Saúde Animal - 24.09.2018

Diarreias na terminação impactam na produtividade dos suínos e na rentabilidade da agroindústria

Apesar de comuns, os impactos econômicos das diarreias nessa fase da produção são muito significativos pela expectativa de ganho de peso e pelo grande consumo de alimento dos suínos

- Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por equipe técnica da Vetanco do Brasil

O que pode ocasionar diarreias no plantel de suínos em fase de terminação? Na prática da suinocultura, é rotineira a observação de diarreias na fase de crescimento e terminação, porém não devemos tratá-las com negligência ou considerando-as como normalidade. Apesar de comuns, os impactos econômicos das diarreias nessa fase da produção são muito significativos pela expectativa de ganho de peso e pelo grande consumo de alimento dos suínos nessa fase. Portanto, ações devem ser tomadas com foco tanto em prevenção quanto controle das mesmas.

Diversos fatores estão associados à apresentação clínica de diarreias em suínos de terminação, podendo ser causadas por agentes infecciosos ou não. Causas nutricionais e relacionadas às matérias-primas (como ocorrência de micotoxinas ou fatores anti-nutricionais) ocorrem com grande frequência e não somente causam prejuízos diretos, como abrem portas - através de mecanismos de inflamação ou de desequilíbrios na microbiota - para a introdução de patógenos.

Apesar de outros fatores estarem envolvidos direta ou indiretamente, podemos apontar que as principais e mais relevantes causas de diarreia na fase de crescimento e terminação estão relacionadas a agentes infecciosos. Os mais comuns na fase de terminação são: Lawsonia intracellularis, Brachyspira pilosicoli e B. hyodysenteriae.

Quais são os métodos preventivos mais indicados e eficazes?

As ferramentas para a prevenção de diarreias em granjas suinícolas abrangem desde a limpeza e desinfecção das instalações até a utilização de medicamentos e aditivos na ração.

Instalações que facilitem o manejo e proporcionem ao animal melhor ambiência e bem-estar diminuem significativamente a incidência e severidade das diarreias, devendo o desenho das instalações ser considerado como ponto de início de um programa estratégico de prevenção de enfermidades.

As boas práticas de higiene, juntamente com um adequado vazio sanitário nas granjas, são medidas que possuem grande impacto na prevenção e controle de doenças entéricas. Porém, normalmente correspondem a uma das principais falhas em nosso sistema de criação atual, em grande parte devido à quantidade e treinamento da mão-de-obra disponível.

Apesar de atuarmos preventivamente com práticas de ambiência, higiene e manejo, a utilização de produtos na ração na fase de crescimento e terminação são ainda o método mais comum para controle de enteropatógenos na produção intensiva de suínos. Para tanto, são utilizados normalmente na indústria programas profiláticos com antimicrobianos, utilizados em sua maioria em forma de pulsos estratégicos.

Conforme mencionado anteriormente, vários agentes infeciosos (com sensibilidades a distintas aos antimicrobianos) podem causar diarreias nesta fase, e geralmente estão associados a fatores predisponentes não infecciosos. Essa combinação de distintos agentes como causadores de diarreias determina a ocorrência destas nos chamados “complexos entéricos”. A interação entre diversos fatores caracteriza a grande dificuldade encontrada na prática para o correto controle das diarreias de terminação.

Para que seja possível prevenir ou tratar adequadamente os complexos entéricos, deve-se considerar uma análise epidemiológica local através de monitorias clínicas, associada ao diagnóstico laboratorial preciso. Esta análise deve direcionar com mais precisão o programa medicamentoso escolhido, já que a sensibilidade aos antimicrobianos (e mesmo a determinados aditivos) varia muito de acordo com o agente etiológico envolvido.

