Antimicrobianos - 11.12.2017

Estudo demonstra impacto da retirada de antimicrobianos na avicultura

Avanços em ambiência, boas práticas de manejo, genética, nutrição, associadas ao uso prudente e responsável de antimicrobianos potencializa os ganhos em produção e produtividade

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Deyse Fernanda Woerner Galle Bonato, médica veterinária da Elanco Saúde Animal

A demanda por proteína animal para consumo humano cresce de maneira acentuada, felizmente, à medida que mais pessoas saem dos índices de pobreza e miséria. Os avanços em ambiência, boas práticas de manejo, genética, nutrição, associadas ao uso prudente e responsável de antimicrobianos potencializa os ganhos em produção e produtividade.  Particularmente, aves são fontes rápidas e acessíveis de proteína de alta qualidade. Produtos avícolas, carne e ovos, não possuem restrições culturais, sendo recursos importantes ao suprimento da crescente demanda.

Ao mesmo tempo que o mundo requer maior produção de proteínas, crescem as discussões relativas ao uso de antimicrobianos em produção animal e as inter-relações destes com casos de resistência bacteriana aos antimicrobianos, com especial ênfase em avicultura. Em 2016, pesquisadores fizeram estudos dos impactos, econômicos e ambientais, da retirada dos antimicrobianos (incluindo-se os ionóforos) na produção avícola americana, alcançando resultados.

Desde a intensificação da criação animal, os antimicrobianos provam-se como ferramentas efetivas no tratamento de infecções bacterianas e suas consequências à saúde animal. O desenvolvimento de resistência aos antimicrobianos em bactérias patogênicas alvo é relativamente infrequente, adicionalmente, quando isto ocorre, normalmente é in vitro, e a associação clínica destes achados é questionada. Apesar disto, as pressões de organismos internacionais, de grupos ativistas, da opinião pública e até da academia têm desafiado a produção animal a utilizar menores quantidades de antimicrobianos, cujo uso é importante à manutenção da sanidade, consequentemente do bem-estar animal, dos índices produtivos e até de indicadores de saúde pública.

As discussões de uso dos antimicrobianos em produção animal fundamentam-se na possibilidade de bactérias resistentes a princípios ativos utilizados em animais e humanos causarem infecções ou toxinfecções em humanos e no processo terapêutico destes haver ineficiência da molécula, tratamento humano falhar. Pesquisadores relatam que a probabilidade de um ser humano adoecer contaminando-se com Campylobacter proveniente de ave que tenha sido tratada com macrolídeos durante sua criação e o tratamento medicamentoso falhar é menor que 1/14.000.00, equivalente a 22 casos de falhas terapêuticas/ano em país de população equivalente à americana.

De todo modo, usos prudentes e racionais de antimicrobianos em produção animal fazem parte dos deveres éticos. Nesta abordagem de prudência, ciência e racionalidade enquadram-se, também, as classes farmacológicas cujo uso é restrito à medicina veterinária, tratados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como Não Importantes (Not Important), sem, portanto, possibilidade de falhas terapêuticas em humanos decorrentes de seu uso nos animais.

É necessário que os esforços para controle e prevenção da resistência aos antimicrobianos sejam sistematizados, simultaneamente, nas medicinas humana e animal. A implementação de planos de vigilância precisa ser determinada e executada com auxílio de diferentes entes, inclusive governamentais, envolvidos. E requer grandes investimentos financeiros, laboratoriais e de recursos humanos.

No âmbito da produção animal, os médicos veterinários são os mais aptos às decisões relativas à saúde animal, que impactarão na segurança alimentar, produtividade e indicadores ambientais (sustentabilidade da atividade). Ainda tratando da área produtiva, o movimento de revisão de usos de moléculas em produção animal, objetivando preservá-las para o uso em humanos, forçará o setor a evoluir ainda mais rapidamente em genética, nutrição, biosseguridade e manejo/ambiência, demonstrando, mais uma e inequívoca vez a capacidade e adaptabilidade deste setor produtivo.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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