Sucessão - 04.12.2017

Em nome do pai

Deixe os números de lado. História de amor torna o capitalismo mais leve e a avicultura mais forte

- Arquivo/OP Rural

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Quando alguém entra na atividade agropecuária está disposto, no fim das contas, a obter lucros. Ninguém trabalha de graça ou investe em algo que não dê retorno. Mas acredite, há quem invista também por cultura, tradição ou carinho. O Presente Rural encontrou em Santa Helena, PR, um raro exemplo de produtora rural que sabe da importância do dinheiro, no entanto investe por outras razões, enche os olhos de lágrimas ao falar de seus dois aviários que estão quase prontos. A emoção de Simone Prati Grade produz uma prazerosa confusão entre negócios e amor, que deixa mais suave o enrijecido e pálido capitalismo desenfreado dos dias de hoje. “Era um sonho do papai”, evidencia.

Simone é uma iniciante no assunto, mas de lambuja vai pegar a experiência da mãe, três irmãos e genros que já lidam com a avicultura. A família tem cinco aviários e está construindo outros cinco. Dois deles são de Simone, que dedica o novo investimento ao saudoso pai Anacleto Prati, ou simplesmente Cleto. “Decidi investir na avicultura porque sei que isso vai ser a faculdade do meu filho João lá na frente, sei que é uma atividade rentável, mas para seguir o exemplo do papai. Como meus irmãos já estavam envolvidos, decidi entrar para a avicultura também. É um grande orgulho estar seguindo os passos do papai. Ele criou cinco filhos cinco filhos com o trabalho na lavoura e deu início à atividade da avicultura na propriedade. Ele é o maior exemplo de trabalho que a gente tem e é esse exemplo que que queremos passar para os nossos filhos. Daqui há pouco, são nossos filhos que vão estar nos ajudando”, referencia.

O Complexo Avícola Cleto Prati, como será chamado o empreendimento entre irmãos, vai ser inaugurado quando os próximos cinco aviários estiverem prontos. Falar da homenagem ao pai faz Simone embargar a voz e encher os olhos de lágrimas. É nítida a emoção ao relembrar carinhosamente do patriarca, na varanda da casa em que ela e os irmãos cresceram. Há cinco anos, Cleto faleceu, mas certamente deixou um legado para seus sucessores.

Simone rende elogios também a Marivone, “a mãe batalhadora”. “Depois que o papai morreu, a mamãe teve que assumir tudo. Ela não sabia praticamente nada sobre avicultura. Teve que aprender tudo. Lutou e aprendeu”, diz.

Casada e mãe de um filho, Simone espera que o investimento hoje feito em nome do pai ofereça segurança financeira ao pequeno João, que não chegou a conhecer o avô, mas se depender dela e dos irmãos certamente vai ouvir boas histórias do trabalhador, pai de família, pescador e gaiteiro Cleto Prati.

É homenagem, não brincadeira

Simone se recompõe da emoção para dizer que não está entrando na avicultura para brincadeira, afinal de contas há um grande investimento em jogo. Para ela, a opção mais obvia é investir em boas parcerias. “Estou investindo em aviários com o que há de mais moderno no mercado em tecnologia, como placas evaporativas, tunnel door e inlets, por exemplo”, comenta. “É importante ter o apoio da cooperativa e dos fornecedores”, avalia a jovem produtora.

De acordo com ela, a produção deve começar no primeiro semestre do próximo ano. “Em uma posição bem animadora, espero que a gente já possa alojar o primeiro lote em maio de 2018”, comenta. São dois barracões de 150 metros de comprimento por 16 metros de largura, com capacidade para 36 mil frangos cada.

Integrada à Cooperativa Lar, de Medianeira, Simone aposta no potencial da avicultura que seu pai ajudou a construir no Oeste paranaense. “A nossa região é muito forte na produção de aves, e o alimento sempre será necessário. As cooperativas estão investindo em avicultura; temos apoio”, reforça.

A nova avicultora que surge no Brasil frisa a importância de investir em tecnologias e reciclar conhecimentos para ter uma atividade eficiente, sem antes lembrar do exemplo que veio de casa. “Espero que a gente continue com o exemplo de trabalho que meu pai nos deixou, aprendendo sempre mais ao que está se propondo. Quero continuar agindo com o exemplo que tive em casa e repassar aos nossos filhos, procurando sempre ser o melhor. Quero aprende tudo, do início ao fim do processo”, assume. “Além do que, estamos produzindo alimentos para as pessoas e gerando empregos, impostos, entre outras questões”, amplia.

Quando você, caro leitor, escuta por aí que a avicultura vai muito bem, obrigado, alguém está falando de um segmento quer cresce 3% ao ano, repetindo e superando seguidos recordes de produção, consumo interno e vendas para o exterior de encher os olhos. Está falando em um Brasil que é o segundo maior produtor e líder mundial em exportações dessa proteína, que tem projeções de avançar ainda mais e que trabalho, tecnologia, genética, nutrição e fizeram dessa atividade a menina dos olhos do agronegócio brasileiro. Mas em meio a tantos números e índices frios, em meio às cifras em dólar e ao emprego da tecnologia e dos robôs, há sempre uma bela história de amor para contar. Essa é em nome do pai. No fim das contas não é dinheiro, são pessoas e sentimentos.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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