Logística - 23.11.2017

Estudo apresenta estratégias para melhorar logística no Brasil

Projeto Corredores Logísticos Estratégicos, do Ministério dos Transportes, obteve visão panorâmica e diagnóstica do momento atual das infraestruturas de transportes no Brasil; primeira fase avaliou escoamento da soja e milho

- Arquivo/OP Rural

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A logística ainda é um desafio para o agronegócio brasileiro. Traçar estratégias para melhorar o escoamento do país e aumentar a competitividade é o que lideranças têm feito. Mas, para isso, é preciso que seja estudado como está a situação do país, para que as escolhas corretas sejam tomadas. A soja e o milho, principais grãos produzidos no Brasil, estão na primeira edição do Projeto Corredores Logísticos Estratégicos, desenvolvido pelo Ministério dos Transportes. Os resultados deste estudo foram apresentados pelo coordenador-geral de Planejamento e Logística do Ministério, Everton Correia do Carmo, durante o Salão Internacional e Avicultura e Suinocultura (Siavs), que aconteceu entre 29 e 31 de agosto em São Paulo, SP.

O estudo aponta a necessidade de melhorar a relação entre os modais, reduzindo o sistema rodoviário e passando essa parcela para os modais ferroviário e hidroviário. O problema são os custos e investimentos que precisam ser feitos nas estradas de ferro e nos rios, que na opinião de Carmo, precisam ser públicos e privados.

A adequação da infraestrutura logística para a movimentação de grãos no Brasil é um assunto de interesse de toda a cadeia produtiva. Por conta disso, Carmo apresenta o que os estudos mostraram sobre os melhores investimentos em logística que podem e devem ser feitos no país. De acordo com ele, o objetivo do projeto é obter uma visão panorâmica e diagnóstica do momento atual das infraestruturas de transportes, voltada principalmente para a identificação e caracterização de corredores logísticos estratégicos no âmbito do território nacional. “Este objetivo está sendo atingido por meio da participação ativa do setor público e privado com o intuito de subsidiar o planejamento integrado relacionado às infraestruturas viárias associadas aos principais eixos estruturantes do Brasil”, diz.

Carmo explica que o setor agrícola brasileiro tem experimentado, nos últimos anos, um processo de desenvolvimento com valores expressivos de produção, e as perspectivas de crescimento são promissoras. “A soja e o milho estão entre os produtos agrícolas brasileiros que apresentam os maiores volumes produzidos e possuem destaque na balança comercial brasileira. Desse modo, torna-se um ponto relevante na eficiência da cadeia produtiva destes granéis avaliar a infraestrutura dos corredores logísticos de escoamento”, argumenta.

Muito mais rodovia

O coordenador conta que com base nos resultados, constatou-se que os corredores de exportação do complexo soja e milho utilizam os modos rodoviário, ferroviário e hidroviário, com maior participação do primeiro. E já nos corredores de consumo interno, o abastecimento é realizado exclusivamente por rodovias. “Essa maior participação do modo rodoviário, em todos os corredores, acarreta custos elevados de transportes, considerando que as rodovias não são o modo mais apropriado para transportar grandes volumes de cargas em longas distâncias”, comenta. Para ele, deste modo, o ponto chave para a melhoria da logística destes produtos seria um equilíbrio da matriz de transportes de forma racional, o que proporcionaria redução de custos, otimização da eficiência energética de cada modo, minimizaria os impactos ambientais e os produtos passariam a ser mais competitivos no mercado externo.

Norte e Nordeste

Carmo conta que a agricultura brasileira evoluiu rapidamente nos últimos anos, experimentando um aumento tanto na área de plantio como na produtividade média do país, resultado de investimentos nas áreas de inovação e pesquisa. De acordo com ele, tais ocorrências fizeram que as fronteiras agrícolas fossem deslocadas em direção à região Norte/Nordeste. “A área mais recente de expansão está situada na região Centro-Nordeste, denominada Matopiba - terras localizadas nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Assim, nas últimas décadas, a agricultura ampliou sua fronteira em direção ao norte do país e a infraestrutura de transportes não acompanhou essa expansão, elevando os custos de escoamento destas mercadorias”, conta.

