Sanidade - 03.08.2017

Especialista dá dicas para controle da Salmonella na propriedade

É imprescindível se defender contra a Salmonella por, principalmente, quatro fatores: legislação, saúde humana, mercado consumidor e saúde das aves

- Arquivo/OP Rural

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O Brasil goza de excelente status sanitário, mas um problema sempre presente e que merece total atenção do avicultor é a proliferação da Salmonella. Apesar de todos os cuidados que o produtor toma na propriedade e todas as situações para contenção da doença nos aviários brasileiros com uma indústria altamente especializada e as novas regras do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), os casos ainda são recorrentes no Brasil. Algumas técnicas que estão dando bons resultados foram compartilhadas pelo médico veterinário Marcos Dai Prá, que falou sobre o tema durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que aconteceu em abril, em Chapecó, SC.

O profissional destaca que é imprescindível se defender contra a Salmonella por, principalmente, quatro fatores: legislação, saúde humana, mercado consumidor e saúde das aves. “É um problema complexo. São vários itens que fazem com que a Salmonella entre na produção avícola e se mantenha dentro dela”, diz. Para ele, não somente a cama do aviário, como antes era pensado, é o fator determinante para contaminação da Salmonella, mas também outros itens merecem atenção para evitar a transmissão da doença na propriedade. “A cama é somente um dos itens. Não adianta trabalhar somente na cama. Tentar resolver este problema sem se preocupar com o que existe no aviário é um tiro no pé”, alerta. Dai Prá afirma que a cama do aviário é apenas um local em que a Salmonella pode estar presente, e é muito fácil de resolver.

O médico veterinário comenta que o avicultor precisa se preocupar também com o que está em torno. “É preciso que o produtor tenha foco, ele deve mirar naquilo que tem que fazer na propriedade para controlar a enfermidade. Ele deve ter ainda paciência, porque normalmente toda a propriedade está contaminada, de nada adianta resolver o problema só no aviário. É preciso que o produtor tenha paciência para fazer um trabalho a longo prazo. E, principalmente, ter persistência naquilo que está fazendo”, destaca. Para ele, foco, paciência e persistência são três pontos fundamentais para o produtor que está tratando da questão Salmonella na propriedade. “É importante que quando o avicultor trabalha com alguns procedimentos, não desista no primeiro lote”, complementa Dai Prá.

Agilidade no diagnóstico é determinante, cita o profissional. O médico veterinário afirma que a diferença entre as duas metodologias de diagnóstico é o custo. “A ISO 6579 é mais cara do que a Portaria 126, mas também é a mais rápida. O produtor tem resultado para os lotes negativos um dia antes da Portaria 126. Assim, ganhamos em tempo. Mas, o custo para a realização dela é mais alto”, comenta. Ele explica que a Portaria 126 trabalha com fenótipo e a ISO  6579 faz um trabalho com o DNA, dando também um diagnóstico mais preciso.

O especialista alerta que é preciso que o profissional que for analisar o aviário tem que querer encontrar a Salmonella lá dentro. “Essa é a grande sacada”, afirma. Dai Prá comenta que normalmente é trabalhado nas laterais do aviário, mas é preciso fazer um mapeamento de toda a instalação. “A realização do propé tem que ser feita nas duas laterais do aviário”, informa. De acordo com Dai Prá, em um estudo foi observado que na primeira semana de vida é onde a ave se contamina. Quando chega à fase final, de 35 a 42 dias, foi observado que a positividade do lote diminui, segundo o estudo. “O propé é mais efetivo no final da vida do lote. Neste período há a maior segurança em fazer a análise e informar se o lote é positivo ou não”, diz. Ele ainda informa que a partir deste trabalho de pesquisa foi possível notar que a fase mais importante para a detecção da doença é dos 14 aos 28 dias. “Como o propé é uma análise indireta, essa é a fase de maior incidência da Salmonella”, diz.

Mais Comum

Outro dado apresentado por Dai Prá é a incidência dos sorotipos de Salmonella em cada região do país. De acordo com ele, foi observado que a Salmonella Heidelberg é mais restrita aos estados do Paraná e Santa Catarina. Já no Centro-Oeste do país a mais encontrada é a Minnesota. “No Paraná existem áreas ainda que são encontrados os dois tipos”, conta. Ele afirma que estes dois tipos de Salmonella tomaram conta de tal forma no país que as demais desapareceram.

O médico veterinário informa que estes dois tipos são mais difíceis de ser combatidos pelas características delas, já que sobrevivem mais tempo na propriedade e no abatedouro, tornando o controle mais difícil. O especialista diz que foi realizado um estudo tentando avaliar a resistência das variantes de Salmonella pelo pH. “A Heidelberg com um pH entre 6 e 10 não sofre nada. Ela somente começa a sofrer algum dano a partir do pH 5 ou acima do pH 11, indo para o 12”, diz. Já Salmonella Minnesota, cita, é mais resistente ao pH ácido e menos resistente ao pH alcalino. “São informações interessantes para os recursos que utilizamos no controle da doença”, comenta.

