Sanidade Animal - 24.04.2017

Doença de Gumboro desafia as aves e o ambiente

Ocorrência das doenças imunossupressoras exerce efeito devastador nos resultados zootécnicos dos lotes de aves comerciais

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Eduardo Muniz, gerente de Serviços Técnicos de Aves da Zoetis

A função do sistema imune é proteger o corpo das infecções expulsando ou contendo os patógenos nas superfícies corporais, pele, vísceras e mucosas, limpando ou processando as células danificadas e incitando a reparação tissular. Para realizar sua função, o sistema imunológico da ave utiliza diferentes linhagens celulares, moléculas de reconhecimento dos agentes, fatores solúveis de sinalização, direcionamento e modulação da resposta imune, bem como interage com outros sistemas, por exemplo, sistema neuroendócrino e circulatório e com as mucosas do trato digestório e respiratório.

A ocorrência das doenças imunossupressoras exerce efeito devastador nos resultados zootécnicos dos lotes de aves comerciais, pois no moderno sistema de produção, onde os animais são criados em alta densidade populacional, as aves dependem constantemente da integridade do sistema imune para defender-se dos diversos agentes infecciosos presentes no ambiente.

Dentre as diversas doenças infecciosas imunossupressoras das aves, como Marek, Reticuloendoteliose, Leucose Linfoide, Anemia Infecciosa das Galinhas, Reovirose e Criptosporidiose, talvez a Doença Infecciosa da Bursa (DIB), ou mais conhecida como doença de Gumboro, seja a enfermidade que mais tenha recrutado os recursos técnicos e econômicos da indústria avícola para seu controle e prevenção. Isso decorre do fato da DIB atingir diretamente um importante órgão linfoide primário, a bolsa de Fabrícius, e, portanto, comprometer significativamente a importante resposta imune mediada pelos linfócitos B através da produção de anticorpos.

As aves afetadas com o vírus de Gumboro sofrem imunossupressão, respondem deficientemente às vacinações, assim como desenvolvem maior suscetibilidade contra todo tipo de doença infecciosa. Isso repercute em prejuízos econômicos significativos para a indústria avícola, como perda em desempenho zootécnico, elevação da mortalidade e aumento de condenações no frigorífico. Portanto, onde a doença está presente, a vacinação é essencial.

Além disso, a característica de alta capacidade de resistência do vírus de Gumboro e sua persistência no ambiente nos obriga a pensar em uma estratégia de imunização que leve em consideração não somente a proteção da ave, mas também atuar na redução da pressão de infecção. Sendo assim, a função da vacinação, além de prevenir contra a doença, também deve ser a de reduzir a replicação do vírus de campo, diminuindo o desafio nos galpões de criação. Isso significa vacinar não somente a ave, mas vacinar também o ambiente.

Qual é a melhor estratégia de controle?

Os anticorpos maternais exercem efeito neutralizante sobre a cepa vacinal, limitando a eficácia das vacinas convencionais. Além disso, o nível de imunidade passiva varia consideravelmente de uma ave a outra em um mesmo lote, dificultando a escolha do produto e do momento ideal para a imunização das aves. Por um lado, essa imunidade materna desempenha importante papel de proteção às aves nas primeiras semanas de vida, mas, por outro, dificulta a imunização ativa pelas vacinas.

Com a intenção de induzir imunidade uniforme no lote, os programas tradicionais normalmente implicam na administração de múltiplas doses de vacinas. Por esta razão, a idade das aves e a seleção da cepa são críticos para desenhar um efetivo programa de vacinação.

Em função das tecnologias disponíveis atualmente em equipamentos de vacinação in ovo e mesmo em vacinas (complexo antígeno-anticorpo ou recombinantes) para o controle do Gumboro, cada vez mais as indústrias produtoras têm concentrado a vacinação das aves no incubatório, deixando as vacinações de campo para casos onde é necessário dose de reforço.

Com a intenção de melhorar e tornar mais simples os programas de vacinação, a tecnologia do imuno-complexo tem sido amplamente adotada. A vacina do tipo imuno-complexo é produzida pela mixagem, em proporções bem definidas, da cepa vacinal com anticorpos específicos contra a doença de Gumboro, produzidos em aves SPF para uso no incubatório tanto por via in ovo quanto subcutânea.

Há diferenças significativas entre as vacinas disponíveis no mercado brasileiro. A cepa V877, por exemplo, é considerada uma cepa forte em função do grau de atenuação da estirpe de IBDV selecionada. Além de apresentar alta eficácia no controle do desafio de campo, testes com esta cepa demonstraram que a V877 possui elevada capacidade de disseminação lateral. Dessa forma, além da vacina imunizar a ave, ela também é eliminada no ambiente e produz um efeito conhecido como “esfriamento do galpão” após a vacinação de sucessivos lotes. Este efeito somente é possível em vacinas com vírus vivo, pois o vírus de campo vai sendo substituído pela cepa vacinal resultando no que se denomina “esfriamento do galpão”.

Dessa forma, o controle efetivo das doenças imunossupressoras, como a doença de Gumboro, envolve o uso inteligente da imunidade materna nas primeiras semanas de vida da ave e a eficaz e adequada imunização ativa para uma proteção completa do lote. A prevenção da doença de Gumboro e da doença de Marek são passos importantes para a preservação da integridade imune visando evitar imunossupressão, mortalidade e prejuízos econômicos em aves comerciais.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2017.

Fonte: O Presente Rural

CBNA

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