Como agravante, observamos atualmente uma realidade na suinocultura brasileira de grande resistência bacteriana a antimicrobianos, especialmente pelos patógenos já destacados. Trabalhos conduzidos recentemente pela equipe do professor Roberto Guedes, no laboratório de patologia da UFMG, demonstram que uma parte significativa das cepas de Brachyspira hyodysenteriae isoladas no país apresentam baixa sensibilidade aos antimicrobianos mais utilizados para a sua prevenção/tratamento.

O cenário de alta resistência microbiana, juntamente à pressão de consumidores e intermediários pela redução do uso de antimicrobianos na produção animal, levou a suinocultura a utilizar alguns aditivos naturais para a prevenção e tratamento de diarreias de terminação, algo que tem se demonstrado altamente eficaz em muitos casos. Existem aditivos desenvolvidos especialmente com esta finalidade, e quando utilizados dentro de um programa macro de controle dos complexos entéricos, servem como uma ferramenta promissora para a suinocultura nacional.

No caso de não haver a prevenção, a situação pode ser revertida?

A prevenção sempre é uma possibilidade, mas em casos particulares pode não ser adequada por questões financeiras, logísticas, etc. Nestes casos, devemos intervir para o controle dos problemas entéricos, evitando maiores prejuízos produtivos e sanitários para as granjas. O controle do problema entérico já instalado pode ser realizado através de um programa medicamentoso de maneira individual ou massiva, dependendo do caso e a critério do médico veterinário. Este controle se dá sempre associado às práticas de manejo, ambiência e sanidade já mencionadas, buscando reduzir os fatores predisponentes existentes.

Sobre os impactos, poderia destacar as principais consequências das diarreias na produtividade dos suínos?

As diarreias causam perdas em todo sistema de produção de suínos, mas especialmente no período de terminação o impacto econômico é maior devido a mortalidade, onde perdemos animais que já consumiram grande quantidade de ração. Também há grandes perdas relacionadas à conversão alimentar, já que temos animais em terminação consumindo uma grande quantidade de ração diária, e agravado pela atual situação de elevado custo das matérias-primas.

Por último, perdemos no ganho de peso dos animais, o que resulta na necessidade de maior tempo de permanência na granja, geralmente aumentando a casuística de problemas sanitários e complicando o período de vazio sanitário da integração como um todo. Em resumo, as diarreias de terminação causam um enorme impacto financeiro direto pela piora nos parâmetros produtivos, e deixam legados sanitários futuros muito graves para as granjas afetadas.

As diarreias impactam de que maneira a rentabilidade do produtor?

Normalmente nos referimos aos complexos entéricos quase que unicamente através da casuística clínica, representada pela diarreia. O produtor consegue detectar claramente o impacto destas na sua rentabilidade, já que os animais ganham menos peso, convertem menos ração em carne e ainda possuem em alguns casos elevada mortalidade. Porém, a ocorrência de surtos de diarreia ou casos graves não são os únicos causadores de prejuízos ao produtor, e talvez não sejam nem mesmo o principal fator.

Casos subclínicos, com diarreias moderadas, podem causar prejuízos econômicos ainda mais altos ao produtor, já que raramente se tomam medidas sérias de prevenção e controle quando o problema não é detectado clinicamente.

Quais são os principais pontos que o produtor deve considerar neste contexto?

O controle de problemas entéricos deve ser tratado como um plano estratégico integral envolvendo as informações e ferramentas a seguir.

  • Higiene (Limpeza/Desinfecção/Fluxo)
  • Vazio sanitário
  • Instalações adequadas que permitam limpeza e ambiência corretas
  • Manejo e bem-estar
  • Diagnóstico preciso de casos clínicos e subclínicos
  • Monitorias frequentes para detectar problemas ainda em sua fase moderada
  • Profilaxia com programas bem desenhados compostos por antimicrobianos, vacinas e aditivos naturais.

Integração

Por fim, a real integração dos institutos de ensino e pesquisa com a indústria é necessária para que o conhecimento técnico-científico seja aplicado na prática da suinocultura.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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