Micotoxinas - 03.04.2017

Ferramentas apoiam uso economicamente eficiente de adsorventes

Há um modelo de ferramenta de avaliação desenvolvido para identificar fatores de risco e calcular a probabilidade de encontrar altos níveis de micotoxinas na dieta

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Elise Nacer Khodja, Departamento técnico da Olmix

As micotoxinas são metabólitos tóxicos produzidos por vários tipos de fungos frequentemente encontrados em alimentos ou insumos. Os efeitos tóxicos das micotoxinas variam, podendo ser hepatotóxicas (aflatoxinas), estrogênicas (zearalenona), imunotóxicas (patulina, tricotecenos, fumonisinas), nefrotóxicas (ocratoxina A), neurotóxicas (toxinas termorgênicas, alcaloides do ergot) e até mesmo carcinogênicas. No campo, um dos efeitos mais importantes das micotoxinas (principalmente dos tricotecenos) é o impacto sobre a conversão alimentar, em grande parte devido à diminuição da absorção intestinal dos nutrientes. Estes fatores promovem a redução do desempenho, bem como o aumento da ocorrência de doenças e das desordens nas funções reprodutivas, ocasionando perdas econômicas relevantes.

Para facilitar a detecção das contaminações por micotoxinas, existem várias metodologias de diagnóstico. Entre elas, recomenda-se fazer uma avaliação do perfil de contaminação com as ferramentas indicadas a seguir. Há um modelo de ferramenta de avaliação disponível gratuitamente online desenvolvido para identificar os fatores de risco e calcular a probabilidade de encontrar altos níveis de micotoxinas na dieta com base na literatura científica. Esse diagnóstico classifica o risco em duas categorias - 1 para condições de produção e de armazenagem dos alimentos e 2 para efeitos observados nos animais.

Se os resultados desta avaliação indicarem uma probabilidade alta de contaminação, é recomendável realizar uma análise laboratorial de micotoxinas seguindo as devidas recomendações prévias de amostragem. Desta forma, pode-se confirmar os níveis reais de contaminação de maneira qualitativa e quantitativa, dependendo do tipo de análise que será realizada.

Mediante a confirmação e quantificação da contaminação, é fundamental introduzir ou aprimorar as estratégias de adsorção de micotoxinas. Soma-se a isto o cumprimento de boas práticas na propriedade, que associadas reduzem o impacto das micotoxinas no desempenho dos animais. O uso de adsorventes de micotoxinas de amplo espectro é um elemento chave para reduzir os efeitos das micotoxinas de maneira segura e eficiente. Neste contexto, há uma tecnologia de última geração presente em mais de 70 países e também disponível no mercado brasileiro. Trata-se uma combinação sinérgica entre argilas e algas marinhas, que permite aumentar o espaço interlaminar de uma argila utilizando polissacarídeos marinhos sulfatados. Esta nova tecnologia permite a adsorção de micotoxinas com estruturas grandes e complexas, como por exemplo as fumonisinas e o deoxinivalenol. A multiplicação dos pontos de adsorção oferecidos pelos polissacarídeos marinhos sulfatados minimizam o fenômeno de dessorção das micotoxinas. A eficácia dessa nova tecnologia foi avaliada e comprovada no modelo in vitro dinâmico TIM-1 do instituto TNO, que simula as condições gástricas e permite medir a absorção intestinal. Foi comprovado neste modelo que o adsorvente oferece uma adsorção de fumonisina e deoxinivalenol superior ao carvão ativado.

Um teste in vivo realizado no instituto Samitec (Santa Maria, RS), em maio de 2016 comprovou a eficácia do adsorvente de micotoxinas contendo tecnologia da argila interespaçada por algas marinhas na redução dos efeitos deletérios que causam as micotoxinas nas aves. O estudo foi realizado em frangos de 1 dia até 21 dias de idade. A inclusão do adsorvente na dieta altamente contaminada pelas toxinas T-2/HT-2, fumonisinas e aflatoxinas permitiu melhorar significativamente o consumo de alimento, o peso corporal e o peso relativo do fígado dos frangos quando comparado aos animais expostos à contaminação por micotoxinas sem a inclusão do adsorvente. Esta inclusão de adsorvente na ração contaminada permitiu melhorar significativamente o índice Lamic/Samitec dos frangos quando comparado aos frangos alimentados com a dieta contaminada por aflatoxinas sem a inclusão de adsorvente (P≤0.05). Reduziu também de maneira significativa a razão Sa/So (esfinganina/esfingosina), um biomarcador usado para avaliar exposição a fumonisinas dos frangos comparado aos frangos alimentados com a dieta contaminada por fumonisinas sem adsorvente (P≤0.05). De acordo com os parâmetros avaliados, o adsorvente diminuiu significativamente (P≤0.05) os danos hepáticos e a deterioração de performances causados pela exposição a alta concentração de três tipos de micotoxinas.

Um teste em condições de campo, com o mesmo adsorvente foi realizado em uma integração de frangos no estado de São Paulo. As dietas aplicadas estavam naturalmente contaminadas por fumonisinas e a inclusão do adsorvente mencionado permitiu um aumento médio de 3,6% do peso corporal, uma diminuição média de 2,9% no índice de conversão, um aumento médio da viabilidade de 1,6% e uma diminuição média de 1,6% no uso de produtos veterinários quando comparado aos animais expostos à mesma contaminação, porém utilizando-se como ferramenta de controle ao risco de micotoxinas um adsorvente convencional. De acordo com os parâmetros medidos neste estudo, a adsorção das fumonisinas permitiu melhorar o desempenho e a saúde dos animais, assegurando um expressivo retorno do investimento realizado.

É comprovado que o uso de um adsorvente de micotoxinas de amplo espectro é de fundamental importância para a avicultura. É importante realizar um acompanhamento técnico constante nas propriedades, por meio das análises de risco, a fim de propiciar um diagnóstico rápido e assertivo, que reduzirá as perdas produtivas e consequentemente econômicas. Portanto, a adoção de uma correta estratégia de adsorção associada ao monitoramento regular permite otimizar os resultados zootécnicos, bem como obter uma maior lucratividade na atividade.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2017.

Fonte: O Presente Rural

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