Saúde Animal - 16.07.2018

Especialista aponta maneira correta de diagnóstico e tratamento da mastite

Depois de identificada, o tratamento rápido é fundamental para garantir a sobrevivência do plantel

- Arquivo/OP Rural

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A mastite ataca de várias maneiras e com vários graus de agressividade. Depois de identificada, o tratamento rápido é fundamental para garantir a sobrevivência do plantel. O jornal O Presente Rural procurou a doutora Daniela Miyasaka Cassol, médica veterinária e gerente técnica de Saúde Animal da Noxon Saúde Animal, de Cravinhos, SP, para mostrar as formas mais eficientes de tratar a mastite. Boa leitura.

O Presente Rural (OP Rural) - Quais os testes feitos a campo para diagnosticar a mastite clínica?

Daniela Miyasaka Cassol (DMC) - O diagnóstico da mastite clínica é feito por meio da inspeção e palpação da glândula mamária [para a identificação do inchaço (edema), aumento da temperatura, endurecimento e dor].

A fase inicial da mastite clínica pode ser facilmente diagnosticada com o auxílio da “caneca de fundo escuro” (caneca telada), antes de cada ordenha. Neste teste são avaliadas as alterações macroscópicas do leite, tais como a presença de coágulos, pus e/ou sangue, visualizados nos primeiros jatos de cada ordenha.

OP Rural - O produtor tem se preocupado em fazer os testes?

DMC - Sim. Este teste é rotineiro, simples e econômico.

OP Rural - Após o diagnóstico de mastite clínica, como o produtor deve proceder?

DMC - Após a confirmação da mastite clínica é importante adotar o controle higiênico-sanitário. Caso seja diagnosticado a mastite clínica de origem ambiental, a intervenção rápida é fundamental para a sobrevivência da vaca. Antibioticoterapia sistêmica e local, anti-inflamatórios, antitérmicos e terapia de suporte são ações que devem ser tomadas logo nos primeiros sinais da mastite.

Nos casos de mastites crônicas, aumentar a resistência imunológica da vaca (fornecer dietas balanceadas) e adotar a antibioticoterapia (instituir o tratamento de vacas secas, o tratamento de vacas em lactação e o de novilhas no pré-parto). A utilização de anti-inflamatório também é recomendada. É importante a realização de testes de suscetibilidade antimicrobiana (cultivo, isolamento e antibiograma), pois auxiliam o médico veterinário na escolha do medicamento adequado. A atenção deve ser voltada para o correto manejo de ordenha (“Boas Práticas de Manejo na Ordenha”), evitar a utilização de panos ou esponjas em mais de uma vaca, instruir treinamentos aos ordenadores e fazer a desinfecção das teteiras após a ordenha. Realizar pré e pós-dipping.

OP Rural - Quais os medicamentos mais usados para o tratamento?

DMC - Recomenda-se os seguintes antibióticos: gentamicina, ampicilina, ceftiofur, cefoperazona, amoxicilina, estreptomicina, enrofloxacina, oxitetraciclina, penicilina, tetraciclina, entre outros.

OP Rural - Há efeitos colaterais, como resíduos no leite?

DMC - Sim, todos os antibióticos quando usados para o tratamento de mastite acarretam em resíduos no leite, por isso é muito importante seguir as orientações da bula do produto e respeitar o período de carência.

OP Rural - Como se diagnostica a mastite subclínica?

DMC - Para diagnosticar a mastite subclínica é necessária a utilização de exames complementares, baseados no conteúdo celular do leite e nas alterações de sua composição. A mastite subclínica caracteriza-se por alterações na composição do leite, tais como aumento na contagem de células somáticas (CCS), aumento nos teores de proteínas séricas, diminuição nos teores de caseína, lactose, gordura e cálcio do leite. A CCS por animal e exame de CMT (no mínimo semanal) são fundamentais para diagnosticar a mastite subclínica.

Autores apontam que o aumento na CCS é a principal característica da mastite subclínica, para o diagnóstico recomenda-se os testes CMT (Califórnia Mastitis Test), WMT (Wisconsin Mastitis Test) e a contagem eletrônica de células somáticas.

OP Rural - Quanto custam os testes para a forma subclínica?

DMC - O controle leiteiro individual, que deve ser realizado no mínimo uma vez por mês, é um serviço prestado por alguns laticínios e pelas associações das raças leiteiras, tendo um custo variado, conforme a região. Já o CMT é um exame muito barato; 500ml de reagente custa em média R$ 10 reais e faz o exame em 50 animais.