A baixa densidade da malha ferroviária no Brasil, com exceção das regiões Sul e Sudeste, que possuem densidade de linhas férreas superior às outras regiões, mas ainda assim deficitárias, aliada ao pequeno aproveitamento de hidrovias fazem com que as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste sejam consideradas áreas que precisam de uma atenção maior de investimentos para que os produtos sejam escoados com menores custos, explica. “Contudo, o governo tem ciência que todas as regiões necessitam de investimentos e que não se pode garantir a evolução do transporte de uma região em detrimento de outra”, completa.

Ferrogrão e outras ferrovias

O coordenador ainda conta que o governo federal vem definindo prioridades, seja em relação às obras com recursos públicos ou com obras que tenham a participação privada nos investimentos. “Como é o caso da Ferrogrão, que facilitará o escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste ao estado do Pará pelo Arco Norte”, explica. Carmo diz que quando em funcionamento, a Ferrogrão, por seu potencial estratégico, proporcionará alta capacidade de transportes e competitividade ao corredor, que hoje possui a BR-163 como uma das principais vias neste trajeto.

Outro exemplo citado pelo coordenador é a Ferrovia Norte-Sul, que foi projetada para se tornar a espinha dorsal do sistema ferroviário no Brasil, ligando Estrela d’Oeste, SP, a Porto Nacional, TO. Já a ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), também em fase implantação, destina-se a interligar as regiões Norte e Nordeste do Brasil, atendendo a produção de grãos da Bahia e a exploração de minério de ferro.

Solução

“Com relação às rodovias, existem ações governamentais de duplicação por meio de concessões, contratos ativos de pavimentação, restauração e manutenção e nos casos das hidrovias estão sendo desenvolvidos estudos de viabilidade, além de projetos de sinalização e programas de dragagem estruturada para facilitar a navegação”, conta.

Carmo explica que para as necessidades identificadas no estudo para rodovias, hidrovias e portos, a solução para tais problemas recai principalmente sobre os investimentos privados e públicos em infraestrutura. “A melhoria da infraestrutura impactará positivamente as operações de transporte do complexo de soja e milho, além de outras cadeias produtivas que utilizam as mesmas rotas de escoamento”, diz. Ele acrescenta que a efetivação de investimentos, em um esforço conjunto entre o poder público e iniciativa privada, terá importantes impactos nas atuais condições de funcionamento dos corredores logísticos e nas condições de escoamento da soja e do milho, que, conforme já destacado, estão entre os produtos agrícolas brasileiros que apresentam os maiores volumes produzidos e são destaque na balança comercial brasileira.

Intermodalidade

O coordenador comenta ainda que embora os corredores logísticos para grãos já façam uso da integração modal, evidenciou-se, devido à forte participação do modal rodoviário, a necessidade de priorizar os investimentos em ações que proporcionem uma logística eficiente com foco no aumento da intermodalidade entre os transportes rodoviário, ferroviário e hidroviário. “Todas essas ações têm por objetivo a utilização mais racional do sistema de transporte, que por sua vez reduzirá custos, otimizará a eficiência energética de cada modo, minimizará os impactos ambientais e os produtos passarão a ser mais competitivos no mercado externo. “Em síntese, a avaliação da infraestrutura por meio de corredores logísticos permitiu analisar os primeiros eixos de escoamento, possibilitando uma visão integrada das ações governamentais de curto e médio prazo e fornecendo subsídios para a formulação e avaliação de políticas públicas relacionadas à infraestrutura, na busca de soluções que gerem eficiência no transporte de cargas”, observa.

Mais informações você encontra na edição de Aves de agosto/setembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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