelmente o frango, alimento mais barato, também sofreu consequências”, cita.

Em sua opinião, as boas safras de milho e soja garantem estabilidade nos custos de produção até o início de 2018. “Quem produz proteína animal vai ter um grande alívio de custos esse ano e no começo do ano que vem. E se a safrinha (2018) for boa, esse custo pode ficar bom até o fim do ano que vem”, destaca.

JBS

De acordo com o analista, os começam a diminuir os reflexos dos escândalos envolvendo as empresas do grupo J&F, líder do setor de carnes. “O mercado do boi cedeu muito pelos problemas de caixa da JBS, responsável por 27% do abate de carne vermelha no Brasil. “Pressionado pelo momento de tensão da empresa líder de carne vermelha, a proteína caiu de preço. Com o frango também. Só a Seara representa 22% do frango do Brasil. Se juntar com a BRF, dá quase a metade. Mas de um mês para cá, o cenário mudou e o preço reagiu. É um resultado relevante. Isso aconteceu muito porque a JBS conseguiu renegociação com bancos para pagar só juros por um ano e liberaram a venda dos ativos. Alguns, como Alpargatas e Vigor, já foram vendidos”, apontou.

Mais informações você encontra na edição de Aves de Setembro/ Outubro de 2017 ou online.

 

Fonte: O Presente Rural

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