Trigo - 10.08.2018

Estiagem no estado provoca quebra da safra do trigo paulista

Redução na projeção da safra paulista foi confirmada na reunião da Câmara Setorial do Trigo
Setor triticultor se reuniu em Capão Bonito (SP) para a Câmara Setorial do Trigo em São Paulo (SP).

Setor triticultor se reuniu em Capão Bonito (SP) para a Câmara Setorial do Trigo em São Paulo (SP). - Foto: Assessoria

O período de quase 50 dias sem chuva com volume relevante em São Paulo prejudicou de maneira considerável as lavouras de trigo no estado. Segundo a reunião da Câmara Setorial do Trigo, promovida na quarta-feira (08/08), em Capão Bonito (SP), o estado pode registrar uma redução de até 40% na safra.

“Tínhamos uma projeção de mais de 300 mil toneladas e pelos dados apresentados pelas cooperativas durante a reunião, teremos uma quebra significativa na safra. Se tudo correr bem até a colheita o estado registrará entre 210 a 220 mil toneladas de trigo”, afirma o presidente da Câmara Setorial do Trigo, Maurício Ghiraldelli.

De acordo com Maurício, apesar do baixo volume, o trigo que será colhido possui excelente qualidade, fator que garantirá a liquidez do grão. “Temos construído um histórico muito bom para o setor no estado. O trigo paulista aumentou muito sua produção e, principalmente, sua qualidade”, destaca Ghiraldelli.

“Se tem algo positivo é que o mercado internacional está em alta, não tem estimativa de baixa, então, mesmo com as perdas no campo, acredito que o produtor será remunerado acima dos níveis da safra passada”, reforça o presidente.

 

Trigo no mundo

Além do reporte das cooperativas, a reunião ainda contou com uma apresentação da trader de trigo da Cofco, Zak Joseph Battat, que fez uma análise do cenário atual do trigo no Brasil e no mundo, enfatizando o bom momento para os produtores paulistas.

Segundo ele, o valor do trigo paulista é afetado por duas grandes variáveis: o valor do grão no exterior e o câmbio do dólar. “O trigo mundial tem um viés forte de alta, com produções mundiais muito menores e uma demanda semelhante à do ano passado. Isso faz com que o preço do trigo estrangeiro se eleve. Esse cenário beneficia a produção paulista, pois como esperamos que o trigo internacional suba cada vez mais, assistiremos uma valorização do grão nacional”, explica Zak.

O trader apontou também que a Argentina tem buscado novos negócios, atingindo mercados nos quais ainda não tinha penetração expressiva. “Por estar mais barato, o grão argentino passou a ser comercializado em países onde não tinha tanta presença, por conta do trigo russo. O país ainda depende da exportação para o Brasil, mas, aos poucos, estamos perdendo o protagonismo nas negociações”, enfatiza Zak.

Este ano, a Argentina tem uma expectativa de produção em torno de 20,5 milhões de toneladas. “A Argentina deve ser vista com cautela. O país dobrou sua área de produção, mas a qualidade caiu. Hoje os moinhos de São Paulo são dependentes do trigo nacional, pois precisamos dele para moer junto com o grão argentino e compensar essa queda de qualidade”, aponta o presidente da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, Maurício Ghiraldelli.

Fonte: Ass. de Imprensa

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