A Cama e os Intervalos Sanitários

Dai Prá diz ainda que atualmente o intervalo sanitário é a fase em que é preciso dar maior atenção à propriedade. “É preciso ter a presença do extensionista e do sanitarista na propriedade nesta fase para coordenar os trabalhos, porque se não, fatalmente vamos ter um lote positivo para Salmonella novamente”, alerta. O profissional aconselha que é preciso desenvolver corretamente os procedimentos recomendados e fazer com que tenha efeito, além de ter equipamentos adequados para desenvolvimento do trabalho. “É preciso respeitar o tempo suficiente para realizar todo o procedimento na troca de um lote para outro. De nada adianta encurtar o vazio sanitário, que isso fatalmente vai fazer com que a Salmonella permaneça na propriedade”, avisa.

Ainda conforme Dai Prá, geralmente os avicultores utilizam a mesma cama de aviário para até dez lotes. Ele informa que a primeira cama tem uma incidência maior do que as outras. A partir do segundo lote, o produtor trabalha com alcalinização e a partir do quarto lote realiza a retirada parcial da cama. “Conseguimos trabalhar com a cama espessa para não ter problemas com calo de pé e peito, mas para a questão da Salmonella, a espessura da cama é importante, ela deve ser de 12 centímetros; acima disso já complica”, diz.

O profissional recomenda a cada quatro lotes fazer a retirada parcial de 30% da cama, mas sempre trabalhando com a alcalinização. “Esse esquema deve ser feito para granjas negativas”, acrescenta. Ele reforça a necessidade de mais atenção nas primeiras camas.

Tratamento

Existem dois modelos de procedimentos que podem ser feitos no intervalo de uma cama para outra, conta Dai Prá. “Quando o lote sai negativo, pode ser feito o tratamento simples. São três modelos perfeitos para aplicação: alcalinização, enlonamento ou fermentação”, diz. Ele explica que o enlonamento e a fermentação têm diferença, já que quando se fala em enlonamento da cama, não ocorre a fermentação, já que não há temperatura para isso. “O máximo que consegue alcançar são os 45° Celsius e esse temperatura não elimina a Salmonella. O enlonamento controla a doença por outros fatores, mas não pela temperatura”, explica. Já a fermentação sim chega a uma temperatura de 60-65° C, eliminando a bactéria pelo calor.

O profissional conta que em lotes positivos, geralmente são feitos tratamentos duplos. “É feita a utilização de dois tratamentos complementares. Normalmente utiliza a alcalinização como segundo tratamento e o enlonamento ou fermentação como primeiro”, conta. Dai Prá esclarece que para realizar o tratamento da cama é preciso levar em consideração informações como pH e temperatura para buscar dentro dos tratamentos aquele que melhor se encaixa nos parâmetros da propriedade. “A tipificação de qual tipo de Salmonella há na propriedade também vai definir qual tratamento será realizado”, aponta.

Para Salmonella Heidelberg e Minnesota é feito um tratamento duplo com alongamento de intervalo para, no mínimo, 30 dias. “Ter esse tempo para fazer um trabalho de controle da Salmonella é importante”, esclarece. Com outros tipos da doença um tratamento duplo com alongamento de 20 dias é o suficiente. Já em lotes negativos, o tratamento pode ser simples com intervalo normal de 12 dias. “Obedecendo estes três modelos de intervalo conseguimos fazer um trabalho eficiente dentro das propriedades”, afirma Dai Prá.

Cascudinho

Outra recomendação dada pelo especialista é que é importante primeiro o produtor controlar o cascudinho. De acordo com ele, este é um problema sério existente nas propriedades e que grande parte do inseto está contaminada com Salmonella. “Se não controlar, vai continuar infectando lote após lote”, afirma. Além disso, ele recomenda que o produtor faça a limpeza do aviário a seco, sem a utilização de água na troca de lote quando utilizar a mesma cama.

O médico veterinário afirma que é preciso trabalhar preventivamente, para evitar que a bactéria continue circulante nos aviários. Ele ainda reitera que são três regras que devem ser seguidas para realizar a prevenção: garantir os procedimentos de intervalo do lote, respeitar a área de biossegurança e ter a barreira sanitária. “É importante também existir a parceria entre agroindústria, órgãos oficiais e produtor rural, para resolver este problema. É preciso trocar informações sobre o que está acontecendo para realizar o melhor trabalho possível”, enfatiza.

Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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