Nutrição - 11.09.2017

Emulsificante em dietas de frangos de corte promove economia de energia e de custos de formulação

Efeito positivo da adição de emulsificantes promove melhores resultados para as gorduras de menor digestibilidade, mas também trazem efeitos significativos em gorduras de alta digestibilidade

- Arquivo/OP Rural

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Artigo escrito por Luiz Gustavo Rombola, zootecnista – M.sC e gerente Técnico Internacional da Orffa do Brasil

A energia é um importante componente de custo na formulação de rações para animais de alto desempenho. Devido à elevada densidade energética, as gorduras e os óleos são fontes de energia importantes na formulação balanceada de dietas. Melhorar a eficiência energética dessas matérias-primas resulta em economia de custos com a alimentação.

Os sais biliares são emulsificantes naturais. Os monoglicéridos formados no intestino após a hidrólise da gordura também atuam como emulsificantes. No entanto, a capacidade destes pode ser um fator limitante para a digestão de fontes de gordura. Os animais jovens têm produção limitada de sais biliares e, portanto, a digestibilidade de fontes graxas é limitada no estágio inicial da vida. Além disso, as características da gordura utilizada e a quantidade adicionada podem restringir a digestibilidade, e isso ocorre também em animais mais velhos. Gorduras e óleos de diferentes características promovem as diferenças na digestibilidade. Em geral, os ácidos graxos saturados (principalmente encontrados na gordura animal) são menos digestíveis quando comparados aos ácidos graxos insaturados (como os provenientes de óleos vegetais). Níveis elevados de ácidos graxos livres limitam a digestibilidade, e o uso de emulsificantes nutricionais é uma ferramenta eficaz para melhorar a digestibilidade da gordura. Obviamente, o efeito positivo da adição de tais emulsificantes promove melhores resultados para as gorduras de menor digestibilidade, mas também trazem efeitos significativos em gorduras de alta digestibilidade, como o óleo de soja, por exemplo.

Equilíbrio hidrofílico lipofílico

O equilíbrio hidrófilico-lipofílico (HLB) é o melhor parâmetro para se escolher o emulsificante ideal para cada aplicação específica. Um emulsificante com baixo HLB é mais solúvel em gordura (lipofílico) e um emulsificante com alto HLB é mais solúvel em água (hidrofílico). Devido ao fato de que os animais consomem cerca de duas vezes mais água do que ração, o intestino é um ambiente aquoso. O objetivo de um emulsificante nutricional é otimizar a  formação de micelas no intestino e, portanto, a característica de um alto HLB (hidrofílico) é o ideal. Existem hoje vários testes e experimentos que demostram os benefícios da utilização de um emulsificante nutricional.

Efeito para frangos de corte

Foram realizados três experimentos para determinar o efeito da utilização de um emulsificante nutricional sobre a digestibilidade dos nutrientes em duas dietas basais (diferentes composições). A digestibilidade de gorduras e óleos podem ser influenciadas por diferentes variáveis. Foram levadas em consideração a quantidade de gordura e o tipo de gordura são variáveis importantes, bem como a idade das aves. Para investigar o efeito do nível de inclusão de gordura, as dietas foram formuladas com diferentes níveis de óleo de soja (0%, 1,5%, 3%, 4,5% e 6%). Todos os níveis de inclusão de óleo foram testados com ou sem a inclusão do emulsificante nutricional. Também foi avaliado a inclusão de dois tipos de óleo (óleo de soja e óleo de vísceras de aves) com intuito de avaliar o efeito da fonte de gordura. A digestibilidade dos nutrientes e a energia metabolizável (AMEn) foram analisadas para aves em diferentes fases: fase I (14 – 21 dias) e fase II (35-42 dias), foram utilizadas gaiolas metabólicas e a coleta total de excretas.

Resultados: energia metabolizável aparente

Os resultados demonstram que o emulsificante melhorou significativamente a digestibilidade da gordura resultando em maior energia metabolizável (AMEn), tanto para as aves de 14 – 21d quanto para as aves de 35 – 42d. Os testes adicionais demostraram que não ocorreu efeito em relação à composição da dieta. Ambos tipos de dieta (dieta vegetal e dieta com subprodutos de origem animal) obtiveram efeitos positivos comparáveis do uso do emulsificante. A partir da comparação entre o óleo de soja e óleo de vísceras, conclui-se que o emulsificante nutricional foi efetivo para ambas as fontes de gordura.

Conversão alimentar

Para acompanhar os ensaios de metabolismo, foi realizado um ensaio de desempenho com intuito de validar os ganhos energéticos observados. Como controle positivo, um programa de alimentação foi formulado com um nível de gordura e energia próximo à realidade comercial. A dieta inicial continha 2% de óleo de soja e as dieta de engorda e terminação continham 4% de óleo de soja. Um controle negativo foi formulado com menor conteúdo energético. Os níveis de energia das dietas iniciais foram reduzidos em 40 kcal/kg e a dieta de engorda e terminação foram reduzidas em 75 kcal/kg. Essas reduções de energia foram a validação dos resultados obtidos no teste de metabolismo e foram obtidas através da redução das inclusões de óleo de soja.

Como terceiro tratamento, o controle negativo foi suplementado com o emulsificante nutricional para podermos avaliar se essa redução energética poderia ser compensada. A validação foi feita com duas composições de dieta diferentes: a dieta 1 com apenas matérias-primas de origem vegetal (milho/farelo de soja) e dieta 2 composta por milho, farelo de soja e farinha de carne e ossos. Como esperado, a redução de energia (controle negativo) resultou em menor desempenho e maior conversão alimentar. A adição do emulsificante foi capaz de compensar a redução energética recuperando a conversão alimentar, sendo compatível com o controle positivo. As dietas com energia reduzida foram formuladas com menos óleo de soja e, portanto, apresentaram um custo de formulação significativamente menor (cerca de US$ 4,5/tonelada inferior). Com estes testes, podemos confirmar que a adição de emulsificantes  é  uma ferramenta prática para os nutricionistas poderem reduzir os custos de formulação.

Conclusão

O emulsificante nutricional testado melhora a digestibilidade de gorduras e óleos e também otimiza a energia metabolizável (AMEn) em dietas de frangos de corte. A suplementação de um emulsificante nutricional dá aos nutricionistas a oportunidade de formular com menor nível de energia, sem comprometer o desempenho das aves, resultando em menor custo e produção animal mais sustentável.

Mais informações você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2017.

Fonte: O Presente Rural

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