Nutrição - 13.08.2018

Escassez de grãos específicos barra mercado de carne suína orgânica

Sem milho e soja orgânicos para a dieta, não há como fazer a produção natural. Brasil produz só 40 mil toneladas de milho nesse sistema por ano

- Arquivo/OP Rural

 -

A produção orgânica de alimentos no Brasil foi regulamentada em 2011, mas esse setor vem crescendo desde o fim dos anos 1990. Hoje é possível encontrar não somente frutas e verduras produzidos da forma mais natural possível, mas também carnes, ovos e leite, entre tantos outros itens. No entanto, a produção de carne suína nesse sistema, com animais fora de galpões, sem rações que contenham grãos transgênicos e sem o uso de qualquer medicamento, ainda é um desafio no país. O maior problema é a falta de grãos orgânicos usados na alimentação animal.

Ao menos para uma das mais especializadas empresas de produção de alimentosa orgânicos do Brasil, a Korin. Pioneira na produção de ovos e frangos livres de antibióticos, é também a primeira empresa brasileira a receber o selo de certificação de bem-estar animal (Certified humane). Por conta de notória capacidade de atuar nesse segmento, o case da empresa foi parar no Congresso Abraves (Associação dos Médicos Veterinários Especialistas em Suínos) Paraná, que aconteceu em Toledo, em meados de março.

O encarregado de falar sobre a “produção e mercado de suínos com atributos de qualidade diferenciada: criação de cadeias de valor” foi Luiz Carlos Demattê Filho, doutor em Ecologia Aplicada, com 20 anos em experiência em alimentos orgânicos. Ele explica que a empresa, além de produzir alimentos livres de agroquímicos, está embasada na teoria de Mokiti Okada, que integra em sua produção valores ecológicos e sociais. Ele cita os bons exemplos já alcançados em aves e bovinos e que alcança um nicho de mercado em franca expansão.

“O encadeamento produtivo tem aspectos negativos, como a depedência de fármacos, uso de hormônios em suínos, ocorrência de epizódios zoonóticos, a logística produtivista gera dúvida quanto à qualidade dos proudutos, impactos na saúde pública, impacto nos parâmetros de bem estar animal. Exatamente por isso existem os sistemas ligados à produção ecológica. Especialmente pela saúde a gente ganha consumidores. As questões ambientais também são importantes, mas as pessoas migram para esses alimentos mais por conta dos ciodados com a saúde”.

Ele citou estudos que indicam a relação do Glifosato usado nas lavouras a doenças neurológicas, como autismo e Alzhaimer. “Essas doenças têm relação íntima com o Glifosato”, sustenta. Ele entende que o “o uso de antibióticos pode fazer com que doenças hoje consideradas menores podem voltar a se tornar mortais. A estrutura genômica vem mudando. De todos os problemas, a perda da biodiversidade é o pior. Isso gera perda da microbiodiversidade humana, além das consequências ambientais”, alerta.

Exemplos

A empresa cria bovinos do pantanal sul-matrogrossense e vende sob esta marca, identificando no produto de onde ela veio e como foi produzida. Até redução de impostos a empresa consegue por agregar a região à marca. “o Programa de Avanços na Pecuária de Mato Grosso do Sul (Proape) dá incentivos. Bovinos originados no Pantanal têm 50% de desconto nos impostos”, cita.

Assim, fazem com as tilápias na barranca do Rio Paraná, entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, com o arroz, mel, café, camarão. “A gente dá ênfase ns territórios, na cultura, nas pessoas, etc.Tudo orgânico e intimamente ligado à egião onde é produzido”, cita. As aves, criadas sem uso de antibióticos e sem gaiolas, têm alimentação 100% vegetal, sem farinha animal. O mercado é farto para esse produto, aponta Demattê Filho.

No entanto, a empresa ainda não consegue colocar no mercado a carne suína com esses atributos. “Fizemos experiências, porém não conseguimos com suínos, seja orgânico, seja com protocolos diferenciados. Um dos problemas, em sua opinião, é a falta de grãos orgânicos para produção de ração. “O gargalo para a produção de suínos é que temos pouco milho e pouca soja orgânicos”, cita. De acordo com o doutor, o Brasil produz hoje apenas 40 mil toneladas de milho orgânico e que a dificuldade está em controlar as plantas invasoras. “O maior problema de grãos orgânicos não é sanitário, são as plantas invasoras, que reduzem a produção”, aponta.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

SBSB 2018

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.

FACTA Dez 2018SBSB 2018ACSURSEurotierIntercorte