Manejo - 07.12.2017

Dieta e manejo são cruciais para reprodutoras mais eficientes

Cuidados na produção das reprodutoras, como tamanho do peito e empenamento, são alguns fatores que devem ser observados para a galinha depositar as reservas de energia no ovo

- Divulgação/SBSA

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Os cuidados com manejo e nutrição em matrizes de aves de postura devem ser revisados e feitos com atenção. Isso porque perdas econômicas para toda a cadeia podem ser consequências de pequenos erros que ainda são cometidos. O doutor Leonardo Linares falou sobre “Manejo de Matrizes Pesadas” durante o Simpósio de Manejo e Nutrição de Matrizes” da Zinpro, que aconteceu em outubro em Toledo, PR.

O principal ponto destacado pelo profissional é da importância de ter um lote uniformizado. Para isso, a nutrição é essencial. De acordo com Linares, um pintinho geralmente tem capacidade visual e vai atrás das partículas maiores. Dessa forma, é importante ficar atento para que durante o alojamento não haja alimento com muitos fios. “Investir em mini pellet é uma boa ideia. Pode ser um pouco mais caro, mas com certeza vai ter um benefício maior, já que pintinhos conseguem comer um mini pellet de até 2 cm tranquilamente”, comenta. O profissional frisa que é importante que o peso dos animais esteja semelhante um dos outros. “Isso vai afetar bastante nas questões reprodutivas e de mortalidade”, afirma.

Linares comenta que como as empresas de genética estão melhorando o frango para conversão, as reprodutoras também estão sendo selecionadas para isso. E, para isso dar certo, o profissional comenta que muitas vezes é preciso restringir a ração da reprodutora para que ela fique no peso ideal. “Se você não restringir a galinha para que tenha um bom perfil para poder produzir ovo, você vai acabar diminuindo o potencial produtivo dela”, diz. Ele conta que entre as semanas 10 e 15 é importante que tenha o balanceamento da dieta, para poder baixar a proteína e a energia e incrementar o volume da ração. “Se não houver isso vai ser complicado distribuir ração e também ter uma melhor uniformidade no lote”, diz.

O profissional destaca que para que se consiga que a galinha cresça homogeneamente é preciso fazer um bom trabalho desde o início, para que ela desenvolva bem o sistema digestivo, cardiovascular e a carcaça. “É preciso trabalhar para manter um crescimento uniforme e homogêneo e para isso precisamos investir muito na parte de ração e recria”, conta. Ele destaca que o ambiente é outro ponto importante em que deve ser investido. “Se a galinha precisa competir por espaço para comer, vai complicar na uniformidade do lote. É importante que todas tenham um bom acesso à parte dos comedouros”, afirma. Linares acrescenta que fazer uma boa distribuição de ração auxilia a manter a uniformidade. “É importante fazer um bom manejo de distribuição de ração, para que as galinhas não batam bunda com bunda. Cada uma tenha um bom acesso e que elas não fiquem correndo de um lado para o outro, porque assim elas gastam muita energia e não aproveitam a ração, desuniformizando o lote”, conta.

Qualidade

Linares comenta que é interessante fazer o “teste do filé” para confirmar como está a situação do peito da galinha. De acordo com ele, um teste fácil que pode ser feito é juntando o dedo polegar com o indicador para saber como está a consistência do peito, da parte de carne, e pode ir fazendo mudando os dedos e vendo como fica a consistência. “Sempre temos que tentar buscar uma condição mais de médio para bem passado, porque a galinha com um peito flácido significa que está metabolizando muito os nutrientes que ela tem no fleshing para manutenção do peito, para poder botar ovo”, comenta.

Ele explica que especialmente depois do pico de produção há uma estética mais visível para poder avaliar a condição que está o peito da galinha. “Se o animal está com o peito mais flácido, ela está comendo, colocando no peito e depois metabolizando fleshing, para depois poder colocar o ovo. Ou seja, ela não está sendo tão eficiente em pegar a ração, comer, absorver e colocar na gema do ovo”, informa.

