Sanidade - 24.08.2017

Entrada de PED no Brasil é iminente, assegura pesquisador estadunidense

Mantendo o Brasil livre de doenças exóticas frente a um contexto mundial complexo foi o tema da palestra do pesquisador e professor da Universidade Estadual de Iowa, EUA, Jeff Zimmerman

- Divulgação/Embrapa

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O Brasil goza de um dos melhores status sanitários do mundo, que lhe oferece ampla oportunidade de produção de proteína animal para os mercados interno e externo. No ano passado, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), 15 estados e o Distrito Federal foram declarados livres de peste suína clássica, doença que afeta boa parte dos produtores mundiais. A outras doenças comuns a outros países e inexistentes no Brasil, como a diarreia epidêmica suína (PED, na sigla em inglês). Extremamente agressiva e altamente contagiosa, em 2014 a diarreia epidêmica suína dizimou 14% dos leitões nos Estados Unidos (EUA), causando um prejuízo próximo a US$ 600 milhões para a cadeia.

Mantendo o Brasil livre de doenças exóticas frente a um contexto mundial complexo foi o tema da palestra do pesquisador e professor da Universidade Estadual de Iowa, EUA, Jeff Zimmerman, no Simpósio Internacional de Suinocultura, que reuniu estudiosos do setor entre os dias 16 e 18 de maio, em Porto Alegre, RS. Estudioso sobre o tema, ele disse que o Brasil já fez boas ações para se manter livre de doenças exóticas, como a Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (PRRS), mas precisa se preocupar mais incisivamente com a PED, detectada no vizinho Equador na segunda quinzena de abril. Apesar de o vírus não estar próximo dos polos produtores, é um sinal de alerta, garantiu Zimmerman.

“O Brasil pode se manter livre de PRRS, tem teste para diagnóstico. As barreiras importantes para manter o Brasil livre de PRRS já foram implementadas. O problema é a infecção persistente. Animais continuam replicando os vírus cem dias após a inoculação. O Brasil importa muito pouco animais - menos de 800 importados ano passado -, portanto, com testes rápidos, pode continuar sem (a PRRS). O Brasil tem baixa importação de animais, o que acaba reduzindo a possibilidade de doenças. Ele pode entrar pelo sêmen, como aconteceu na Suíça e Canadá, mas vejo o Brasil bem preparado. Pior para o Brasil hoje é a PED pela quantidade de vírus, estabilidade no ambiente, capacidade de ser transportada. Para o Brasil, o risco de PED é maior”, assegurou.

De acordo com ele, o “custo da PRRS nos EUA tem permanecido relativamente estável”. “O custo por animal varia entre 10 e 15 dólares. São cerca de US$ 600 milhões por ano”, citou.

Para o doutor e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Fernando Bortolozzo, o tema proposto pela palestra é importante principalmente pelo status sanitário que o Brasil ostenta, “com poucas enfermidades virais que afetam os suínos”. “Precisamos ficar atentos às possibilidades de risco de contaminação. Os problemas estão cercando. Temos um problema crescente nos Estados unidos, recentemente a PRRS no detectada no Equador. A região Norte do Brasil (mais próxima daquele país) não é importante na produção de suínos, mas países daquela região estão impondo risco na produção nacional”, destacou.

O melhor que o país tem a fazer, segundo Zimmerman, é se preparar com mais controle nas indústrias de ração e diagnósticos rápidos. “Não se apavore, entenda o problema para implementar soluções. Podemos nos preparar para reagir, identificar laboratórios e parceiros na indústria que vão ajudar. Estamos trabalhando com biosseguridade externa e internamente como verificar que fábricas de ração permaneçam livre de doenças infecciosas? A solução é exigir padrões mínimos para os processos como acontece em outros países”, sugeriu.

De acordo com Zimmerman, a estrutura estadual de laboratórios dos Estados Unidos permite diagnósticos mais rápidos, o que facilita na erradicação de problemas, mas ele cita que o país não está preparado para doenças exóticas. No Brasil, há poucos laboratórios, espaçados por grandes áreas de território, capazes de realizar todos os testes necessários para a cadeia suinícola.

“Olhando relatórios do governo desde 1999, os Estados Unidos não estão preparado para doenças exóticas”, disse. Por outro lado, “os laboratórios estaduais são melhor equipados que federais, em novos prédios, novas estruturas, recebem amostram todos os dias - alguns 500 mil amostras por ano -, com registro eletrônico. Em 24 horas depois de receber as amostras, o laboratório estadual consegue publicar o resultado”, pontuou. Isso vem de encontro à agilidade e rapidez para dar resposta e contenção de problemas, sugeriram participantes. 

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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