Nutrição - 11.09.2017

Fêmeas de baixo peso ao nascer têm déficit no maquinário reprodutivo

Leitegadas de origem passa a ser avaliada também para saber o potencial produtivo dos animais

- Arquivo/OP Rural

Profissionais do Brasil e do exterior se reuniram em Porto Alegre, entre os dias 16 e 18 de maio, para a 10ª edição do Simpósio Internacional de Suinocultura, que movimentou a capital gaúcha com temas que tratam sobre a eficiência produtiva - e reprodutiva - da atividade no país. Tradicional evento técnico da suinocultura nacional, reúne profissionais de outros países da América Latina. O evento contou com 27 palestras técnicas apresentadas em meio de boas discussões. Os temas abordaram as áreas de reprodução, sanidade, nutrição e produção de suínos. O público foi composto por profissionais que atuam como formadores de opinião na produção de suínos do país.

Durante o painel Futuras Reprodutoras, a pesquisadora e professora da Universidade Federal de Minas Gerais, Fernanda Almeida, falou da importância não apenas de observar o número de leitões desmamados/porca/ano, mas também a taxa de retenção desse animal, para obter o real desempenho. De acordo com Almeida, quanto mais precoce a identificação das fêmeas e entrada no plantel de reprodução, maiores as chances de sucesso do processo reprodutivo.

Fernanda alertou, porém, que historicamente as fêmeas são selecionadas por idade, peso e composição corporal na primeira cobertura, mas atualmente há outros parâmetros, como idade ao primeiro parto, tamanho da leitegada, mortalidade pré-desmama, produção de leite e integridade do sistema locomotor. “O ideal seria termos alta longevidade e desempenho reprodutivo satisfatório”. Para isso, cita, “monitorar a fertilidade das fêmeas de reposição é fundamental”.

A fertilidade pode estar ligada ao peso do fenótipo ao nascer. De acordo com Fernanda, animais que nascem mais leves são propícios a ter leitegadas menores. Ela chamou a atenção para a redução do número folículos em fêmeas de baixo peso ao nascer. “Peso ao nascimento irá refletir diferenças de peso corporal aos 150 dias de idade, e a dinâmica folicular em fêmeas de baixo peso ao nascer sugere baixas taxas de ovulação, consequentemente, leitegadas pequenas”, assinalou.

De acordo com ela, um recente estudo realizado no Brasil avaliando fêmeas aos 150 dias de idade mostra que fêmeas de baixo peso apresentam composição estrutural ovariana igual, mas o tamanho dos folículos é maior em animais de alto peso - 3 a 5 mm. “O peso ao nascimento representa papel decisivo na reprodução”.

A canadense Jennifer Paterson, professora da Universidade de Alberta, também destacou que “o peso mais baixo ao nascer leva a desempenho reprodutivo mais baixo”. “Leitoas de menos de 1,1 quilo têm comprometimento, não têm maquinário reprodutivo suficiente para uma boa reprodução. E transferem essa característica de baixo peso para linhagens terminais”, enfatizou. Ainda de acordo com a estudiosa, “fenótipos de baixo peso têm mais problemas sanitários e de manejo”, entre outros pontos.

Em outro estudo sobre o efeito da leitegada de origem para determinar a produtividade da matriz e as estratégias de manejo para seleção para leitoas de reposição, Paterson diz que foram observados problemas também com leitoas de alto peso na primeira cobertura. “Leitoas de alto peso ao nascer também têm problemas. Se elas são pesadas demais na hora da inseminação, aumentam os custos de alimentação e são, em geral, descartadas mais cedo por problemas de reprodução”

Para ela, a suinocultura deve pensar em descartar matrizes com fenótipo de baixo peso para evitar problemas futuros e manter um peso mínimo ao nascer para todas as leitoas de reposição.

O Que Fazer

O pesquisador e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Fernando Bortolozzo, deu dicas aos participantes sobre como uniformizar matrizes que nasceram com baixo peso. Entre as dicas, Bortolozzo citou as mães adotivas que possam produzir mais leite, a integração desse fenótipo de baixo peso em leitegadas menores e rapidez na tomada de decisão.

“A uniformização da leitegada tem janela de tempo e está associada à imunidade celular, etc. Não pode ser nem muito cedo, nem muito tarde”. Ainda de acordo com Bortolozzo, o ideal é oferecer suplementação proteica e energética aos animais de baixo peso.

Em suas considerações, o pesquisador chamou a atenção para o foco do produtor em ações que melhoram a taxa de crescimento no período pré-desmame. Para reduzir a mortalidade, orientou para atenção especial aos três primeiros dias de vida, dando destaque para a ingestão de colostro e a manutenção da temperatura desses animais menores. Bortolozzo também enfatizou a importância de “evitar o excesso de peso no momento da puberdade”.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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