O doutor explica que quanto mais reserva de gordura o animal tem, principalmente na fase inicial de 20 a 25 semanas, mais ajuda na persistência de produção. Ele alerta que não adianta colocar um monte de gordura na dieta do animal antes da 18ª semana, já que é um período que a galinha não coloca ovo. “É um período que os hormônios não estão funcionando bem, o sistema ainda não está completamente desenvolvido. Por isso a galinha vai ser magra até, pelo menos, a 17ª, 18ª semana”, comenta.

De acordo com Linares, é interessante ter galinhas com bom fleshing indo para a postura, isso porque ela vai usando aquele fleshing para poder gerar ácidos graxos, que serão depositados na gema. “Porque a galinha não tem reserva de gordura naquela idade, e se tem é muito pouco. Então ela está guardando tudo para ela. Ela não tem muita ação ainda para ser eficiente para comer, digerir e depositar na gema, dessa forma está guardando tudo para si”, explica.

Já no pico de produção, Linares explica que a dinâmica muda. “Quando coletamos ovos no pico da produção, nós podemos ver que 40% vem do fleshing. A galinha está usando ele para poder produzir glicose e poder produzir, com ácido graxo, para poder jogar na gema. Agora a galinha está mais eficiente”, conta. Ele informa que anteriormente o animal estava comendo 165 gramas, e agora, parte desta dieta está guardando como reserva, mais de 40% dela, metabolizando e jogando direto na gema. “Ela está mais eficiente. Mas agora, nesta idade ela já tem um pouco mais de reserva de gordura, então está usando cerca de 20% daqueles ácidos graxos fazendo o metabolismo da gordura, porque ela percebeu que tem reserva”, informa.

Nova Mudança

Com 45 semanas de idade, o profissional conta que a dinâmica muda mais uma vez. “Nessa idade os hormônios já estão diminuindo e a ração já começou a diminuir bastante essa dieta. A quantidade de ração que dá para a galinha e a dinâmica mudam”, conta Linares. Ele explica que o animal está usando ainda bastante o fleshing, sendo que cerca de 35% dos ácidos graxos vêm do fleshing e 33% da dieta. “Ela continua sendo eficiente, mas não tanto quanto no passado, porque agora a ração está diminuindo, então ela passa a guardar um pouco mais”, informa. Porém, nesta fase a galinha está mais eficiente na parte de usar as reservas de gordura. “Antes era zero a utilização no começo da produção, passou para 20% no pico e agora está com 33% dos ácidos graxos da gema vindo da reserva de gordura. Por isso é muito importante fazer a reserva corporal de gordura da galinha e na produção, porque a partir do momento que começa a tirar a ração, essa reserva de gordura vai dar persistência na produção”, diz.

Uso de Energia

Linares ainda alerta para o tamanho do peito do animal, já que quanto maior o peito, mais energia a galinha vai precisar para a manutenção dele. “Ela vai usar parte das reservas para manter o peito. Porém, se o peito é mais enxuto, essa galinha vai estar mais eficiente, porque ao invés de usar essa energia para o peito, ela está colocando nas reservas que vai ajudar no sistema de reprodução”, explica.

A intenção, de acordo com o profissional, é ter uma galinha com menos peito e mais reserva. “Porque se ela tem muito peito, a galinha está praticamente colocando a reserva de gordura para ela, para poder persistir na produção. Ela tem mais peito para manter, tem que gastar mais energia com isso”, conta. Outro fator que é visível que a galinha está usando sua energia para se manter é o empenamento. “A galinha está tendo que canalizar alguns aminoácidos que seriam para ajudar na condição da pena para a manutenção do peito”, menciona.

Se o animal tem problema de empenamento ele vai depender mais da ração e aumentar as reservas de energia. “Porque uma galinha mal empenada, principalmente no inverno, vai perder muito calor, e com isso ela vai deixar de usar as reservas de gordura que colocaria no ovo para se esquentar. Além do mais, a galinha vai depender muito mais da ração, prejudicando também outros fatores, como o peso vivo, a produção e o peso dos ovos”, afirma.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.

Fonte: O Presente Rural

ACSURS

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