Tecnologias - 13.11.2017

Estudos revelam adaptação das raças sintéticas no Brasil

O ITU foi trazido como uma opção para avaliar as mudanças morfológicas no sêmen de acordo com o estresse ambiental

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Silvio Renato Oliveira Menegassi, médico veterinário doutor em Produção Animal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Carolina Berlitz, graduanda em Medicina Veterinária - UFRGS; Marcela Rocha, médica veterinária mestranda em Produção Aniamal - UFRGS e Júlio Otávio Jardim Barcellos, médico veterinário doutor professor da UFRGS

O estresse é a condição da demanda indevida de energia devido a fatores ambientais excessivos e aversivos que são identificáveis ​​por desequilíbrio fisiológico. Por exemplo, o estresse térmico (temperaturas, umidade, radiação etc.) transmite perdas físicas e econômicas à produção pecuária em regiões temperadas, subtropicais e tropicais do mundo. Uma vez que se reconheceu que os animais eram diferentes entre eles quanto à sua capacidade de enfrentar desafios ambientais, havia muitas tentativas de estabelecer algum tipo de critério para selecionar os melhores indivíduos para configurações específicas.

Portanto, muitos índices foram estimados a partir de medidas meteorológicas, como o Índice de Temperatura e Umidade (ITU). Isso representa o interesse em índices que suportam um gerenciamento ambiental racional e que permitem uma tomada de decisão adequada relacionada ao desempenho, saúde e bem-estar do animal em uma determinada região.

Considerando os problemas que o ambiente térmico causa ao desempenho produtivo, um zoneamento bioclimático regional foi proposto para o gado leiteiro, suínos e ovinos. Em relação à qualidade seminal do touro, já existem evidências de respostas animais diferentes nos mais variados ambientes. O ITU foi trazido como uma opção para avaliar as mudanças morfológicas no sêmen de acordo com o estresse ambiental. No entanto, mais experimentos devem ser realizados durante anos consecutivos para avaliar adequadamente o potencial de fertilidade.

Os principais tipos bovinos criados em todo o mundo são os Bos taurus indicus e os Bos taurus taurus, respectivamente os indianos e os taurinos. Os primeiros, de origem indiana e os demais, de procedência Europeia. Devido a sua completa inter fertilidade devem ser considerados como variações geográficas de uma mesma espécie.

Estudos das análises polimórficas nas regiões microsatélites e de sequência do DNA mitocondrial revelaram que os ancestrais dos zebuinos e dos taurinos divergiram algumas centenas de milhares de anos atras, e que resultam de eventos independentes de domesticação.

Taurinos e indicus possuem diferenças morfológicas e fisiológicas que refletem não só as mudanças ambientais onde esses animais se adaptaram, como diferentes seleções genéticas aplicadas ao longo do tempo.

No Brasil

Na pecuária brasileira, técnicas têm sido utilizadas para aumentar a eficácia e a eficiência da produção de animais, na tentativa de atender a grande demanda de carne pelo mundo, e principalmente, permitir uma expansão do mercado consumidor com um produto de melhor qualidade a um menor custo.

Entre muitas técnicas empregadas para alcançar esses objetivos está a miscigenação das raças, que visa alcançar mercados que ofereçam melhores alternativas econômicas para a compra de uma carne de melhor qualidade.

Raças Sintéticas

Considerando-se que, o rebanho brasileiro é nitidamente composto, em sua grande maioria, por Bos taurus indicus; que a precocidade reprodutiva e produtiva é uma característica melhor traduzida pelos Bos taurus taurus, da mesma forma que as características organolépticas e de maciez da carne; considerando que 90% dos bezerros nascidos são provenientes da monta a campo; que os Bos taurus taurus não conseguem manter uma atividade física de monta satisfatória para alcançar produtividade na maioria das regiões tropicais brasileiras, a pergunta importante a ser feita é: não seria importante e conveniente utilizar raças sintéticas (3/8 indicus X 5/8 taurinas) que abrigariam em sua composição, as características adaptativas e de precocidade para o trabalho nos trópicos brasileiros?

De todas as forças conhecidas que vêm dirigindo a evolução do homem e as mudanças na civilização, os efeitos mais persistentes observados advêm dos fatores que constituem o ambiente climático. As mudanças que foram sendo produzidas no meio ambiente, ao longo de centenas de milhares de anos exerceram profundas modificações no homem, animais e plantas.

O clima é uma combinação de elementos. Inclui temperatura, umidade, precipitação pluviométrica, movimento do ar, radiação, pressão atmosférica e outros. Os climas do nosso planeta, de um modo geral, são classificados como tropical, subtropical, temperado e ártico.

Em condições de ITU superior a 70, os animais começam a acionar os mecanismos fisiológicos para manter o equilíbrio interno, principalmente de temperatura e de balanço hídrico. Com ITU maior de 74, vacas leiteiras de alta produção são submetidas a estresse térmico e diminuem sua produção, dependendo, sobretudo do tempo de exposição acima deste índice.

Um dos índices bastante usado para caracterizar o ambiente é o Índice de Temperatura e Umidade (ITU).

Segundo Baeta, o ITU pode ser classificado da seguinte forma:

< 74 = conforto; 74,1 a 78 = alerta; 78,1 a 84 = perigo; >84 emergencia. 

Experimento 1

O objetivo deste trabalho é avaliar o desempenho reprodutivo adaptativo em touros sintéticos, através da qualidade seminal, utilizando o Índice de Temperatura e Umidade como referência de estresse nas regiões tropicais e subtropicais brasileiras durante a espermiogênese e o trânsito epididimário.

A linha de pesquisa iniciou em 2011/2012 no município de Uruguaiana, RS, nas fazendas Nova Aurora e Anjo da Guarda, criadores da raça Braford e Hereford (62,31m, -57,08°W, -29,75°S). As coletas das variações diárias climáticas foram feitas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Experimento 2

O segundo experimento da linha de pesquisa realizou-se em 2013/2014 no município de São Gabriel, na fazenda Agropecuaria JMT (54° 19′ 12″ W longitude and 30° 20′ 11″ S latitude, com 114-m), criadores da raça Brangus, com o acompanhamento dos touros durante as quatro estações do ano e avaliadas as possiveis alterações na qualidade espermáticas dos touros.

Experimento 3

O terceiro experimento foi em Lages, SC, fazenda Três Marias, criadores da raça Braford e Hereford (1415 m, -49,93 ° W, -28,27 ° S), 2015/16, e São Gabriel, RS, Fazenda do Bolso (110m, -54,31°W, -30,34°S), 2015/16, criadores da raça Braford e Hereford com uma amostra/estação.

Experimentos 4 e 5

O quarto e quinto experimentos foram conduzidos em Santo Antonio do Lerveger, MT criador da raça Braford (114m, -57 ° 63W, -18,99 ° S) em 2014/15, coletados duas vezes/estação (três coleções durante a estação quente úmida). E em Porto Nacional, TO, realizado na fazenda Brasil, criadores da raça Braford (239,2m, -48,41 ° W, -10,72 ° S) em 2015/16 com duas amostras/estação.

Conclusão

Em nossa pesquisa, observamos que a qualidade do sêmen não mudou significativamente para rejeitar um touro durante o exame de Avaliação Andrológica durante as estações de reprodução quando nos meses quentes o ITU variou no período da espermiogênese de 65.59 a 93.00. Mostrando que os touros sintéticos podem ser perfeitamente capazes de executar um serviço de campo nessas faixas de temperatura e umidade medidas pelo ITU.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Farmácia na Fazenda

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.

Farmácia na Fazenda