Nutrição - 17.08.2017

Especialista dá dicas para manter silagem livre de micotoxinas

Micotoxinas presentes na silagem causam grandes prejuízos dentro da propriedade, como perda de produtividade e qualidade, além de animais doentes

- Arquivo/OP Rural

Uma boa produção é o que o produtor rural busca. Bom manejo, alimento de qualidade e sanidade são alguns dos pontos que o bovinocultor cuida para que o seu rebanho esteja saudável e dê o retorno desejado. E os cuidados certos na alimentação do animal fazem toda a diferença para que estes resultados esperados sejam atingidos. Isso, principalmente, quando o assunto é o armazenamento do alimento que será ofertado ao animal ao longo do tempo. Os resultados dentro da propriedade são diretamente interferidos quando o produtor não cuida adequadamente da alimentação do rebanho.

Algo ainda muito presente na realidade no bovinocultor é a presença das micotoxinas. Como um dos alimentos mais presentes na dieta bovina é a silagem, principalmente aquela feita à base de milho, é importante que o produtor não cometa erros. O médico veterinário e professor doutor Paulo Dilkin, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que trabalha no Laboratório de Micotoxinas da Universidade (Lamic), comenta que é importante que o produtor preste atenção para que o alimento que será consumido pelos animais na propriedade não tenha micotoxinas. “Os fungos podem crescer nos grãos, e assim acabam criando micotoxinas, que, se consumidas pelos bovinos, acabam indo para o leite e os derivados e também para a carne”, comenta.

Segundo ele, para que um animal produza leite e carne com qualidade e em quantidade é importante o produtor tomar cuidado com o alimento, já que toda essa produção e cadeia será prejudicada com a presença das micotoxinas. O especialista explica que se há uma planta passando pelo período de maturidade, os fungos podem se desenvolver e produzir as micotoxinas. “Isso especialmente em grãos ou em palhadas. A planta já perdeu o vigor, a imunidade e assim começa a produzir as toxinas”, afirma. Ele ainda conta que os fungos, que então produzem as micotoxinas, podem se desenvolver tanto na lavoura quando na armazenagem. “Isso porque o fungo gosta de mais umidade. Nós temos que estocar os alimentos em locais bem secos, com temperatura mais baixa e, no caso da silagem, temos que ter ainda pouco oxigênio dentro do silo”, informa. Dilkin afirma que tirar o oxigênio é uma forma importante de conseguir produzir silagem sem micotoxinas.

Um alerta que o pesquisador faz ao produtor é quanto ao milho safrinha que é produzido e dado como alimento aos animais. “Ele é muito propenso a produzir toxinas”, informa. De acordo com ele, isso acontece porque neste período, quando o grão está começando a amadurecer, os fungos se instalam na base do grão e assim começam a se desenvolver e produzir as toxinas. Dilkin avisa que o produtor deve prestar atenção quando faz a silagem com este milho. “Ela (silagem) tem que ser bem compactada”, diz.

Outro detalhe destacado é que o produtor não pode esperar que o talo do pé de milho fique muito velho para fazer a silagem. “Se ele (o talo) for velho, o fungo já cresceu e produziu muita toxina”, informa. Dilkin ainda diz que não é recomendado fazer muita silagem usando o talo do pé de milho inteiro. “Não devemos pegar a parte mais verde da planta, porque ela já vai ter muita micotoxina. Essa parte não consegue se defender do fungo”, conta. De acordo com o professor, a parte mais abaixo do pé não é indicada para colocar na silagem. “Temos que fazer de tudo para ter pouca micotoxina na silagem que vamos oferecer aos nossos animais”, diz.

Dilkin alerta ainda que, às vezes, o produtor pode encontrar toxinas onde menos espera. “Se os silos não forem bem manejados, vai haver toxinas”, avisa. De acordo com ele, diversos tipos de bolores podem ser encontrados dentro dos silos, o que pode causar micotoxinas. “O interessante é que o produtor tenha, pelo menos, dois silos”, diz. Dilkin explica que em um o produtor pode colocar a ração e caso estiver terminando, não colocar a ração nova em cima da velha e sim no outro silo. “É importante que o produtor não misture as rações. Antes de colocar uma nova no silo, ele precisa limpar bem, varrer, lavar e desinfetar, caso contrário corre o risco de alguns fungos permanecerem e assim crescerem as micotoxinas”, afirma.

Entre os detalhes que o produtor deve prestar atenção para oferecer ao animal uma silagem de qualidade e sem micotoxinas é que não cortem o talo do pé de milho muito em baixo, façam baixa compactação e tirem o oxigênio. “Na silagem nós temos que tirar o oxigênio. Sem ele o fungo não cresce e vamos ter uma silagem de melhor qualidade”, diz. Pobre manejo no silo e excesso de umidade também fazem com que o alimento do animal tenha a micotoxina.

Prejuízos

Os prejuízos que um alimento intoxicado causa aos animais são vários, e o professor cita alguns. Ele mostrou que, por exemplo, a zearalenona (ZEA) pode causar cios irregulares, baixa taxa de prenhez, cistos ovarianos e mortalidade embrionária. Já as micotoxinas T-2, desoxinivalenol e aflatoxina podem causar nos animais contaminação láctea, mastite, baixa qualidade do leite, baixa eficiência alimentar e produção láctea, diarreia, cetose, gastroenterite, disfunção renal, entre outros problemas.

Dilkin alerta que quando a vaca consume as micotoxinas, isso faz com que elas sejam uma porta de entrada para que outras doenças atinjam o animal. “O fígado é um órgão bastante afetado. E uma coisa bastante importante que as micotoxinas fazem quando afetam o fígado é que o animal não produz mais as proteínas que precisa, não consegue trabalhar a gordura que vai para o leite, não produz fatores de coagulação e a defesa imunológica cai. Dessa forma o animal fica muito mais suscetível a ter outras doenças”, afirma. O professor alerta também que se o animal tem o fígado afetado, não consegue mais responder 100% às vacinas. “Em um animal que consumiu micotoxinas a resposta da vacinação chega somente a 60%”, conta. “Estamos vacinando e jogando dinheiro fora”, diz.

O pesquisador avisa que as micotoxinas trazem, além das doenças, outros prejuízos para a produção, como, por exemplo, um leite de má qualidade. “Micotoxinas aumentam em 23% a concentração de células somáticas no leite, tudo o que não queremos. Há ainda um aumento de 38% de concentração de bactérias no leite, e isso também influencia para que o leite seja considerado ácido, porque é instável na pasteurização”, conta.

De acordo com Dilkin, as micotoxinas geram grandes perdas em uma propriedade, aumentando as enfermidades no rebanho, além de prejuízos, seja na baixa produção de leite, leite de má qualidade ou até mesmo perda de animais. “É importante sempre nos preocuparmos em dar um alimento limpo, bem concentrado e com grande quantidade de nutrientes para os nossos animais para evitar problemas na nossa propriedade”, sugere.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Farmácia na Fazenda

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.

NOXONSindiaviparFarmácia na FazendaCongresso de Mulheres do AgroFACTA- SINDIAVIPARCBQL