Esse valor é irrisório comparado com os prejuízos que a mastite subclínica causa. Alguns estudos demonstram prejuízos de aproximadamente US$ 200/vaca/ano somente em função da ocorrência de mastite. A doença requer gastos representados principalmente por 70% de perda devido à redução na produção dos quartos com mastite subclínica; 8% pela perda do leite descartado por alterações e/ou pela presença de resíduos após tratamento; 8% pelos gastos com tratamentos, honorários de veterinários, mais despesas com medicamentos; 14% por morte ou descarte animal ou ainda pela desvalorização comercial do animal, por quartos afuncionais ou atrofiados. Nos EUA, estudiosos estimaram prejuízo anual de US$ 2 bilhões. No Brasil, essas informações são inconsistentes, entretanto, pesquisadores trabalhando com rebanhos leiteiros dos estados de São Paulo e Minas Gerais estimaram perdas pela doença de US$ 317,93/vaca/ano e prejuízos de US$ 20.611,32/propriedade/ano.

OP Rural - Quais os procedimentos para tratamento nesse caso?

DMC - Utilização de antimastiticos intramamários e de uso sistêmico (injetável). Adoção da terapia da vaca seca.

OP Rural - O monitoramento da mastite deve ser diário? Por que?

DMC - Sim, o ideal é o uso diário da “caneca de fundo escuro”, uso semanal do CMT e controle leiteiro individual mensal; para avaliar a sanidade do rebanho, minimizar os prejuízos e os gastos com a mastite.

OP Rural - Quanto tempo vacas com mastite ficam em tratamento?

DMC - Depende do tipo de mastite e do produto adotado na propriedade. Geralmente de 3 a 7 dias.

OP Rural - Qual a relação de custo entre prevenção e tratamento?

DMC - Como sempre prevenir é muito mais barato que remediar, manejos simples, como a correta secagem de uma vaca, usando o antibiótico preventivo e o selante, tem o custo 10 vezes inferior quando comparado ao tratamento de uma vaca com mastite em lactação.

O controle da mastite na propriedade leiteira deve ter como princípio básico a limpeza e a higienização das instalações, utensílios e equipamentos, higiene pessoal do ordenhador, realização dos testes da caneca de fundo escuro, Califórnia Mastitis Test (CMT), contagem de células somáticas (CCS) e testes microbiológicos.

O tratamento das mastites deve ser feito como parte de um programa de controle, com o objetivo de prevenir a mortalidade nos casos agudos, o retorno à composição e produção normal do leite, a eliminação de fontes de infecção e a prevenção de novas infecções no período seco.

OP Rural - Que rotina pode ser adotada na fazenda?

DMC - A seguinte rotina pode ser adotada:

1) Estabelecer uma linha de ordenha: novilha de primeira cria; vacas que nunca tiveram mastite; vacas que tiveram mastite clínica há mais de seis meses; vacas que tiveram mastite clínica nos últimos seis meses; separar do rebanho vacas com mastite clínica.

2) Realizar diariamente o teste da caneca de fundo escuro, retirado nos primeiros jatos. Este teste permite o diagnóstico da mastite clínica e diminui o índice de contaminação do leite.

3) Fazer a imersão dos tetos em solução desinfetante.

4) Utilizar o papel toalha descartável para fazer a secagem dos tetos.

5) Colocar as teteiras e ajustá-las.

6) Retirar as teteiras após terminar o fluxo de leite.

7) Fazer a imersão dos tetos em solução desinfetante.

8) Recomenda-se fazer a desinfecção das teteiras entre as ordenhas.

Alguns critérios são essenciais para diminuir os casos de mastite clínica, exemplos: pré-dipping; pós-dipping; terapia da vaca seca; tratamento da mastite durante a lactação e estratégias de descarte; manutenção adequada dos sistemas de ordenha e estratégias de aumento da resistência da vaca. No pré-dipping, deve-se fazer a imersão dos tetos em solução desinfetante antes da ordenha, usando uma solução eficaz, na diluição certa e que não seja irritante para a pele. Deve ser eficaz contra as bactérias e atuar preferencialmente até a próxima ordenha.

Importante é adotar as “Boas Práticas de Manejo na Ordenha”, pois resulta na obtenção de leite com alta qualidade e higiene.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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