Reprodução - 31.08.2018

Embrapa Gado de Leite destaca avanços e tendências no processo reprodutivo

Bruno Campos de Carvalho, chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da EMBRAPA, garante que daqui a alguns anos as vacas terão sensores individuais para detectar o cio e possíveis enfermidades

- Divulgação

O Presente Rural procurou a Embrapa Gado de Leite, de Juiz de Fora, MG, para falar um pouco mais obre o que há de mais atual sendo utilizado nos processos reprodutivos, da sanidade à nutrição, passando por ambiência, manejo e inseminação artificial. Bruno Campos de Carvalho, chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, destaca alguns avanços recentes em relação à reprodução de gado de leite no que tange sanidade, ambiência, nutrição. Ele garante, daqui a alguns anos as vacas terão sensores individuais para detectar o cio e possíveis enfermidades.

“Com relação à sanidade, os avanços recentes mais importantes dizem respeito ao conhecimento de como o metabolismo no período de transição afeta a imunidade do animal. A redução da resposta imune antes e após o parto afeta a incidência de retenção de placenta e de infecções uterinas. O metabolismo energético, relacionado principalmente à mobilização de reservas corporais e circulação de elevadas concentrações sanguíneas de ácidos graxos não esterificados, e o metabolismo do cálcio, relacionado principalmente à hipocalcemia subclínica, afetam a atividade das células de defesa”, revela. “Neste caso, especialmente os neutrófilos têm sua capacidade de fagocitose de bactérias reduzida, quando as concentrações de ácidos graxos não esterificados estão altas ou as concentrações de cálcio estão baixas. Isso tem levado a melhorias no manejo de vacas no pré-parto, com o uso de aditivos e vitaminas que melhorem o metabolismo energético e do cálcio. O resultado tem sido a redução da incidência de problemas reprodutivos, com benefícios além da redução das doenças em si, mas também redução do tempo para a primeira inseminação artificial e aumento da taxa de concepção”, sugere.

Esses ganhos em sanidade, emenda Campos de Carvalho, estão muito relacionados com a nutrição animal, pois o uso de tecnologias como dietas aniônicas e a suplementação com  metionina ou colina protegidas da degradação ruminal têm melhorado, respectivamente, o metabolismo do cálcio e energético.

O profissional da Embrapa conta porque é importante o pecuarista de leite ganhar na fase de reprodução. “A gestação e o parto são as melhores formas de promover a lactação na vaca. Para a vaca dar leite, ela precisa parir. O ideal é que ocorra um parto a cada 12 meses, de forma que a vaca produza leite durante 10 meses (305 dias) e descanse por 2 meses, para se preparar para uma nova lactação. Quando a eficiência reprodutiva não está bem, ou seja, o intervalo de partos é maior que 12 meses, ocorrem perdas produtivas, como redução da porcentagem de vacas em lactação e redução média da produção de leite das vacas”, orienta.

Índices

Conforme o chefe adjunto de Transferência de Tecnologia, não existem muitos estudos sobre índices reprodutivos ideais no Brasil, alguns parâmetros tentam ser alcançados, mas muito pecuarista está muito aquém do esperado. “Não existe um levantamento preciso dos índices reprodutivos. Alguns trabalhos reportam intervalos de parto entre 14 e 18 meses. O ideal é que uma propriedade tenha cerca de 80 na 85% de vacas em lactação. Entretanto, é comum observar taxas menores, de 50 a 70% de vacas em lactação, o que demonstra um claro prejuízo para o produtor, com redução do potencial de produção de leite da propriedade”, acentua. De acordo com ele, consideram-se índices satisfatórios intervalos de parto entre 12 e 13,5 meses.

Genética

O especialista explica que características reprodutivas apresentam, de forma geral, baixa herdabilidade. Ou seja, o ambiente interfere muito mais na fertilidade do rebanho do que a genética. “Entretanto, é possível melhorar a eficiência reprodutiva através do uso de touros melhoradores. Características como taxa de prenhez das filhas, intervalo de partos, vida produtiva, entre outros, são índices que avaliam de forma direta ou indireta a fertilidade, e podem ser considerados na seleção de touros para acasalamento”, explica.

Ele destaca que “a genômica teve papel importante em aumentar a confiabilidade das avaliações de características reprodutivas e também pela identificação de touros portadores de doenças genéticas ou alelos recessivos que possam afetar a taxa de concepção ou a fertilidade de vacas, sendo possível selecionar touros por essas características”.

A Embrapa Gado de Leite coordena os programas de melhoramento genético das raças Gir Leiteiro, Guzerá para Leite e Girolando. Para estas raças, é realizado o teste de progênie. As informações fenotípicas são usadas para a avaliação genética dos animais do rebanho. Tratam-se das informações zootécnicas, como idade, data de parto, produção de leite, etc., que são usadas para caracterizar o animal. Essas informações são a base das avaliações genéticas.

Biotecnologias reprodutivas

Para o pesquisador da Embrapa, a Inseminação Artificial em Tempo Fixo contribuiu para a melhoria da eficiência do processo reprodutivo e reduziu um dos maiores problemas nas fazendas, a falta de detecção do cio. “A IATF, inseminação artificial em tempo fixo, é uma tecnologia que permite o uso de protocolos hormonais para indução e sincronização do cio e ovulação, de forma que a inseminação seja realizada em momento pré-estabelecido. Tem facilitado a adoção da inseminação artificial e contribuído para a melhoria do desempenho reprodutivo. Este último, principalmente devido à baixa eficiência na detecção de cio, um dos maiores problemas do manejo reprodutivo”, aponta.

O profissional cita que entre as novas tecnologias, o Brasil é líder. “O Brasil atualmente é o líder mundial na produção de embriões in vitro. A produção in vitro de embriões é uma das principais biotecnologias da reprodução hoje, com mais de 400 mil embriões produzidos anualmente”, comenta. “Acelera o melhoramento genético por permitir a seleção das melhoras vacas do rebanho, que podem ser acasaladas com touros de alto valor genético para a produção de animais superiores. Além disso, permite a utilização de sêmen sexado, com a produção de mais de 85% de fêmeas, o que é muito interessante para a pecuária leiteira. Atualmente, existem muitos programas de melhoramento genético fomentados por laticínios e cooperativas que têm por base a produção in vitro de embriões”, salienta o profissional.

A edição gênica é outra biotecnologia iminente no Brasil, comenta. “A edição gênica permite controlar a expressão de genes específicos, permitindo ou inibindo a expressão de proteínas de interesse. É um método ainda muito utilizado em animais de laboratório, e que só agora começa a ser usado em animais de produção. A Embrapa vem desenvolvendo pesquisas para entender o funcionamento e aplicabilidade da técnica, de forma que num futuro próximo, após regulamentação, possam ser desenvolvidas aplicações de interesse para a agropecuária”, comenta.

Ainda conforme o pesquisador, espera-se uma evolução no uso das técnicas, com aumento da eficiência reprodutiva e que um maior número de produtores possa adotar técnicas e práticas modernas. “Um ponto que tende a evoluir é o uso de sensores de monitoramento automatizado da atividade animal. Tratam-se de equipamentos, geralmente colares, que monitoram a atividade física do animal e auxiliam na detecção precoce de doenças e na detecção do cio. Ainda é uma tecnologia relativamente cara, mas cujo custo deve abaixar com o aumento de sua adoção”, aponta.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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